06 de dezembro de 2018, 14h19

Defesa de Lula diz que Palocci mente para “manter vantagens que obteve com a delação”

Ex-ministro prestou depoimento sobre a Operação Zelotes, que investiga supostas negociações envolvendo a Medida Provisória 471, que prorrogou incentivos fiscais - concedidos durante o governo FHC - às montadoras de veículos.

Reprodução

Em nota assinada pelo advogado Cristiano Zanin, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o ex-ministro Antonio Palocci mentiu novamente em depoimento prestado nesta quinta-feira (6) ao juiz Ricardo Augusto Soares Leite, sobre a Operação Zelotes, que investiga supostas negociações envolvendo a Medida Provisória 471, que prorrogou incentivos fiscais – concedidos durante o governo FHC – às montadoras de veículos.

“Palocci, portanto, não é uma testemunha – que fala com isenção – mas alguém interessado em manter as relevantes vantagens que obteve em sua delação. O ex-ministro ainda reconheceu que as supostas conversas que afirmou ter mantido com Lula e Luis Cláudio não tiveram a presença de qualquer outra pessoa, não havendo, portanto, qualquer testemunha sobre a efetiva ocorrência dos encontros e do teor do assunto discutido”, afirma Zanin, em nota (leia a íntegra ao final da matéria).

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No depoimento, Palocci disse que Lula negociou com o lobista Mauro Marcondes Machado, do setor automobilístico, pagamentos a Luís Cláudio Lula da Silva, seu filho caçula, para renovação da MP. Segundo o ex-ministro, um esquema foi acertado para o pagamento de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões em propina a Luís Cláudio para a realização do torneio Touchdown, de futebol americano.

“Ele (Lula) me falou que empresas iriam pagar Mauro Marcondes, porque ele já prestava serviços a elas, e prestou nesta ocasião também, porque iam pagar quantia entre R$ 2 e R$ 3 milhões, e que o Mauro ia repassar recursos ao Luís Cláudio”, disse Palocci, que citou o patrocínio ao evento em 2013 como suposta propina à renovação da MP, assinada em 2009.

Segundo Palocci, apenas ele e Lula participaram do encontro e não houve testemunhas da conversa.

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Leia a íntegra da nota de defesa de Lula.

Palocci livre após acusar Lula sem provas, presta depoimento mentiroso

Palocci aproveitou de seu depoimento na ação penal 003754446.2017.401.4.01.3400 para, de forma inusual, tomar a iniciativa de fazer afirmações sem qualquer relação o processo, com o nítido objetivo de atacar a honra e a reputação do ex-presidente Lula e de seu filho Luis Claudio.

Ao ser confrontado pela defesa, Palocci teve que reconhecer que:
(1) recebeu benefícios de redução de pena e também patrimoniais com sua delação; (2) que um dos temas tratados em sua delação diz respeito a medidas provisórias; e que (3) foi advertido pela autoridade policial que firmou o acordo que se a narrativa do ex-ministro não for confirmada ele poderá perder os benefícios recebidos. Palocci, portanto, não é uma testemunha – que fala com isenção – mas alguém interessado em manter as relevantes vantagens que obteve em sua delação. O ex-ministro ainda reconheceu que as supostas conversas que afirmou ter mantido com Lula e Luis Cláudio não tiveram a presença de qualquer outra pessoa, não havendo, portanto, qualquer testemunha sobre a efetiva ocorrência dos encontros e do teor do assunto discutido.

Na verdade, Palocci sabe que suas afirmações são mentirosas e que por isso não poderão ser confirmadas por qualquer testemunha. Por isso mais uma vez o ex-ministro recorre a narrativas que envolvem conversas isoladas com Lula, expediente que já havia recorrido em depoimento prestado perante a Justiça Federal de Curitiba.

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