12 de novembro de 2018, 18h01

Contadora condenada tenta provar que era colaboradora da Lava Jato

Meire Poza, que assessorou o doleiro Alberto Youssef, protocolou na Justiça documentos que comprovariam que ela tinha acesso a bastidores da operação

Foto: Reprodução/Justiça Federal do Paraná

Meire Poza, contadora condenada na Operação Lava Jato pelo crime de lavagem de dinheiro, protocolou na Justiça documentos que comprovariam que ela era uma espécie de informante da Polícia Federal, a respeito de outros acusados. Além disso, ela alega que tinha acesso a informações sigilosas da operação, de acordo com reportagem de Wálter Nunes, da Folha de S.Paulo.

O problema é que, caso ela tenha sido mesmo uma colaboradora informal, sem, no entanto, ter assinado acordo de delação, pode levantar questionamentos a respeito da legalidade da ação. A contadora foi assessora do doleiro Alberto Youssef antes da prisão dele e foi denunciada por viabilizar o repasse de R$ 2,3 milhões em propina ao ex-deputado André Vargas.

O juiz Sérgio Moro, em agosto, condenou Meire a 2 anos e 3 meses de prestação de serviços comunitários, além de multa. Ele levou em consideração a colaboração da contadora como atenuante. A Procuradoria recorreu da decisão, solicitando o endurecimento da pena e colocou em dúvida a efetividade da ajuda da contadora.

A defesa de Meire juntou aos autos as conversas que ela mantinha no celular com os delegados Márcio Anselmo e Eduardo Mauat, os agentes federais Rodrigo Prado Pereira e outro identificado apenas como “Gabriel PF” e o procurador da República Andrey Borges, todos com atuação na Lava Jato. Meire também recebia no celular informações dos bastidores da operação. Por enquanto, a Polícia Federal não comentou a informação.

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