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09 de agosto de 2014, 14h31

Conheça bunker usado por moradores de cidades separatistas na Ucrânia

Habitantes do leste ucraniano têm reativado os abrigos, que estavam em desuso, para se proteger de eventuais ataques Texto, foto e vídeo por Sandro Fernandes, do Opera Mundi O temor de que o Exército ucraniano avance na cidade de Donetsk tem levado muitos moradores da região a buscarem formas de se proteger de uma possível escalada da violência. Kiev anunciou esta semana que Donetsk está cercada e pediu que as pessoas saiam da cidade para dar espaço ao avanço das tropas do governo. Espera-se que os confrontos com os separatistas se intensifiquem nos próximos dias. Diante da guerra que aparentemente...

Habitantes do leste ucraniano têm reativado os abrigos, que estavam em desuso, para se proteger de eventuais ataques

Texto, foto e vídeo por Sandro Fernandes, do Opera Mundi

O temor de que o Exército ucraniano avance na cidade de Donetsk tem levado muitos moradores da região a buscarem formas de se proteger de uma possível escalada da violência. Kiev anunciou esta semana que Donetsk está cercada e pediu que as pessoas saiam da cidade para dar espaço ao avanço das tropas do governo. Espera-se que os confrontos com os separatistas se intensifiquem nos próximos dias.

Diante da guerra que aparentemente se aproxima, muitos edifícios da cidade estão tentando transformar seus subsolos em abrigos ou buscando reativar antigos bunkers em desuso. A reportagem de Opera Mundi visitou dois destes abrigos – um em Donetsk e outro na cidade de Makiivka, cidade industrial a 15 km de Donetsk.

“A cada dia que passa, os tiros e as explosões estão mais fortes. Para sobreviver, ou fugimos, ou nos escondemos. Minha família decidiu se esconder”, conta Pavel Oliynyk, advogado, abrindo a porta que dá acesso ao bunker.

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Pai de dois filhos, Oliynyk explica que o edifício onde mora foi construído no fim da década de 90, já com o bunker. “A gente nunca sabe o que pode acontecer”, explicou.

O bunker, no entanto, estava sendo usado apenas para armazenamento de itens dos condôminos. Quando os conflitos começaram, muitas pessoas nem sabiam que o prédio tinha um local de proteção, em desuso.

“Eu lembro que pagamos um pouco mais pelo apartamento por causa do bunker, mas não pensava que fôssemos usar. Agora vemos que foi um bom investimento”.

O filho de Pavel intervém na conversa. “No início da semana passada, quando bombardearam aqui perto, viemos todos pra cá. Só pegamos os nossos documentos. Ainda não estamos bem preparados, mas pelo menos temos estoque de água e bancos para que a gente possa se sentar. Ficamos três horas no abrigo, esperando que parassem as bombas”, conta Aleksei Oliynyk, de 18 anos, estudante de economia.

Segundo o segurança do prédio, há muitos abrigos como estes na cidade, mas quase todos em condições precárias pela falta de conservação. “Está bem para passar algumas horas ou talvez um dia. Mais que isso, não. Se eu pudesse, sairia de Donetsk”.

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No bunker de um edifício da cidade de Makiivka, o síndico disse ter recebido 7.000 grivnas (R$ 1,3 mil) dos separatistas para renovar o espaço. “Compramos alguns colchões, medicamentos e um gerador. Estamos preparados para qualquer ataque. Mesmo que o edifício seja destruído, estaremos seguros aqui embaixo”, explica. Segundo ele, telefone funciona no subsolo e há até mesmo conexão de Internet. O espaço tem capacidade para 300 pessoas, mas não conta com banheiro.

Falta de dinheiro

O avanço do conflito provoca um êxodo que parece imparável e o esvaziamento da cidade acontece paralelamente a uma corrida aos bancos e supermercados. A escassez de alguns produtos começa a ser notada e muitos caixas eletrônicos já não têm dinheiro. O pagamento com cartão também não está sendo possível.

“Está funcionando?”, pergunta um senhora, de dentro de um carro, ao repórter de Opera Mundi, que tenta sacar dinheiro de um caixa eletrônico. Diante da resposta negativa, ela conta: “Estou aqui com meu marido dando voltas pela cidade de carro há 45 minutos, tentando achar um banco com dinheiro. Boa sorte”. A reportagem achou um caixa na oitava tentativa.

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Nas ruas, o clima de hostilidade aumenta. Enquanto conversava com dois colegas jornalistas ingleses, o repórter de Opera Mundi foi parado por um residente local que apenas disse “Viva a Rússia. Fuck Obama”. E cuspiu no chão.

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