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01 de Abril de 2018, 11h08

Defensores da intervenção militar agridem imigrante síria na avenida Paulista

Um policial, ao me ver sendo agredida, disse: “Você é minoria aqui. Vai embora e para de causar confusão”

Sara Ajlyakin é síria e vive no Brasil há quatro anos. Socióloga e ativista, saiu de seu país por conta da guerra e mora em São Paulo desde então. Estava indo para a casa, no último sábado (31), logo após almoçar com amigos, no mesmo caminho que sempre faz quando, ao passar pela avenida Paulista, em frente ao Masp, foi agredida por pessoas que faziam manifestação em apoio ao golpe de 64.

Sara passou pelo local filmando o ato. Por coincidência, estava vestida de vermelho, fato que chamou a atenção e gerou hostilidade de algumas pessoas que participavam da manifestação. Em determinado momento, indignada com tudo aquilo, gritou: “Marielle Presente”. De acordo com ela, isso pareceu ter sido a senha para uma reação desmedida.

Ela começou a sofrer agressões de todas as partes, teve o seu celular tomado por um dos manifestantes e foi, de acordo com o seu relato, chamada a atenção por um policial que estava no local. “Ele me disse, sem interceder e nem tomar nenhuma atitude contra os agressores: ‘Você é minoria aqui. Vai embora e para de causar confusão’. A única coisa que este policial fez foi recuperar o meu telefone, que havia sido roubado e me mandou embora. Só consegui chegar em casa sem ser agredida novamente porque uma mulher e dois jovens me acompanharam”.

Ao postar o vídeo da agressão, Sara descreveu a cena:

“Eles me atacaram, me jogaram no chão, puxaram meu cabelo, me bateram na cara, cuspiram em min, chamaram Marielle de vagabunda. Uma mulher tentou tirar minha roupa, falando que roupa vermelha na avenida paulista não pode. Eu adoro vermelho. Nem sabia do ato antes de sair da casa.”

No momento em que dava a entrevista, Sara contou à Fórum que estava machucada ainda, com algumas dores e precisava ir ao hospital. Perguntada pela reportagem se foi à delegacia fazer boletim de ocorrência e exame de corpo delito, ela disse sem titubear: “Não confio na polícia brasileira. Nem naquele policial que ignorou que eu estava apanhando na rua e nem nos que eu iria encontrar na delegacia”.