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27 de julho de 2014, 22h21

A “crise de sinceridade” do Santander

Desde a crise de 2008, os bancos privados nacionais e estrangeiros reduziram a participação na oferta de crédito, de 43% para 33% e de 21% para 16%, respectivamente. Curiosamente, porém, todos continuaram apresentando lucros espetaculares

Desde a crise de 2008, os bancos privados nacionais e estrangeiros reduziram a participação na oferta de crédito, de 43% para 33% e de 21% para 16%, respectivamente. Curiosamente, porém, todos continuaram apresentando lucros espetaculares

Por Fernando Brito, do Tijolaço. Foto: https://www.flickr.com/photos/jeffbelmonte/

O Banco Santander desautorizou as previsões catastróficas feitas em um comunicado a seus clientes “top” – segundo o próprio banco, 0,18% dos correntistas – e disse que “e reitera sua convicção de que a economia brasileira seguirá sua bem-sucedida trajetória de desenvolvimento.”

Mentira deslavada.

Uma parte expressiva do mercado financeiro joga o quanto pode por uma crise de credibilidade que mantenha a economia brasileira num quadro próximo à estagnação para tentar influir no cenário eleitoral.

Jogam na crise e tentam jogar o país na crise, com o seu exército de Cassandras.

E por isso os bancos reagiram com um sorriso amarelo à decisão do Banco Central de reduzir o depósito compulsório e aumentar o volume de recursos disponíveis para o crédito.

E crédito é o principal entrave ao crescimento do país, porque não apenas ele é pequeno sobre a massa total da economia (apenas 55% do PIB, em fevereiro, enquanto na China é de 251%, nos EUA de 260% , no Reino Unido, 277% e no Japão incríveis 415%).

Os bancos privados brasileiros não são parceiros do investimento produtivo. É do que menos vivem e só muito raramente participam de projetos estruturantes e de longo prazo.

Metade do crédito do país (hoje, até, ligeiramente mais que a metade) é provido pelos bancos públicos.

Desde a crise de 2008, os bancos privados nacionais e estrangeiros reduziram a participação na oferta de crédito, de 43% para 33% e de 21% para 16%, respectivamente.

Curiosamente, porém, todos continuaram apresentando lucros espetaculares.

A expansão do crédito no Brasil pouco ou nada tem a ver com o processo inflacionário.

Mas tem muito a ver com nosso desenvolvimento econômico.

E é por isso que agem assim.

Os bancos no mundo são, todos sabem, instrumentos dos famosos “1%”.

Aqui, como diz o comunicado do Santander, só dos “0,18%”.

Com poder, porém, para pretender determinar as escolhas dos 99,82%.

A turma que, como disse um dos seus executivos no encontro com Aécio, “vota com o estômago”.