01 de dezembro de 2018, 12h13

Cotada para ministra, pastora Damares crê que mulher nasce para ser mãe e deveria ficar em casa

"Costumo brincar como eu gostaria de estar em casa toda a tarde, numa rede, e meu marido ralando muito, muito, muito para me sustentar e me encher de joias e presentes", disse em entrevista em março deste ano

(Reprodução)

Convidada por Bolsonaro para assumir o Ministério dos Direitos Humanos, da Igualdade Racial e das Mulheres, a advogada e assessora de Magno Malta, Damares Alves acredita que as mulheres nasceram para serem mães e que num modelo ideal de sociedade elas ficariam em casa, enquanto os homens ralariam no trabalho.

É possível conhecer o pensamento da pastora evangélica numa entrevista gravada no dia 8 de março deste ano, no canal de youtube de Jaufran Siqueira, apoiador de Bolsonaro, seguidor de Olavo de Carvalho e entusiasta da monarquia. Damares diz a ele que a mulher nasceu para ser mãe e que se preocupa com a ausência da mulher de casa. “Hoje, a mulher tem estado muito fora de casa. Costumo brincar como eu gostaria de estar em casa toda a tarde, numa rede, e meu marido ralando muito, muito, muito para me sustentar e me encher de joias e presentes. Esse seria o padrão ideal da sociedade. Mas, não é possível. Temos que ir para o mercado de trabalho”, diz.

As declarações da possível ministra vão na direção contrária às lutas dos movimentos feministas, que respeitam as escolhas das mulheres em relação à maternidade, lutam por creches de qualidade, divisão do trabalho doméstico, igualdade de salários, entre outras pautas. Damares ainda critica mulheres que estavam distribuindo folhetos no 8 de Março contra a prática sexista de interromper as mulheres, chamada de manterrupting, da qual a ex-vice-candidata à presidência Manuela D’Ávila foi vítima quando entrevistada no programa Roda Viva.

Outros três nomes teriam sido indicados para o ministério pela bancada evangélica para a pasta: Gilberto Nascimento (PSC-SP), Marco Feliciano (Podemos-SP) e Ronaldo Nogueira (PTB-RS). O ministério deverá ser mantido por Jair Bolsonaro, depois de ter sido anunciado que seria extinto.

Até agora, 20 ministros já foram anunciados por Bolsonaro. Na campanha, ele dizia que faria um governo com apenas 15 pastas.