12 de junho de 2018, 17h45

Defesa de Lula rebate insinuações de Moro em audiência com FHC 

Em audiência, Moro pediu desculpas a FHC por perguntá-lo sobre supostas reformas feitas por empresas que o contrataram para dar palestras pois aquela teria sido uma solicitação da defesa do petista, que contestou a insinuação 

(Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP)

A audiência desta segunda-feira (11) na Justiça Federal de São Paulo que ouviu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi marcada por um bate-boca entre a defesa do ex-presidente Lula e o juiz federal Sérgio Moro.

FHC prestou depoimento na condição de testemunha de defesa de Lula no processo sobre a suposta reforma de um sítio em Atibaia que, de acordo com a acusação, teria sido feita de maneira ilegal pela Odebrecht em benefício de Lula.

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Na audiência, Moro perguntou ao ex-presidente tucano, que participava por teleconferência, se alguma das empresas que o contrataram para dar palestras já havia feito reformas em alguma propriedade sua. Antes de fazer a pergunta, no entanto, o juiz de Curitiba pediu desculpas ao político.  “Desculpe até perguntar esse tipo de situação, mas já que foi colocado pela defesa…[de Lula]”, afirmou.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, então, advertiu: “Só para repor a propriedade excelência, a defesa não fez nenhum tipo de afirmação de reforma ou valores por fora. Não é uma solicitação da defesa. Gostaria de registrar”.

Moro, então, rebateu Zanin: “Não estou dizendo que a defesa afirmou isso, estou dizendo que tem um contexto então vamos perguntar isso nesse contexto”. O advogado seguiu insistindo que aquela não tinha sido uma solicitação da defesa.

FHC, por sua vez, lidou com bom humor. Respondeu que nunca teve nenhuma propriedade reformada por empresas que o contrataram para dar palestras. “Nunca, jamais, nada disso, nem por fora, nem participar em nenhum momento de reforma. Na verdade, não tem muita coisa que reformar, só minha cabeça mesmo”, brincou.

Em outro momento da audiência, o ex-presidente tucano ainda disparou a Moro: “No Brasil as pessoas pensam que o presidente pode tudo e sabe tudo”, disse, concordando com a tese da defesa de Lula de que eventuais ilegalidades cometidas por empresas como a Petrobras não podem ser atribuídas à responsabilidade do presidente da República.