Imprensa livre e independente
13 de maio de 2017, 13h29

A Coreia do Sul tem um novo presidente. De esquerda. O que podemos esperar dele?

Novo mandatário não deve realizar grandes mudanças econômicas, mas traz expectativas democráticas Por Vinicius Sartorato*, colaborador da Rede Fórum de Jornalismo Localizado no leste asiático, a Coreia do Sul é uma república presidencialista, com um parlamento unicameral e que conta com uma população de 50 milhões (2015) de pessoas. Conhecido como um dos “tigres asiáticos”, o país destaca-se pela posição geopolítica controversa, com conflito com norte – que segue com um armistício (desde 1953). Lembrado também pelo desenvolvimento socioeconômico que atingiu, é um dos países mais ricos do continente asiático, sendo um dos maiores exportadores de bens do mundo, com...

Novo mandatário não deve realizar grandes mudanças econômicas, mas traz expectativas democráticas

Por Vinicius Sartorato*, colaborador da Rede Fórum de Jornalismo

Localizado no leste asiático, a Coreia do Sul é uma república presidencialista, com um parlamento unicameral e que conta com uma população de 50 milhões (2015) de pessoas. Conhecido como um dos “tigres asiáticos”, o país destaca-se pela posição geopolítica controversa, com conflito com norte – que segue com um armistício (desde 1953).

Lembrado também pelo desenvolvimento socioeconômico que atingiu, é um dos países mais ricos do continente asiático, sendo um dos maiores exportadores de bens do mundo, com empresas famosas como Samsung, Kia, LG e Hyundai. Para se ter uma ideia, as exportações representam 45,9% do PIB total do país.

Apesar de viver certa estabilidade econômica e uma perspectiva de crescimento em 2017, os escândalos acumulados após uma década dominada por políticos conservadores levaram a presidente, Park Geun-Hye, ao impeachment (dezembro 2016). Envolvida em casos de corrupção, a presidente deposta mostrou ao mundo o quanto o país ainda sofre com o tema da corrupção (Transparência Internacional 2016).

Veja também:  Assassino de morador de rua de Santo André usava Mercedes, foi identificado e está foragido

Considerada ainda uma “democracia incompleta” (The Economist 2016), distante dos níveis das democracias europeias, um dos temas principais é justamente a Lei de Segurança Nacional, de 1948, um dos principais instrumentos da censura das ditaduras que assolaram o país – da 1ª a 5ª República (1948-87). Tal lei é considerada abusiva, atrasada e autoritária por especialistas que condenam a criminalização da liberdade de expressão e organização, em especial de opositores do governo.

Neste quadro, a eleição presidencial debateu, além dos casos de corrupção e o conflito com o norte, a democratização do país e temas comportamentais, como a homofobia. O presidente recém-eleito no último domingo, 9/5, Moon Jae-In, do Partido Democrata, tem um perfil de centro-esquerda. Ex-advogado da área de Direitos Humanos, conquistou o 1º lugar com uma diferença considerável para os outros candidatos. Moon conquistou 40, 08%, enquanto o 2º colocado, Hung Jun-Pyo, do partido conservador, conquistou 24,03%.

Em resumo, o novo mandatário não deve realizar grandes mudanças econômicas e traz grandes expectativas democráticas – em termos de liberdades e anti-corrupção. Desde a democratização do país em 1987, o partido conservador hegemonizou o poder. Com a derrota do partido na eleição parlamentar (abril 2016) e com o impeachment da presidente Park (dezembro 2016), abriu-se a possibilidade de um novo ciclo de democratização do país, bem como um novo tempo, com uma nova política de aproximação com o norte – fator contraditório em relação aos EUA.

Veja também:  Movimento "Direitos Já" busca isolar Bolsonaro e criar um novo espectro político de resistência

Vinicius Sartorato é sociólogo, mestre em Políticas de Trabalho e Globalização (Universidade de Kassel, Alemanha)

Foto: Reprodução/YouTube

Fórum em Brasília, apoie a Sucursal

Fórum tem investido cada dia mais em jornalismo. Neste ano inauguramos uma Sucursal em Brasília para cobrir de perto o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional. A Fórum é o primeiro veículo a contratar jornalistas a partir de financiamento coletivo. E para continuar o trabalho precisamos do seu apoio. Clique no link abaixo e faça a sua doação.

Apoie a Fórum