27 de fevereiro de 2018, 21h46

Dias antes do Oscar, capa da ‘The New Yorker’ denuncia assédio em Hollywood

A capa desta semana da revista norte-americana é quase uma mensagem subliminar, mas se observada com atenção, fica fácil perceber que se trata de um registro de momentos que antecedem o assédio sexual. "Oportunidade de ouro", ironizou o autor. Confira

A revista norte-americana The New Yorker foi às bancas nesta segunda-feira (26), a apenas seis dias da cerimônia do Oscar, com uma capa que já é considerada por muitos como histórica. A ilustração de Chris Ware, para muitos, demanda algum tempo para ser compreendida. Se observada com atenção, no entanto, passa uma mensagem muito clara de crítica à cultura do assédio sexual em Hollywood, denunciada principalmente no ano passado a partir do relato de dezenas de atrizes, que culminaram na criação do movimento #MeToo. A ilustração, batizada de “Golden Opportunity” (em português, “Oportunidade de ouro”), mostra o que seria o...

A revista norte-americana The New Yorker foi às bancas nesta segunda-feira (26), a apenas seis dias da cerimônia do Oscar, com uma capa que já é considerada por muitos como histórica.

A ilustração de Chris Ware, para muitos, demanda algum tempo para ser compreendida. Se observada com atenção, no entanto, passa uma mensagem muito clara de crítica à cultura do assédio sexual em Hollywood, denunciada principalmente no ano passado a partir do relato de dezenas de atrizes, que culminaram na criação do movimento #MeToo.

A ilustração, batizada de “Golden Opportunity” (em português, “Oportunidade de ouro”), mostra o que seria o fatídico momento que antecede o assédio: uma mulher, atriz, em um teste com o provável diretor de um filme, que está fechando a cortina da sala. Elementos como uma estatueta do Oscar na estante, um celular gravando o teste, fotos da atriz em cima da mesa e o gesto do diretor fechando a cortina não deixam dúvidas quanto à mensagem que pretende se passar.

Diz a The New Yorker na publicação em seu site em que divulga a capa da semana:

“Os filmes são os modelos de sonhos pelos quais várias gerações codificaram, alteraram e empurraram os limites de seu comportamento”, diz o artista Chris Ware sobre sua mais nova capa na The New Yorker, sua vigésima quarta. Chegando nas bancas seis dias antes dos Oscar, a imagem retrata um ano tumultuado na indústria cinematográfica em que revelações de má conduta sexual em Hollywood ajudaram a inflamar o movimento #MeToo.

“Por muito tempo”, diz Ware, “esquecemos isso, enquanto atrizes como Clara Bow, Marilyn Monroe ou Lupita Nyong’o, que são estrelas de cinema, também são seres humanos, sujeitos à totalidade da vida”.

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