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16 de abril de 2019, 10h09

Com apoio de Lula, redes se mobilizam contra proibição de Doria à feira de orgânicos do MST

Um abaixo assinado a favor da feira já mobilizou mais de 17 mil pessoas. Assine aqui

Foto: Jhuan de Brito
Ao proibir a Feira Nacional da Reforma Agrária do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) de ser montada no parque da Água Branca, na zona oeste de São Paulo, o governador João Doria (PSDB-SP) criou uma grande reação nas redes a favor do evento, que mobilizou até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos primeiros a se colocar foi o editor de livros Haroldo Ceravolo Cereza, 44, que acabou criando um abaixo assinado. A sua postagem em um grupo virtual de moradores do bairro de Perdizes descambou para uma discussão política acalorada e logo foi apagada pela administradora da...

Ao proibir a Feira Nacional da Reforma Agrária do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) de ser montada no parque da Água Branca, na zona oeste de São Paulo, o governador João Doria (PSDB-SP) criou uma grande reação nas redes a favor do evento, que mobilizou até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Um dos primeiros a se colocar foi o editor de livros Haroldo Ceravolo Cereza, 44, que acabou criando um abaixo assinado. A sua postagem em um grupo virtual de moradores do bairro de Perdizes descambou para uma discussão política acalorada e logo foi apagada pela administradora da página.

“Por isso, decidi criar um abaixo-assinado”, conta o editor sobre a mobilização online assinada por 17 mil apoiadores até o momento.

O embate político em torno da organização de uma feira de alimentos cultivados por agricultores ligados ao MST foi tema de discussão virtual, no último domingo (14), entre Doria e o perfil oficial do ex-presidente Lula no Twitter.

Após chamar Lula de ‘presidiário’, Doria respondeu à postagem: “Ao que tudo indica, os organizadores da feira estão mais preocupados com a bandeira política-ideológica do que com a saúde e segurança do consumidor e necessidades dos produtores rurais”.

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Montada uma vez por ano desde 2016 no parque da Água Branca, totalmente com produtos orgânicos produzidos nos assentamentos, a Feira Nacional da Reforma Agrária, neste ano, teve autorização negada pela secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, que gere o parque.

O órgão estadual atribuiu a negativa ao fato de que a área do parque não comportaria o público atraído pelas barracas, que cresce ano após ano. Segundo os organizadores, 260.000 pessoas compareceram à edição de 2018.

Pessoas ligadas à organização da feira afirmam que enfrentam resistência todos os anos, mas que esta foi a primeira vez que a feira foi de fato barrada.

No ano passado, o conselho gestor do parque, formado por representantes da sociedade civil e da administração pública, também negou autorização para a feira, mas o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) teria se movimentado a favor do evento.

Diante da negativa de Doria, a bancada do PT na Câmara Municipal de São Paulo se mobilizou para transferir a feira para parques municipais, como o Ibirapuera, o que foi negado por questões de segurança.

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O vereador Eduardo Suplicy (PT) enviou uma carta a Doria exaltando a importância da feira, mas recebeu nova negativa do governador.

A mobilização da oposição ao governo tucano se deu também na Assembleia Legislativa, por meio de representações da Bancada Ativista e do deputado Carlos Giannazi, ambos do PSOL, criticando a decisão.

O crítico gastronômico Jota Bê conta que passou a ser xingado nas redes sociais e diz ter perdido milhares de seguidores depois de ter postado fotos de sua participação na Feira Nacional da Reforma Agrária no ano passado.

“Venho sendo bastante agredido, mas, para cada xingamento, quero apresentar um trabalho legal”, diz Jota Bê, que tem acompanhado e postado registros de atividades do MST, como a colheita de arroz orgânico, café e chocolate.

Com informações da Folha

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