15 de janeiro de 2018, 22h44

Crônica: Pegaram o Haddad!

Leia a divertida crônica de Camilo Vannuchi sobre a notícia de que a Polícia Federal indiciou Haddad por Caixa 2 – sem provas – com base em uma delação premiada

Por Camilo Vannuchi

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PEGARAM O HADDAD!

— Tava demorando.

— O quê?

— Pegaram o Haddad.

— Tá zoando!

— Sério. Pegaram o Haddad. Já era.

— Que papo é esse? O que você ouviu?

— Indiciado pela Polícia Federal por crime de falsidade ideológica. Esquema pra pagar dívida de campanha envolvendo uma empreiteira, tá bom pra você?

— Caraca, até o Haddad?

— Pois é. Fim da linha pro Malddad. A petralhada chora. Vai, malandra!

— Putz.

— É melhor JAIR pensando no plano C, porque o plano B também deu merda, querida. Quem mandou acreditar em petista? Cadê a saudade do teu ex agora? Ex é assim mesmo: só fode a gente.

— Péra aí, porra. Deixa eu tomar um gole d’água. Agora me conta. O que a Polícia descobriu?

— Falsidade ideológica, caralho. Ficou surda?

— Mas qual a prova? Tem recibo de transferência bancária?

— Não.

— Conta no exterior?

— Não.

— Uma sala cheia de malas repletas de dinheiro vivo?

— Não.

— Já sei: uma pasta cheia de papéis com a anotação “CX2” encontrada no apartamento do Haddad?

— Não, porra.

— Ué. Não tô entendendo.

— O dono da UTC foi quem falou. Abriu o bico. Deu a letra toda.

— Delação premiada?

— Claro. Viva a Lava Jato!

— Mas ele mostrou alguma coisa?

— Ele disse que o Vaccari, aquele salafrário, pediu dinheiro pra pagar a dívida da campanha. Dinheiro desviado, é óbvio. O meu, o seu, o nosso. Só não vê quem não quer.

— E tem áudio dessa conversa?

— Não.

— Vídeo gravado pelo sistema de segurança?

— Não.

— Vídeo de celular?

— Não.

— Puxa vida. Mas o Vaccari confirma a história, né?

— Também não. Tudo parça.

— No mínimo alguma assinatura do prefeito foi encontrada.

— Não.

— O nome dele? Ou o apelido, numa lista de propinas da UTC?

— Nada.

— Mas para a PF indiciar um ex-prefeito… Encontraram ao menos alguma obra superfaturada tocada pela UTC na gestão Haddad?

— Não. A única vez que a UTC venceu uma concorrência era para fazer um túnel na Avenida Roberto Marinho, mas a obra foi cancelada pela administração.

— Uai. Mas esse repasse da UTC entrou na conta do prefeito? Ou na conta da campanha? Vazaram cópia do extrato?

— Nada disso, chuchu. O esquema era forte. A UTC pagou uma gráfica.

— Uma gráfica?

— É. A gráfica imprimiu material de campanha pro Haddad e não recebeu. Aí pediram para a UTC honrar a dívida. Com dinheiro de propina, lógico.

— Vixe. E o dono da gráfica confirma?

— Não.

— Não? O esquema foi operado pelo diretor financeiro da gráfica?

— Não.

— Já sei, foi pelo gerente?

— Não, que mania…

— Péra. Você tá querendo me dizer que a PF indiciou um ex-prefeito com base na delação premiada de um empreiteiro que afirmou ter dado dinheiro para a campanha eleitoral do Haddad através de um pagamento feito a uma gráfica que fornecia serviços para o PT?

— Isso mesmo.

— E que o tesoureiro do PT nega, o dono da gráfica nega, o prefeito nega?

— Exatamente.

— E não tem assinatura, nem rubrica, nem áudio, nem vídeo, nem sala cheia de malas de dinheiro, nem conta no exterior, nem papelada com a anotação “cx 2”, nem extrato bancário, nem qualquer outra prova?

— Pra você ver. Os caras são ninja.

— Ninja???

— Coisa de profissional. Roubaram pra caralho e não deixaram nem uma pista sequer. Não é incrível?

— Com certeza. Essa Polícia Federal é realmente incrível.