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26 de dezembro de 2018, 16h26

Com bombas e repressão a manifestantes, Câmara de SP aprova reforma da previdência

Servidores que protestavam do lado de fora da Câmara aprovaram, em assembleia, greve de todas as categorias no dia 4 de janeiro

Servidores tiveram que ficar do lado de fora da Câmara (Foto: PT/SP)
Em pleno período de festas de fim de ano e com repressão contra manifestantes, os vereadores de São Paulo aprovaram a reforma da previdência dos servidores municipais. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) usou bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha contra os servidores. Foram 33 votos favoráveis e 17 contra. O texto de autoria da gestão de João Doria (PSDB)  segue agora para a sanção do prefeito Bruno Covas (PSDB).  Em março deste ano, Doria havia tentado aprovar a reforma e também houve violência. Entre as mudanças previstas está o aumento do desconto que o funcionário sofre na...

Em pleno período de festas de fim de ano e com repressão contra manifestantes, os vereadores de São Paulo aprovaram a reforma da previdência dos servidores municipais. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) usou bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha contra os servidores. Foram 33 votos favoráveis e 17 contra. O texto de autoria da gestão de João Doria (PSDB)  segue agora para a sanção do prefeito Bruno Covas (PSDB).  Em março deste ano, Doria havia tentado aprovar a reforma e também houve violência.

Entre as mudanças previstas está o aumento do desconto que o funcionário sofre na folha de pagamento, de 11% para 14%, o que prejudica os servidores. Há ainda a criação de um sistema complementar para quem ganha acima do teto de aposentadoria (R$ 5.645,80) do INSS, assim para manter o salário o trabalhador terá que recolher de 1% a 7% a mais de seus vencimentos.

A proposta recebeu ainda de última hora do atual prefeito Bruno Covas um substitutivo autorizando que recursos de privatizações sejam usados na previdência. A mudança contraria a proposta anterior de Doria, que previa que o Plano Municipal de Desestatização (PMD) teria finalidade exclusiva para ser destinado à saúde, educação, habitação popular, serviços e obras na cidade. A previsão de arrecadação com o plano é de R$ 5 bilhões até 2020.

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“Assim como já havia ocorrido em março deste ano, houve duríssima repressão policial na parte externa da Câmara. Professores e servidores do município ficaram feridos e até mesmo foram hospitalizados. Mais uma vez a lógica corrupta e elitista na política prevaleceu”, relatou a vereadora, recém-eleita deputada federal pelo PSOL, Sâmia Bomfim. 

A vereadora Juliana Cardoso (PT) chamou o projeto de lei de “confisco salarial”. “Desrespeitando a vontade dos trabalhadores que se organizaram e estiveram em peso em frente à Câmara, passou hoje em segunda votação o confisco salarial”, afirmou.

Após a votação, os servidores que protestavam do lado de fora da Câmara aprovaram, em assembleia, greve de todas as categorias no dia 4 de janeiro.

Confira abaixo quem votou sim e quem votou não à reforma:

 

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