11 de fevereiro de 2019, 12h05

Corte dos subsídios de Paulo Guedes pode desarranjar o setor, afirma a ministra da Agricultura

“Será que o presidente Bolsonaro quer que a agropecuária encolha no seu governo? Podemos fazer coisas novas, mas passo a passo. Não é de repente dizer que agora mudou a regra do jogo”, disse

Foto: Divulgação
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, alerta nesta segunda-feira (11), em entrevista ao Estadão, que um “desmame” radical dos subsídios pode desarrumar o agronegócio, que responde por 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. “Vamos quebrar a Agricultura? É esse o propósito? Tenho certeza que não é”, diz a ministra. “Não pode criar um pânico no campo: acabou o dinheiro! Não é assim”. Os produtores rurais se preocuparam após as declarações do presidente do Banco do Brasil (BB), Rubem Novaes. Ele afirmou em entrevista que o “grosso da atividade rural” pode se financiar com as taxas de mercado. O ministro da Economia,...

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, alerta nesta segunda-feira (11), em entrevista ao Estadão, que um “desmame” radical dos subsídios pode desarrumar o agronegócio, que responde por 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. “Vamos quebrar a Agricultura? É esse o propósito? Tenho certeza que não é”, diz a ministra. “Não pode criar um pânico no campo: acabou o dinheiro! Não é assim”.

Os produtores rurais se preocuparam após as declarações do presidente do Banco do Brasil (BB), Rubem Novaes. Ele afirmou em entrevista que o “grosso da atividade rural” pode se financiar com as taxas de mercado. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também avisou no Fórum Econômico Mundial de Davos que pretende cortar esse ano US$ 10 bilhões da conta de todos os subsídios do Tesouro em 2019.

Tereza Cristina reagiu: “Temos que ter muito cuidado porque estamos falando de 20% do PIB, que é o agronegócio que faz. Como é que isso vai se dar? Em quanto tempo isso vai acontecer? É uma medida radical? Eu brinco até que é um desmame. Você pode fazer o desmame radical e o controlado. Ainda está muito no campo das nossas ideias de lá e de cá. As nossas equipes estão sentando agora para discutir”, disse.

Ela alertou ainda que “o ministério da Economia pretende reduzir os subsídios em todos os campos, não só agrícola, é preciso ter muito cuidado também para ver como se vai comunicar isso. Não pode criar um pânico no campo: acabou o dinheiro! Não é assim. Está sendo discutido”, disse.

Ao ser perguntada se o governo vai cortar os R$ 10 bilhões de subvenção, que estão previstos no plano atual, já para a próxima safra, a ministra disse que isso “não está pacificado. Está sob a mesa ainda em discussão. O Ministério da Agricultura tem que dizer o que ele pensa e quais são as consequências para a equipe econômica. É sempre uma guerra. Vamos começar a discussão. Isso não está decidido”, afirmou.

Ao final, a ministra afirmou que as novas medidas podem desarranjar o setor. “Se não tivermos cuidado, pode desarrumar muito o setor. Previsibilidade é a palavra que precisamos. É muito bonito falar que vai tirar tudo. A vida inteira essa época (de preparação do Plano Safra) é tensa. O que precisamos é afinar porque mudou o viés da política. Será que o presidente Bolsonaro quer que a agropecuária encolha no seu governo? Podemos fazer coisas novas, mas passo a passo. Não é de repente dizer que agora mudou a regra do jogo”, encerrou.