04 de dezembro de 2018, 13h25

Depois de bombar em Brasília, Favela Sounds faz versão reduzida no Rio

A 3ª edição do festival reuniu 30 mil pessoas em Brasília, promoveu 26 atrações de nove estados, além do DF e de Portugal/São Tomé e Príncipe, e reuniu jovens em oficinas de capacitação e debates

Foto: Rômulo Juracy

A 3ª edição do Favela Sounds – Festival Internacional de Cultura de Periferia terminou no último sábado (24/11) depois de seis dias de programação gratuita distribuída por sete regiões administrativas do Distrito Federal e no centro da cidade. O público total do evento foi de 30 mil pessoas, que circulou por oficinas em espaços culturais independentes nas quebradas do DF, debates em escolas públicas para 1200 alunos, atividades em unidades do Sistema Socioeducativo para cerca de 400 jovens internos e, claro, as duas noites de shows que já se consolidaram por arrastar uma multidão ao Museu Nacional da República, no centro político do país.

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Os organizadores do evento – que aposta e fomenta a cultura produzida pelas periferias de todo o Brasil, o único festival do país com este foco – estima que o festival gerou cerca de 200 empregos diretos e 600 indiretos nesta terceira edição.

Agora é o Rio

Depois da edição no DF, Favela Sounds leva uma versão reduzida pro centro do Rio de Janeiro, na Praça XV, dia 16 de dezembro e com entrada franca, como parte da programação que encerra o festival Conexidade, a convite da Oi. O trio de rap feminino ABRONCA (RJ) será a atração principal em show que ganha as participações especiais da funkeira carioca Deize Tigrona e da rapper brasiliense Thabata Lorena.

A 3ª edição

Entre as atividades sócio educativas realizadas, a primeira oficina desta edição, de cenografia, realizada na Ceilândia, resultou em todo o projeto cenográfico do evento, pensado e executado pelos alunos da atividade. Batizadas de Tamo Junto, as atividades que levaram música às Unidades do Sistema Socioeducativo do DF (para jovens em privação de liberdade) também ganharam mais espaço nesta edição. Vera Verônika, Nego Dé e DJ Chokolaty fizeram conversas com os jovens internos e alguns destes jovens puderam participar da oficina de cenografia ou autorizados a acompanhar os shows do festival.

Os debates foram realizados em escolas públicas do DF, com a rapper e ativista Preta Rara, e o criador do Voz das Comunidades (RJ), Rene Silva, iniciativa acertada que reuniu mais de 1200 alunos participantes. No Museu Nacional também abrigou debates com Diogo Baldacci (Secretaria de Cultura do DF/LIC) e Zélia Peixoto (Oi Futuro/LabSonica), além de ter sido palco para o lançamento do Slam Favela Sounds e para batalhas de rima, de hora em hora. O Favela Sounds abrigou ainda o Mercado Criativo Periférico, com empreendedores das quebradas do DF.

O Favela Sounds atinge um público bastante variado, este ano trazendo sonoridades periféricas da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, São Paulo, Sergipe e Rio de Janeiro. Também se apresentaram artistas do DF e o DJ Marfox, português de origem são-tomense.

Artistas do rap e R&B como Drik Barbosa, Rico Dalasam, Preta Rara, Don L, Flora Matos, Fabriccio, Hiran, DJ Janna, Marmitos, Flávio Renegado, Donas da Rima e outros, chamaram atenção no line-up. Do funk, marcaram presença Deize Tigrona, Pepita, Sandrinho Contexto (DJ de uma vida de Mr. Catra, que fez um tributo ao cantor, homenageado desta edição), além de Na Batida do Morro e Kashuu. Keila representou o tecnobrega, MC Tocha, o brega-funk de Pernambuco, e La Furia, o pagodão baiano. Artistas como MC Tha, Bia Ferreira, Yourubeat, Marfox e Forró Red Light trouxeram novas possibilidades para a música de quebrada, indo a estilos que vão desde o afrohouse ao boom-bap, passando pela clássica música popular brasileira e sons experimentais.

 

Serviço FS Rio

Favela Sounds Pocket

Local: Praça XV, Centro do Rio de Janeiro

Data: 16 de dezembro, domingo

Entrada franca. Classificação indicativa livre.