22 de dezembro de 2017, 09h12

Congresso livra de impeachment presidente do Peru que fez negócios suspeitos com a Odebrecht

Ao redor do Congresso, apoiadores do presidente com camisetas da seleção ou do partido governista de centro-direita gritavam "sigue, sigue, PPK" e "Yo Creo en Ti"

Ao redor do Congresso, apoiadores do presidente com camisetas da seleção ou do partido governista de centro-direita gritavam “sigue, sigue, PPK” e “Yo Creo en Ti” Da Redação* O Congresso peruano decidiu na madrugada desta sexta-feira (22), após mais de 14 horas de debate, manter o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, 79, no cargo. O pedido encabeçado pelos fujimoristas (Força Popular) e com apoio de partidos de centro-esquerda e esquerda, ao final, não conseguiu obter os 87 votos necessários para a remoção do mandatário de seu posto. O motivo do pedido seria seu suposto envolvimento no esquema de subornos da construtora brasileira...

Ao redor do Congresso, apoiadores do presidente com camisetas da seleção ou do partido governista de centro-direita gritavam “sigue, sigue, PPK” e “Yo Creo en Ti”

Da Redação*

O Congresso peruano decidiu na madrugada desta sexta-feira (22), após mais de 14 horas de debate, manter o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, 79, no cargo.

O pedido encabeçado pelos fujimoristas (Força Popular) e com apoio de partidos de centro-esquerda e esquerda, ao final, não conseguiu obter os 87 votos necessários para a remoção do mandatário de seu posto. O motivo do pedido seria seu suposto envolvimento no esquema de subornos da construtora brasileira Odebrecht, por meio de sua empresa, a Westfield.

O placar final da votação foi de 78 votos a favor de sua saída, 19 contra e 21 abstenções. A jornada foi marcada por longos discursos dos parlamentares, que desrespeitaram os limites de tempo de suas intervenções, e por um ambiente tenso dentro do recinto formal, que contrastava com a angústia ruidosa daqueles que, fora dele, se manifestavam pró e contra a moção, agitando bandeiras sob um sol forte e contidos por policiais.

PPK, como é chamado o presidente de centro-direita Pedro Pablo Kuczynski, chegou às 9h10 (12h10 em Brasília) com seus vices, Martín Vizcarra e Mercedes Araóz. No Parlamento unicameral, na galeria de visitantes, a mulher, Nancy Lange, esperava.

O discurso de defesa de PPK enfatizou o teor político do julgamento. Deu ênfase às consequências que poderiam ter sua saída do cargo, evocando o fantasma da era Alberto Fujimori (1990-2000).

“Enfrento de pé esta acusação falsa, movida por um desejo inconstitucional de me afastar do poder. Está em suas mãos salvar a democracia ou afundá-la para sempre. O que está em jogo não é meu destino, e sim o da democracia que tanto nos custou recuperar”, declarou.

PPK explicou que trabalhou como consultor de empresas em várias oportunidades e que é proprietário da Westfield, que fez negócios com a Odebrecht, mas que se afastava dessas atividades quando ocupava cargos públicos —ele foi ministro de Alejandro Toledo (2001-06) e, depois, assumiu a Presidência, em julho de 2016.

“Quando estive na vida pública, a Westfield não foi comandada por mim, passei sua gestão ao empresário (chileno) Gerardo Sepúlveda. Nunca havia visto os documentos que relacionam a Odebrecht e a Westfield.”

PPK mostrava os documentos num telão: “Podem ver que a assinatura não é a minha, é a do sr. Sepúlveda”.

Ao redor do Congresso, contidos por cordões policiais, apoiadores do presidente com camisetas da seleção ou do partido governista (Peruanos Por el Kambio) gritavam “sigue, sigue, PPK” e “Yo Creo en Ti”. “Não somos a Venezuela, o Peru é uma democracia estável”, dizia o comerciante Roberto Mejía.

A favor da deposição, outros empunhavam cartazes “Chega de Corrupção”. “Um presidente que roubou e mentiu não pode seguir no cargo, estaríamos abrindo um terrível precedente”, afirmou a dona de casa Luz Montes.

*Leia a matéria completa na Folha

Foto: Wikipedia