15 de agosto de 2018, 14h58

Dallagnol tenta impedir Gleisi e Haddad de visitarem Lula

No texto, Dallagnol ainda avalia que Lula transformou "o local onde cumpre a pena --a sede da Polícia Federal-- em seu comitê de campanha"

O coordenador da força-tarefa Lava Lato, o procurador da República Deltan Dallagnol. Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Conforme informações da coluna de Mônica Bergamo, o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol, quer acabar com o livre acesso do ex-prefeito Fernando Haddad e da presidente do PT, Gleisi Hoffmann entre outros políticos na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para ele, o fato de vários políticos receberem procuração do petista para defendê-lo, tendo livre acesso a ele na prisão, pode ser uma tentativa de ludibriar as regras e permitir que Lula interfira no processo eleitoral.

Dallagnol considera que os políticos que se inscreveram como advogados do ex-presidente estão atuando politicamente nas visitas que fazem. Eles pedem que a polícia esclareça o sistema de visitas.

“Há uma proliferação de advogados que estão juntando procuração aos autos da execução, todos eles parlamentares ou em postos de lideranças no partido dos trabalhadores. Parece haver, em realidade, uma aparente tentativa de ludibriar as regras fixadas para visitação do encarcerado, possibilitando assim a visita em qualquer dia, desde que o visitante seja advogado. A prerrogativa do advogado permite o exercício legítimo do mandato conferido pela parte, não o abuso ou a visita para fins políticos”, completa Dallagnol.

No texto, Dallagnol ainda avalia que Lula transformou “o local onde cumpre a pena –a sede da Polícia Federal– em seu comitê de campanha”.

“A análise dos autos da presente execução penal […] revela uma série de condutas, praticadas por Luiz Inácio Lula da Silva, pessoalmente ou por meio de seus defensores constituídos, que aparentemente não estão em consonância com os limites impostos pela lei de execução penal e pelas regras ditadas pelo juízo no gozo de sua competência constitucional e legal”, diz ainda Dallagnol.

O procurador ainda critica a entrevista que Lula deu ao jornal italiano “La Republica” em condições ainda não esclarecidas, o que poderia configurar em abuso do exercício do direito de liberdade de expressão. Para ele, a entrevista “contou com a participação de Gleisi Hoffmann, que secundou o deputado Italiano Roberto Gualtieri, e, ao que parece, foi concedida no dia reservado às visitas”.

O documento ainda fala sobre as visitas de “caráter religioso” em dia e horário diverso da visitação comum. Noticia-se a visita de “Frei Beto”, “Frei Leonardo Boff”, “Monge Sato” e outros.

Eles teriam encontrado Lula em segundas-feiras, quando a data de visitas ao ex-presidente tinha sido estabelecida para as quintas-feiras.