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23 de Abril de 2014, 20h26

Com Aécio Neves, cerimônia da Inconfidência se tornou evento fechado para evitar manifestações

Estudantes e moradores de Ouro Preto questionam o fato de a entrega da maior comenda do estado ter se tornado restrita a apenas alguns convidados

Estudantes e moradores de Ouro Preto questionam o fato de a entrega da maior comenda do estado ter se tornado restrita a apenas alguns convidados

Por Redação

Na última segunda-feira (21), durante a tradicional homenagem a Tiradentes e a entrega das medalhas da Inconfidência em Ouro Preto (MG), cerca de 50 estudantes protestaram com vaias o fato de o evento ser fechado para o público em geral. Desde a primeira gestão de Aécio Neves (PSDB/2003-2010) a cerimônia, que era aberta à população, se tornou restrita a poucos convidados.

Do lado de fora, os manifestantes empunhavam cartazes com os dizeres “Vocês nos prendem no dia da comemoração à liberdade?”, ou “21 de abril, a praça não é do povo”. Além dos cartazes contrários ao caráter exclusivista da festa, os estudantes colocaram uma “carreira” gigante de farinha no meio da rua. Além dos estudantes que protestavam, moradores também se juntaram e criticaram a restrição.

Porém, nem sempre foi assim. Até 2002, quando o estado de Minas Gerais era governado por Itamar Franco (PMDB/1999-2002), a presença da população era permitida na festa de homenagem a Tiradentes, inclusive com manifestações contrárias ao governo estadual e federal. Alguns episódios foram marcantes como, por exemplo, quando o então ministro da Fazenda Pedro Malan foi recebido com jovens abaixaram suas calças para protestar contra a privatização da Vale.

O eventos e tornou fechado no primeiro ano da gestão de Aécio Neves, em 2003, quando a festa começou a contar apenas com a participação de convidados e cadastrados. A medida do ex-governador e hoje presidenciável se deu por conta dos protestos contrários ao seu governo.

Manifestantes fizeram carreira gigante como forma de protesto (Foto: Reprodução do Facebook)

Manifestantes fizeram carreira gigante como forma de protesto (Foto: Reprodução do Facebook)

Mas tal medida não é unânime nem mesmo entre os tucanos. Em 2013, o presidente da Câmara de Ouro Preto, Léo Feijoada (PSDB), se manifestou contra a proibição da participação popular e estendeu panos pretos no lugar das bandeiras de Minas que ficam na sacada da Câmara, mesmo local onde acontece a homenagem. À época, a polícia retirou os panos pretos, mas não recolocou as bandeiras.