10 de outubro de 2018, 18h00

Como as democracias entram em colapso?

A luta neste segundo turno não é entre direita e esquerda (...) Definitivamente, assistimos, espero que não passivos, à disputa entre DEMOCRACIA e AUTORITARISMO

Charge de Vitor Teixeira

Como as democracias morrem*, de Steven Levitisky, cientista político e professor de Harvard, vê sinais preocupantes na democracia brasileira nas eleições de 2018.

As lideranças de FHC e Lula, apesar das conhecidas diferenças, nunca se apartaram de um princípio identitário fulcral: a Social-democracia.

A luta neste segundo turno não é entre direita e esquerda; liberalismo e comunismo; reacionários e revolucionários; legado FHC e legado Lula; sul e norte; sudeste e nordeste; Estado confessional e Estado laico; Estado logístico e Estado de bem-estar.

Definitivamente, assistimos, espero que não passivos, à disputa entre DEMOCRACIA e AUTORITARISMO.

“Não é recomendável forçar os limites de uma democracia”. Steven Levitisky.

Imagino que os brasileiros têm severas críticas aos governos FHC e Lula. Mas com um mínimo de honestidade intelectual poderemos concordar que esses dois nomes que sintetizam a polarização do poder no Brasil nas últimas décadas nunca representaram um colapso da democracia.

Nosso sistema político possui graves e persistentes problemas. Os partidos tradicionais precisam fazer autocrítica e mudar. Existe de fato uma crise de representação. O judiciário brasileiro precisa ser reformulado para que não pareça uma casta a parte cheia de mimos e suprapoderes na República.

A sociedade civil precisa parar com a hipocrisia de só enxergar corrupção entre os políticos. A corrupção está no nosso dia a dia de forma risonha, sonsa e sorrateira. O sistema de comunicação no país precisa, sim, passar por uma regulação, porque tão grave quanto um governo tentar tutelar a livre imprensa é constatar que seis famílias tentam tutelar a opinião pública com o quase monopólio da fala.

A falta de confiança impacta diretamente a economia e desestabiliza as nossas vidas. Por mais estranho que possa parecer, a objetividade racional econômica é suscetível aos humores e rubores sociais e políticos. Estamos cansados e decepcionados com as lideranças políticas tradicionais.

Diante deste quadro desolador, você vai confiar a direção do país a um cavaleiro solitário despreparado, absolutamente tosco, disposto a bater de frente com tiro, porrada e bomba?

A ameaça do AUTORITARISMO vencida, teremos muito trabalho pela frente. Tempo de repensar a nação a partir da nossa cidadania. A solução não está no messianismo político, mas na ação de gente como eu e você na construção de uma sociedade mais justa, fraterna, ética e inclusiva.

*LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018

 

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