23 de setembro de 2018, 13h25

Professor Gabriel Tebaldi, que se fantasiou em sala de aula ao tratar da 2ª Guerra, apresenta sua versão (NOTA DE RETRATAÇÃO)

Gabriel Tebaldi, professor de história e colunista do jornal Gazeta Online, do Espírito Santo, aparece em uma foto que circula nas redes usando um uniforme nazistas com suásticas durante uma aula; atitude do historiador, que é defensor do 'Escola Sem Partido', vem sendo interpretada como apologia ao nazismo Leia nota enviada à Fórum pelo professor.

Reprodução/Twitter

(Notícia atualizada 06/10/2018, às 13h)

Mais um caso de um professor usando símbolos e referências nazistas para dar aula sobre o tema veio à tona nas redes sociais durante este final de semana. Gabriel Tebaldi, historiador formado pela Universidade Federal do Espírito Santo e professor de Ensino Médio em uma escola capixaba, aparece em uma foto vestindo, em sala de aula, um uniforme de policial nazista, repleto de suástica.

O professor é colunista do jornal local Gazeta Online e, em seus artigos, defende o projeto ‘Escola Sem Partido’ – projeto que visa “acabar” com a inexistente “doutrinação marxista” nas escolas – e faz ferrenhas críticas à Lula e ao PT.

Nas redes sociais, internautas têm acusado Tebaldi de fazer apologia ao nazismo. Tal acusação tem como base uma interpretação da Constituição Federal, que diz no parágrafo 1º do artigo 20 é citado o “Crime de Divulgação do Nazismo”: “§1º – Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular, símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa”.

Apologia? 

Em abril do ano passado veio à tona um caso parecido de Recife (PE). Um professor ornamentou toda a sala de aula com bandeiras nazistas e se vestiu de ditador nazista durante uma aula. À época, a colunista da Fórum e especialista em neonazismo, Adriana Dias, afirmou que esse tipo de aula pode, sim, ser considerada apologia.

“O que significa apologia? Apologia é um discurso (uma ação, tida como um discurso também) que tem por fim justificar, defender, louvar alguém ou alguma coisa. Obviamente, espero que o professor não tenha tido a intencionalidade do dolo. Espero, mesmo. Mas, houve, sim, apologia. Porque não foi simplesmente um desenvolvimento de material para fim didático. Foi uma sala toda ambientada, completamente ambientada com louvor ao nazismo, com bandeiras, lembrando a sua época de opulência. O professor poderia ter feito uma suástica, poderia ter colocado no quadro, e explicado seu símbolo. Poderia. Mas, vestir a sala inteira de panteão nazi, é apologia, sim”, explicou. Saiba mais aqui.

NOTA EXPLICATIVA

por Gabriel Tebaldi

Na última sexta feira, 21 de setembro de 2018, ministrei uma aula a respeito da Segunda Guerra Mundial no Colégio Darwin de Vila Velha, e, como de costume, visando enriquecer o conteúdo em sala de aula, fiz uso de uma fantasia que tinha total vínculo com a matéria ministrada, no caso Adolf Hitler. A aula transcorreu normalmente, em uma turma em que a totalidade dos alunos eram maiores de idade, mas no sábado, fui surpreendido com a repercussão dos fatos nas redes sociais. Não foram poucas as críticas, ofensas e más interpretações a respeito de um fato de cunho meramente pedagógico, isento de posicionamento. De início, ciente de que, hoje, o ambiente das redes sociais é repleto de ofensas e discussões rasas, e certo de que minha postura em nada tinha de similaridade com os ataques, quedei-me inerte com minha consciência tranquila. Contudo, com o crescimento do tema, venho, por meio desta, expor minha posição a respeito do assunto.

Inicialmente, cumpre o registro de que sou professor de história há cerca de 08 anos e tenho, em 10 aulas específicas, o costume de enriquecer o conteúdo de sala de aula com recursos criativos que visam melhorar a didática e atrair ainda mais a atenção de meus alunos. Como exemplo, faço uso de fantasias de soldado romano ao tratar de aulas sobre o Império, ou, para termos apenas mais um exemplo, sempre me caracterizo de monarca para tratar do Absolutismo Moderno. Não foi com outro intuito que assim ministrei a fatídica aula de 21 de setembro de 2018.

A postura possui total respaldo em minha liberdade na apresentação do conteúdo programático da disciplina, e encontra respaldo na Lei n.º 9.394/96 (Lei de Diretrizes Básicas da Educação), que, em seu artigo 3º, incisos II e III, preconizam a liberdade do aprender e ensinar e, ainda, o pluralismo de ideias. Jamais me portei em sala de aula ultrapassando limites e, ao tratar da Segunda Guerra Mundial, não poderia agir diferente. Neste sentido, utilizando de minha didática pessoal, não vi, e não vejo, nenhum problema em retratar um personagem histórico que era parte do conteúdo.

Não houve qualquer prática de delito como alegado nas redes sociais, eis que em nenhum momento tomei posição favorável ao referido personagem, e muito menos fiz difusão de ideias baseadas na superioridade de raças com incitamento a discriminação. Muito pelo contrário, o objetivo, como professor de História, era relatar fatos que ocorreram, ganhando ainda mais a atenção de meus alunos com minha caracterização que sempre foi alvo de elogios.

Tanto é que não houve repercussão alguma entre os alunos presentes e deles tenho recebido apoio. O grupo que lá estava, inclusive, mobilizou-se para a publicação de uma carta pública assinada pelos presentes, retratando o real momento vivido em sala de aula.

Ciente de que cumpri com meu dever ao lecionar sem fomentar qualquer ódio ou incitar qualquer discriminação, e defensor de que a realidade deve ser retratada com imparcialidade (o que sempre fiz), apesar de às vezes ser sombria, continuarei, assim, agindo com amparo em meu direito constitucional de livre expressão da atividade intelectual (CF, art 5º, IX) com a consciência tranquila de dever cumprido.

Por fim, quanto aos ataques à minha honra, que não foram poucos, estão sendo todos eles examinados pela minha assessoria jurídica, a qual não medirá esforços para buscar retratação às inverdades e crimes praticados (calúnia, injúria e difamação). Portais chegaram ao cúmulo de intitular-me “Defensor do ‘Escola Sem Partido’”, apontando que faço tal defesa “em artigos”, assunto sobre o qual nunca sequer escrevi e, portanto, nunca me posicionei publicamente. Eventuais reparações decorrentes também serão tratadas pelos advogados.

Encerro reiterando que continuarei lecionando e agindo em defesa da liberdade intelectual, sobretudo quanto ao caráter pedagógico que lhe é inerente, sempre cumpridor de meus deveres quanto ao conteúdo programático de forma imparcial e em obediência à legislação pátria (Lei n. 9.394 e Constituição Federal, art. 5º, inciso IX e artigos 215 e 216).