21 de outubro de 2018, 16h51

Das coisas importantes

Andrea Caldas: “Quem vota em Bolsonaro, ou se exime e permite que ele seja eleito, está inscrevendo seu nome como avalista do regime de supressão do direito à voz, mesmo em termos liberais”

Eu tenho muitas críticas aos governos do PT e nunca as escondi. Fui militante, fui filiada e me desfilei quando não conseguia mais sustentar as posições majoritárias do partido.

Não tenho nenhuma idolatria por Lula ou Haddad.

Mas, precisamos entender que esta eleição é a mais dramática da história, depois da redemocratização do país.

Infelizmente, o que está em jogo não é a oposição entre a direita e a esquerda, nem mesmo, o combate à corrupção – como se pode ver nas denúncias de Caixa 2 contra Bolsonaro.

Trata-se do direito à voz e liberdade de expressão.

Eu não tenho dúvidas – que tal como fiz com os governos do PT- estarei criticando eventuais medidas do governo Haddad.

Ele não é o governo dos meus sonhos.

A diferença é que se ele for eleito, eu poderei exercer o meu direito de crítica.

Bolsonaro apresenta uma clara plataforma de combate aos currículos nas escolas e universidades. Combate abertamente gays, lésbicas, negros e indígenas. Seus apoiadores ameaçam jornalistas.

O candidato faz declarada apologia à tortura e à violência militar.

Quem vota em Bolsonaro, ou se exime e permite que ele seja eleito, está inscrevendo seu nome como avalista do regime de supressão do direito à voz, mesmo em termos liberais.

Não, não se trata de socialismo.

Trata- se da escolha entre barbárie e civilidade.

Trata-se do legado que deixaremos para as próximas gerações.