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16 de setembro de 2014, 08h35

“Democracia sem partido é um preâmbulo do autoritarismo”, diz Dilma Rousseff

Em ato pela cultura, a presidenta declarou que aqueles que esnobam o pré-sal não vão investir em cultura e têm como meta cortar empregos.

Em ato pela cultura, a presidenta declarou que aqueles que esnobam o pré-sal não vão investir em cultura e têm como meta cortar empregos Por Marcelo Hailer Aconteceu nesta segunda-feira (15) o ato #RedeCulturaComDilma, que marca o apoio de vários artistas e intelectuais à candidatura da presidenta Dilma Rousseff (PT) à reeleição. Um manifesto assinado por Chico Buarque, Marieta Severo, Otto, Beth Carvalho, entre outros, foi lançado na tarde desta segunda. No documento, os signatários declararam que o Brasil não pode “permitir o retrocesso”. Descontraída, a presidenta iniciou o seu discurso mandando um beijo para a Dilma Bolada (personagem fictícia da...

Em ato pela cultura, a presidenta declarou que aqueles que esnobam o pré-sal não vão investir em cultura e têm como meta cortar empregos

Por Marcelo Hailer

Aconteceu nesta segunda-feira (15) o ato #RedeCulturaComDilma, que marca o apoio de vários artistas e intelectuais à candidatura da presidenta Dilma Rousseff (PT) à reeleição. Um manifesto assinado por Chico Buarque, Marieta Severo, Otto, Beth Carvalho, entre outros, foi lançado na tarde desta segunda. No documento, os signatários declararam que o Brasil não pode “permitir o retrocesso”.

Descontraída, a presidenta iniciou o seu discurso mandando um beijo para a Dilma Bolada (personagem fictícia da rede criada por Jeferson Monteiro). Posteriormente, Dilma lembrou que há quatro anos um evento semelhante acontecia no mesmo local. “Há quatro anos estive aqui, achava que era muito grande esse espaço, mas acho que hoje ele é maior pela quantidade de pessoas que estão nele, fico muito feliz de estar aqui mais uma vez”, disse a candidata.

Dilma Rousseff também lembrou que foi a partir do apoio recebido dos artistas e intelectuais que sentiu que venceria o pleito de 2010. “A partir daqui eu senti que nos venceríamos e nós vencemos. Vencer eleição é uma sensação muito estranha, você percebe que o seu país se mobilizou e que você teve apoio do voto popular. E se estamos aqui hoje é porque acreditamos em um valor: a democracia”, ressaltou.

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A candidata à reeleição destacou o fato de a cultura promover a diversidade e fortalecer a luta pelo fim do preconceito. “Contra a discriminação contra mulheres, negros e os homossexuais, criminalizando a homofobia, isso é primordial ao Brasil. E essa luta tem sido feita desde o governo Lula com a criação dos ministérios”, disse a presidenta em referência às secretarias criadas para abranger cada um dos temas citados.

Dilma também declarou que o compromisso de seu governo e do ex-presidente Lula é com a “população”, com o foco de garantir oportunidades iguais. “Somos diferentes, mas temos que ter as mesmas oportunidades. Garantimos a redução da desigualdade. Isso foi uma transformação pacífica, que foi difícil de ser vista, o que aconteceu é que alteramos drasticamente a distribuição de renda do Brasil”, defendeu.

A candidata ainda lembrou que, quando o PT chegou ao poder, 54% do povo eram pobres ou miseráveis. “Hoje, nós temos orgulho de dizer que, a cada quatro brasileiros, três estão da classe média para cima e que todo mundo ganhou nesse período, os mais pobres ganharam muito mais. Nós estamos vendo a primeira geração que não passou fome”, comemorou.

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Para que tais políticas continuem, Dilma Rousseff declarou que é necessário manter uma “elevada e qualificada política educacional no Brasil”. E disse que essa estratégia inclui a “adoção da simbologia e compreensão da realidade que a cultura pode dar” e “colocar a cultura dentro dessa estratégia de crescimento e desenvolvimento econômico”.

Posteriormente, Dilma Rousseff disse que, para que todos esses avanços continuem e se aprofundem, é preciso continuar a investir no pré-sal e atacou o “pessimismo militante” da imprensa, que dizia que o governo não ia conseguir explorar o petróleo em camadas profundas e voltou a atacar a postura da candidata Marina Silva (PSB) em relação ao assunto. “Quando alguém levanta que o pré-sal não é prioridade, desconhece a realidade internacional e local”, disse e reafirmou o compromisso de investir 75% do pré-sal na educação e o restante na saúde.

Ainda sobre o investimento das riquezas oriundas da exploração do pré-sal em áreas estratégicas, Dilma Rousseff explicou que ainda caberá uma parte à cultura. “Uma parte ficará para a cultura e a outra para a educação, mas eu acredito que educação e cultura estão intimamente ligadas”, disse a presidenta.

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Próximo do fim de sua explanação, a candidata petista voltou a atacar a proposta de um Banco Central independente. “No Brasil, só três poderes são independentes: o Judiciário, o Executivo e o Legislativo. A Ancine (Agência Nacional de Incentivo ao Cinema) é autônoma, mas não independente… É estarrecedor querer a independência do Banco Central”, criticou.

Para a presidenta, quem defende a independência do Banco Central está contra a “expansão” das políticas sociais.
Por fim, Dilma reconheceu um arrefecimento nos Pontos de Cultura. “Podemos fazer as duas coisas (Casa de Cultura e pontos): os pontos e todas as iniciativas que podem estar ligadas aos pontos, como a construção e o incentivo a startups. O dinheiro do pré-sal seria destinado aos Pontos de Cultura, às Casas de Cultura e aos startups”, prometeu.

Dilma também criticou uma “democracia” sem partidos políticos. “Não existe democracia sem partido, democracia sem partido é um preâmbulo do autoritarismo, não existe fórmulas pelas quais se faça a composição democrática que não seja pública, daí não acredito em reforma política sem participação do povo, daí um plebiscito. Vamos perguntar ao povo: você é a favor ou contra o financiamento público de campanha política?”, convocou.

Foto: Coligação Com a Força do Povo

 

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