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26 de junho de 2013, 11h53

Com vaias a Paulo Bernardo, assembleia popular da mídia cobra regulamentação e marco civil da internet

Participantes aprovam protesto na próxima quarta-feira, 3, em frente a Globo

Participantes aprovam realização de protesto na próxima quarta-feira, 3, em frente à Globo

Por Adriana Delorenzo

(Foto: Mídia NINJA)

Em meio à série de assembleias populares que acontecem pelo País, após os protestos que tomaram as ruas, o debate sobre a democratização da mídia não ficou de fora. Com uma vaia para o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, centenas de pessoas que participaram de assembleia no vão livre do Masp, em São Paulo, na noite de ontem (26), criticaram a falta de regulamentação do setor e a postura do governo federal em não dialogar sobre essa demanda dos movimentos sociais.

“Agora é o momento de intensificar a campanha pelo Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações”, defendeu Igor Felipe, do Movimento Sem Terra. A campanha é organizada por entidades da sociedade civil que buscam coletar 1,3 milhão de assinaturas para levar a proposta de regulamentação do que diz a Constituição sobre as rádios e televisões brasileiras ao Congresso Nacional.

Diversos problemas que a falta de regulamentação acarreta para a democracia brasileira foram apontados durante as falas no vão do Masp. A secretária nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertotti, destacou o “monopólio do setor de radiodifusão no Brasil”. “É uma luta contra o monopólio da fala, temos que fazer a reforma agrária do ar”, comparou o coordenador do coletivo Intervozes de Comunicação Social, Pedro Ekman.

Diversos participantes surdos apontaram, na assembleia, a falta de acessibilidade na programação da TV brasileira. Não há tradução em Libras, por exemplo, o que o projeto de lei de iniciativa popular prevê.

Cobertura dos protestos do Passe Livre

Segundo os participantes, a falta de pluralidade de informação ficou clara nos protestos pela redução da tarifa em São Paulo. Para o professor de Políticas Públicas da EACH-USP Pablo Ortellado, os meios de comunicação “agiram de maneira orquestrada como um partido político”. Ele destacou que antes do protesto da quinta-feira, 11 de junho, os editoriais dos principais jornais tradicionais paulistas defendiam a repressão policial contra os manifestantes. “Eles pediram sangue, e na quinta tivemos aquela barbárie.” Neste dia, mais de 200 pessoas foram presas, houve disparos de bombas, tiros com bala de borracha, gás lacrimogêneo e spray de pimenta até contra jornalistas, deixando centenas de feridos. Segundo Ortellado, em seguida, a mídia tradicional passou a listar diversas pautas tornando o movimento, que era claramente pela revogação dos aumentos, difuso, e passou a apoiá-lo.

Renata Miele, do Centro de Estudos de Mídia Independente Barão de Itararé, concorda que houve uma ação orquestrada. “Por que de repente começaram a apoiar as manifestações e passaram a impor pautas?”, questionou. “Os meios de comunicação nunca falaram uma linha positiva dos movimentos sociais, e continuam criminalizando os movimentos sociais”, disse. Para ela, é preciso ter mais diversidade na mídia, com outros pontos de vista, um “choque de ideias”.

Internet e Ecad

Outros pontos apontados na assembleia popular da mídia foram em relação à neutralidade na internet e à aprovação do marco civil. O professor da Universidade Federal do ABC e representante da sociedade civil do Conselho Gestor da Internet, Sérgio Amadeu, afirmou que “no Brasil e no mundo a internet está sob ataque”. Isso porque, segundo Amadeu, as operadoras de telecomunicações que controlam os cabos qurem quebrar a neutralidade da rede e filtrar o tráfego, controlando o conteúdo. De acordo com ele, as teles contam com o apoio do ministro das Comunicações. Amadeu defendeu a aprovação do Marco Civil da Internet, que aguarda votação na Câmara dos Deputados. “O Marco Civil não foi votado porque não querem que a internet seja livre”, comentou.

Diferente da internet, onde as pessoas não pedem permissão para falar, o músico Fernando Aniteli, do Teatro Mágico, destacou as dificuldades dos artistas viverem de música diante do controle do Ecad. Aniteli apontou a questão do jabá, onde só quem paga é tocado em rádios, ou ainda programas de TV, onde os músicos se sujeitam a passar situções constrangedoras para poderem mostrar seu trabalho. “Não existe democracia na TV, na internet, todas as mídias estão corrompidas de alguma maneira. Estamos tentando ocupar parte desse latifúndio”, comparou.