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19 de outubro de 2018, 15h33

Contra o neofascismo eu apoio Márcio França

Julian Rodrigues: “Sem vacilação ou dúvida nessa hora. Precisamos de espaços para respirar. O pior cenário em São Paulo seria uma vitória bolsodória – uma verdadeira tragédia”

Às vezes a gente esquece, mas houve um golpe no Brasil em 2016.

Derrubaram uma presidenta honesta, democraticamente eleita e prenderam o maior líder popular do Brasil. As eleições de 2018 ocorrem dentro desse contexto do golpe parlamentar-midiático-judicial, sob forte influência do capital internacional e do imperialismo.

Bolsonaro é filho da Lava Jato, do golpe, da crise do capitalismo, da falência do governo Temer e da destruição do sistema político, que atingiu inclusive os partidos de centro-direita –  promotores da destituição da Dilma.

O apoio a Bolsonaro em São Paulo é avassalador. O ex-ninho tucano virou um bunker do neofascismo.  O PSDB encolheu, Alckmin foi humilhado.  As votações das figuras exóticas da extrema direita bateram todos os recordes. A despeito desse cenário, o PT fez a maior bancada na Assembleia Legislativa e manteve sua força na Câmara dos Deputados.

Desde o primeiro turno, o candidato tucano a governador se colou em Bolsonaro. O arrivista João Doria traiu seu padrinho Alckmin desde que sentou na cadeira de prefeito. Doria desmontou as políticas sociais na capital em apenas um ano de governo.  Depois, abandonou a cidade e tentou ser candidato a presidente, atropelando Alckmin. Não deu.  Mas virou candidato a governador, sem apresentar ao menos uma proposta, apenas cavalgando o neofascismo e o antipetismo.

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Doria foi radicalizando à direita conforme Bolsonaro crescia. Como deixou de ser uma novidade e enfrenta a rejeição dos paulistanos pelo abandono da prefeitura, o ex-“João trabalhador” optou por se potencializar alimentando o discurso de ódio.

Contudo, pela primeira vez em muitos anos abriu-se em São Paulo, a possibilidade de tirar o PSDB do governo. Doria não unificou a direita e nem mesmo seu partido – boa parte dos tucanos não o apoia.  Além do vice de Alckmin, foi expressiva a votação de Skaf da Fiesp, do Temer e dos patos golpistas – ele quase foi ao segundo turno.

Márcio França, do PSB, o tal vice de Alckmin que assumiu o governo, foi ao segundo turno. Por pouco, no olho mecânico. Isso só foi possível em virtude do voto útil que ele recebeu de milhões de petistas e eleitores progressistas na reta final.

França é um experiente quadro político que milita no PSB desde os anos 1980. Não é de esquerda, talvez nem mesmo de centro-esquerda. O PSB em São Paulo, dirigido por ele, sempre esteve, no geral, à direita das posições do seu Partido nacionalmente.

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Márcio França foi duas vezes vereador e duas vezes prefeito de São Vicente, no litoral; também foi deputado federal por dois mandatos. Elegeu-se vice-governador em 2014, na chapa tucana. É um típico quadro de centro.

Acontece que no meio desse tsunami de extrema direita, Márcio França acaba representando um oásis de bom senso. Sua candidatura é anti-extremista e tem falado de diálogo e moderação.

França se negou a apoiar Bolsonaro. Parece pouca coisa, mas não é.

O candidato do PSL bate quase 60% de intenções de voto em São Paulo. Importante registrar que no RS, por exemplo, tanto o candidato do MDB quanto do PSDB (um jovem homossexual, ex-prefeito de Pelotas) apoiam o Bolsonaro. Em Minas, Anastasia enfrenta um bolsonarista de carteirinha e, mesmo assim, se declarou “anti-PT”.  No Rio de Janeiro, o Paes disputa com o juiz fascista afinidades com propostas do candidato do PSL.

Toda campanha de Doria é rasteira, tosca, lastreada em antipetismo raivoso somado a propostas autoritárias e violentas. O empresário tucano disse que a polícia vai atirar para matar quando for governador (como se a letalidade policial em São Paulo já não fosse uma das maiores do mundo).

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João Doria “martela” a ideia de que França, no fundo, é um petista, um vermelho. Só fala disso.

Mesmo assim, a campanha do candidato do PSB, mesmo ressaltando que o candidato não é “comunista”, evita cair na armadilha anti-esquerda ou na estigmatização do PT. França tem realçado sua neutralidade, se posicionado a favor do diálogo – e de um governo sem preconceitos.

Márcio França tem recebido os movimentos sociais, dialogando sobre propostas de governo. Tem se mostrado disposto a fazer um governo centrista, moderado, que não exacerbará a perseguição à esquerda.

Sem vacilação ou dúvida nessa hora. Precisamos de espaços para respirar. O pior cenário em São Paulo seria uma vitória bolsodória – uma verdadeira tragédia.

Pela democracia, por um mínimo de normalidade e respeito às instituições. Pelo bom senso, pela possibilidade de um governo permeável às reivindicações populares. Para escorraçar o mauricinho neofascista.  Para derrotar o PSDB que nos governa desde 1995.

Eu voto #40 e apoio publicamente #MárcioFrançaGovernador.