10 de setembro de 2018, 16h34

Crianças são 20% dos intoxicados por agrotóxicos

O alto índice de contaminação de crianças e adolescentes está relacionado com a infância no meio rural e à contaminação de alimentos com altas doses de agrotóxicos. Nem bebês de zero a 12 meses escapam: são 43 casos por ano

A situação de vulnerabilidade nas zonas rurais no Brasil e o desrespeito ao que deveriam ser os limites para o uso de agrotóxicos em alimentos consumidos por elas, explicam porque 20% do total de 25 mil casos notificados pelo Ministério da Saúde sobre contaminação por agrotóxicos na população de 2007 a 2014 sejam de crianças. A informação é de Larissa Bombardi, autora do Atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia.

O alto índice de contaminação de crianças e adolescentes está relacionado com a infância no meio rural e à contaminação de alimentos com altas doses de agrotóxicos. Nem bebês de zero a 12 meses escapam do uso indiscriminado de substâncias tóxicas – são 43 casos por ano. O que, de acordo com Larissa, pode ser muito maior considerando a subnotificação – algumas estimativas são de que o número chegue a 17 mil bebês intoxicados.

“Esse dado é dos mais chocantes do Atlas, porque traduz o atentado que é o uso de agrotóxicos indiscriminado à infância e, o direito mais básico que todo ser humano tem, que e é o direito à vida, estar sendo amplamente massacrado”, lamentou a autora e pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

Para a pesquisadora outro dado chocante é que, segundo os registros feitos pelo Ministério da Saúde, mais de 300 crianças entre 10 e 14 anos tentaram tirar a própria vida por meio da ingestão de veneno agrícola. “Isso responde à última ponta da exposição frequente ao uso de agrotóxico”, explica Larissa, que lamenta a ausência de uma disciplina sobre toxicologia laboral nas grades dos cursos de medicina.

 

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