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12 de julho de 2018, 09h51

Delator acusa médicos do Rio de sabotarem cirurgias por propina

A aquisição de material sem demanda provocou, segundo um delator, a incineração de dois contêineres de próteses com data de validade vencida

(Foto: Divulgação/ Cremerj)
Norman Gunther, principal executivo da empresa alemã Maquet no Brasil, afirmou em acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal que médicos das redes pública e privada do Rio de Janeiro sabotavam cirurgias caso não recebessem comissões pelo uso dos equipamentos da empresa. “Se não fosse paga a comissão, os médicos não permitiriam a compra dos produtos e, possivelmente, poderiam sabotar a cirurgia. Ou seja, utilizar o produto de forma incorreta para prejudicar o fabricante e retirá-lo do mercado, podendo até matar o paciente”, afirmou Gunther aos procuradores. As revelações de Gunther, entre outros delatores, culminaram na Operação Ressonância, que investiga a...

Norman Gunther, principal executivo da empresa alemã Maquet no Brasil, afirmou em acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal que médicos das redes pública e privada do Rio de Janeiro sabotavam cirurgias caso não recebessem comissões pelo uso dos equipamentos da empresa.

“Se não fosse paga a comissão, os médicos não permitiriam a compra dos produtos e, possivelmente, poderiam sabotar a cirurgia. Ou seja, utilizar o produto de forma incorreta para prejudicar o fabricante e retirá-lo do mercado, podendo até matar o paciente”, afirmou Gunther aos procuradores.

As revelações de Gunther, entre outros delatores, culminaram na Operação Ressonância, que investiga a participação de multinacionais num esquema de cartel em licitações da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro e do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia).

O delator detalhou fraudes às licitações e também comissões pagas a médicos pelo uso de determinados produtos. Foi entregue ao MPF uma lista com cerca de 150 profissionais que receberam comissões que giravam em torno de 10% a 20% do valor do produto. Nos últimos dez anos, o executivo estima que a empresa gastou R$ 30 milhões com esse tipo de prática.

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“A maior parte desses pagamentos ocorreu no setor privado, mas também aconteceu no setor público”, disse Gunther.

A Maquet é especializada em equipamentos como sistemas de anestesia e instrumentos médicos para cirurgia cardíaca e vascular.

A aquisição de material sem demanda provocou, segundo um delator, a incineração de dois contêineres de próteses com data de validade vencida. A estimativa, considerada conservadora, é de que os danos chegam a R$ 600 milhões.

Os investigadores identificaram também a compra de 80 mesas cirúrgicas, sendo que não haveria local suficiente para essa quantidade de cirurgias no instituto.

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