17 de dezembro de 2018, 15h38

Denúncias contra João de Deus não são consideradas estupro e prazo da maioria delas expirou, diz delegada

Quando questionado sobre caso mais recente, João de Deus teria alterado o tom de voz e alegado que a acusadora é uma mulher problemática.

Foto: Agência Brasil

A delegada Karla Fernandes, responsável pela investigação de supostos abusos sexuais cometidos por João de Deus, disse nesta segunda (17), que o crime de estupro não se aplica aos casos sob análise, pois, segundo ela, não houve “conjunção carnal”.

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Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a delegada afirmou que os 15 casos sob análise da Polícia Civil de Goiás, segundo ela, se referem a posse sexual mediante fraude – por usar da fé das mulheres para cometer atos libidinosos com elas. A maioria deles, no entanto, são antigos e o prazo para denúncia está expirado.

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Em setembro, houve mudança na legislação penal e, somente desde aquele mês, o prazo decadencial não existe mais para o crime. A mudança não se aplica aos casos anteriores, pois a lei brasileira não permite que uma regra nova retroaja para prejudicar o réu.

De acordo com a delegada, o único caso posterior a setembro, que vem sendo considerado o principal, é o de uma mulher de 43 anos, moradora de Goiânia, que administra uma casa espírita.

O médium teria massageado a região sob o ventre da mulher, com argumento de dissipar uma energia ruim. Ela relatou que, em determinado momento, notou que João de Deus estava com o pênis de fora e reagiu, alegando que havia algo errado. Ele teria interrompido a sessão e solicitado que ela não contasse nada a ninguém.

Segundo a delegada, quando questionado sobre esse caso mais recente, João de Deus teria alterado o tom de voz e dito que a suposta vítima teria de apresentar alguma prova que comprovasse violação sexual. Ele teria alegado que a acusadora é uma mulher problemática.

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