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17 de maio de 2018, 16h29

“Copacabana”, de Zuza Homem de Mello, um livro inestimável sobre o samba-canção

A história de um bairro, um tempo e seu ritmo – o samba-canção – onde os personagens principais eram os maiores artistas, jornalistas e intelectuais do país e do mundo

Zuza Homem de Mello levou treze anos para escrever “Copacabana”. Agora, você, leitor atento e interessado, é capaz de acabar com ele em menos de 13 dias, tamanho o prazer e interesse que o texto provoca. Não se trata exatamente sobre o bairro, apesar do título ser pra lá de apropriado, mas sim da trajetória do samba-canção, que pra quem não sabe nasceu, floresceu e viveu seus anos de ouro, entre as décadas de 40 e 50, por ali, até ser ofuscado pela bossa nova. A capa do Livro Copacabana, de Zuza Homem de Mello É, enfim, mais ou menos...

Zuza Homem de Mello levou treze anos para escrever “Copacabana”. Agora, você, leitor atento e interessado, é capaz de acabar com ele em menos de 13 dias, tamanho o prazer e interesse que o texto provoca. Não se trata exatamente sobre o bairro, apesar do título ser pra lá de apropriado, mas sim da trajetória do samba-canção, que pra quem não sabe nasceu, floresceu e viveu seus anos de ouro, entre as décadas de 40 e 50, por ali, até ser ofuscado pela bossa nova.

A capa do Livro Copacabana, de Zuza Homem de Mello

É, enfim, mais ou menos como chamar um livro sobre a Bossa Nova de Ipanema. E assim é que o escritor caminha, com um texto extremamente fluido e saboroso, mas repleto de rigor histórico, sobre a formação daquelas ruas, as famosas pedras das calçadas, restaurantes e comércios, até chegar às mitológicas boates, casas de shows e inferninhos onde o melhor da nossa música se apresentava.

E quando se fala em melhor não há nenhum exagero. Por ali flanavam, tocavam e cantavam Dorival Caymmi, Ary Barroso, Dick Farney, Johnny Alf e Tom Jobim ainda garoto, Ataulfo Alves, Dolores Duran entre muitos, inúmeros outros.

Zuza percorre a história descrevendo em detalhes o auge econômico do bairro, a construção do Copacabana Palace, o luxo das casas noturnas com recursos e público suficiente para contratar inclusive grandes nomes internacionais de todas as partes do mundo.

A fauna que frequentava, dirigia, tocava e trabalhava naqueles locais era extremamente heterogênea. Conviviam malandros, sambistas, jogadores, milionários, intelectuais, jornalistas, prostitutas, escroques de todas as espécies, enfim, um grande e diverso catálogo da raça humana que acabou gerando cultura e linguagem própria.

Entre as principais formas de expressão, o primeiro filhote da era do microfone e da pequena e relevante bolha que se criou ali foi o samba-canção, gênero seminal e fulminante para o que se passou a conhecer como a moderna música popular brasileira. A bossa nova não existiria sem o samba-canção e, consequentemente, a canção brasileira que se conhece hoje seria outra, totalmente diferente, não fosse a bossa nova.

E o livro de Zuza Homem de Mello tem o mérito de contar essa história com a preocupação deste percurso. Nos dá, com toda a generosidade, o caminho das pedras. A partir de sua leitura, fica muita mais clara e simples, não só a compreensão do gênero musical, mas um tanto de onde viemos e para onde pretendemos e podemos ir.

O capítulo sobre o bolero, ritmo predominante em toda a América Latina que foi fundamental para a formação do samba-canção, é impagável. De forma bem humorada e rigorosa com os fatos, sempre comprovados, Zuza relembra canções, discute com propriedade as suas harmonias, modulações e truques técnicos, seus cantores, afinações e maneiras de interpretar.

Ao leitor com mais de 40, vai dar vontade de revirar os bolachões dos pais, as canções que por tantas vezes desdenhou e recusou, mas que saltam em importância e beleza a cada relato do autor. O melhor de tudo, e o próprio autor avisa isso, é que a maioria delas a gente reencontra na internet.

“Copacabana”, de Zuza Homem de Mello. Um presente inestimável.

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