“Festa na rua também é ato político”

“Festa na rua também é ato político”

Ocupar o espaço público com música tem sido o mote de uma contracultura cada vez recorrente, e o coletivo Metanol, de rádio online, passou a ser uma vanguarda nessa tendência 

Por Ivan Longo 

“As pessoas têm percebido que a boa música não está mais dentro dos clubes. As coisas mais interessantes estão acontecendo completamente fora desses ambientes.” Essa é uma das impressões que tem o músico e produtor Akin Deckard sobre a constância cada vez maior de festas realizadas na rua, principalmente em São Paulo. Criador do coletivo Metanol FM, Akin é um dos principais nomes que vêm colaborando para a disseminação desse novo conceito de viver a cidade e exercer cidadania por meio da expressão artística ao ar livre, ou ainda em lugares que, até há pouco tempo, eram considerados “inapropriados”.

Atualmente, o Metanol FM realiza regularmente eventos de música em espaços públicos e já é referência no assunto. Quando o coletivo começou, no entanto, eram poucas as chances de se deparar com um evento independente sendo realizado no meio da rua. Com sua “música eletrônica avançada”, ou “música de vanguarda”, como gostam de definir, os produtores  do coletivo, à medida que foram ganhando as ruas e o público com um tipo de sonoridade até então desconhecida aos ouvidos dos brasileiros, contribuíram para inspirar outros grupos a se organizar e somar o prazer de ouvir música ao cunho político de sair da lógica privada para a vivência do que é público.

O início 

Akin iniciou seu contato com música no final da década de 90, como MC. Compondo suas próprias letras e frequentando assiduamente batalhas de rap freestyle, o agora produtor fazia graffiti, andava de skate e vivia no universo do hip hop. Passado algum tempo, Akin começou a se interessar mais pela questão da produção autoral e passou a fazer os seus próprios beats. Aficcionado por bateria eletrônica e sintetizador, o músico mergulhou no universo da produção eletrônica e deixou a parte de escrever de lado, passando o foco à composição instrumental. Unindo vários ritmos, começou a pesquisar o lado mais experimental da música eletrônica, que usava o beat mas se apropriava de elementos do jazz, do drum’n’bass e de outros ritmos. Com outros amigos da época de MC, Akin passou a tocar em festas pela cidade de São Paulo. Levavam discos de dub, de rap de Nova Iorque,referências da Golden Era (rap norte-americano da década de 90) e músicas experimentais de Los Angeles.

“Com o tempo, as festas começaram a fazer muito sucesso. Antes da Metanol, toquei por 12 anos com o coletivo Chaka Hotnightz, sendo seis anos na primeira fase do Milo Garage (casa noturna de São Paulo). O objetivo disso tudo era encontrar os amigos e disseminar música. Era tudo em torno da informação e diversão. O que era algo informal, no entanto, acabou, aos poucos, virando um trabalho. Por conta disso a gente decidiu parar de fazer a festa”, revelou o produtor.

Akin, idealizador da rádio e coletivo Metanol FM. (Foto: Samuel Esteves)

Akin, idealizador da rádio e coletivo Metanol FM. (Foto: Samuel Esteves)

Para Akin, a lógica comercial de tocar suas músicas já não o satisfazia. “Eu já estava em um momento em que queria tocar coisas que já não cabiam no ambiente de pista. Só que era um tipo de som, na época, difícil de lidar, porque não havia com quem conversar sobre esse tipo de música. Aí criei a rádio online, pra propagar o tipo de som que sentia falta de ouvir em outros lugares”.

“Assim nasceu a rádio Metanol FM. No ar desde o início de 2009as seleções musicais de Akin e dos outros cinco membros do coletivo são transmitidas há mais de quatro anos, todas as terças-feiras, através do seu canal na internet. O nome da rádio vem da própria ideia do tipo de música que querem transmitir: Metanol remete ao conceito de combustível, de alimentar as idéias das pessoas.

No início da rádio, Akin selecionava e transmitia os sons sozinho. “No começo eu tocava algo mais na linha da IDM (gênero de música eletrônica que apareceu no início dos anos 90, na Inglaterra), que é um som mais estranho, mais difícil, e também tocava muita coisa de future beats, e as pessoas não conheciam muito aquilo, mas soava de um jeito familiar. Então aquilo mexia com com quem ouvia. Causava certo estranhamento porque é um tipo de música de difícil acesso, mas, a partir do momento que as pessoas começavam a se familiarizar com os elementos que compunham o som, elas se sentiam mais parte daquilo e começavam a procurar e associar a mais coisas. Em determinado momento, muitos começaram a se identificar com aquilo que eu estava tocando por estarem no mesmo momento musical que o meu. Quando a rádio completou um ano e meio, decidi reunir parte dessas pessoas que tinham um trabalho autoral interessante e convidei para formar o coletivo Metanol”. Hoje, o grupo é formado, ao todo, por cinco seletores musicais, incluindo Akin, sendo eles MJP, Seixlack, Soul One e Vekr e mais um seletor visual, U-RSO, que é o responsável pelas projeções e pela identidade visual do coletivo, que está sempre relacionada com a música que está sendo executada.

E foi através da troca de informações entre amigos e pessoas que escutam a rádio, o compartilhamento de novas tendências, da experimentação de ritmos com a música eletrônica, que o Metanol FM se constituiu como um coletivo musical único que, por meio do choque do desconhecido, do que soa estranho, conquistou a nova geração e vem renovando o entendimento que se tem por música eletrônica de uma forma geral. Akin explica: “Entre os seletores de som do coletivo, cada um segue por um direcionamento específico: um vai mais pro techno , outro mais pro future beats, o outro segue a linha garage, funk, e eu vou pra o que se pode chamar de slowfast ou footwork jungle, que tem elementos de drum’n’bass e diversos outros estilos.. Na verdade, é difícil a gente criar um subgênero para definir o que a gente faz. Nós lidamos com música de vanguarda. Música avançada é o mote da nossa seleção. Hoje em dia existe muito essa questão de classificação de gêneros musicais, coisa que lutamos muito pra extinguir”.

Akin no estúdio onde são feitas as transmissões da rádio. (Foto: Samuel Esteves)

Akin no estúdio onde são feitas as transmissões da rádio. (Foto: Samuel Esteves)

A rádio, naturalmente, foi ganhando cada vez mais ouvintes e, num determinado momento, Akin sentiu novamente a necessidade de ampliar e experimentar novas plataformas de atuação para o tipo de música que estava disseminando. A rádio continua no ar e ganha cada vez mais seguidores até os dias de hoje, mas a ideia de não se limitar ao ambiente online, somado à falta de enquadramento dos interesses do grupo com o espaço controlado das casas noturnas, fez com que o coletivo criasse o Metanol na Rua, conceito que se difundiu para diversos outros coletivos e que fazem de São Paulo hoje uma referência na ocupação do espaço público. O coletivo Metanol não é um produto, mas sim um processo que não acaba na música. Ao contrário, a utiliza como forma de quebrar certos padrões, culturais e políticos, que até então envolviam o conceito de produção musical.

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Metanol na Rua: um eixo da contracultura 

Durante algum período em que o coletivo não havia criado o Metanol na Rua oficialmente, o grupo tocava, esporadicamente, em vernissages, lançamentos de algum disco ou livro, eventos específicos. A ideia de tocar na rua foi uma consequência que, segundo Akin, surgiu de maneira bem natural, dessa frequência cada vez maior fora do ambiente online. O grupo, além de suas motivações pessoais, acreditava que era preciso também oferecer esse tipo de música a quem não fazia a mínima ideia que ele pudesse existir.

A festa Metanol na Rua acontece bimestralmente e ocupa espaços públicos da cidade. (Foto: divulgação)

A festa Metanol na Rua acontece bimestralmente e ocupa espaços públicos da cidade. (Foto: Divulgação)

Dessa maneira, há cerca de dois anos e meio, quando quase não havia qualquer tipo de festa na rua na cidade de São Paulo, o coletivo decidiu se jogar de vez no ambiente público. Atuando na maior metrópole da América Latina, dominada pela especulação imobiliária, totalmente verticalizada e com uma lógica de espaço público, independência e relações coletivas praticamente inexistentes, o grupo decidiu ir para as ruas com uma ideia que fosse de encontro com os interesses que defendiam, que estava longe de ser festas em casas noturnas ou financiadas por empresas. “Começou de maneira tímida, a primeira edição foi na rua da Consolação. Depois de certo tempo a gente passou a desenvolver a Metanol na Rua por algo que merecia estar à prova e merecia a atenção. Tiveram várias edições que fizemos ao lado da Galeria A7ma, uma galeria de arte de Pinheiros que atua de maneira independente num mercado que é bem comercial. Pelo tipo de iniciativa que eles têm, a gente resolveu fazer os eventos ao lado. A Metanol é uma consequência de várias coisas que estão acontecendo também. É uma espécie de linha de raciocínio geral dentro do que a gente gosta e acredita. Então as festas compartilham dessa lógica: é a galeria independente, a loja de discos, a pista de skate que acabou de abrir e por ai vai”, conta Akin.

O produtor e idealizador do Metanol conta que seu grupo não foi o primeiro a tirar a música do ambiente fechado e levar para as ruas. A inspiração do coletivo são os artistas de rua que, desde sempre, levam sua arte para o espaço público, como o guitarrista que toca solitário na rua com um amplificador ou as bandas de jazz que apenas com sopro e percussão dão vida às calçadas. Mas a verdade é que não faz muito tempo que os coletivos passaram a enxergar essa necessidade de viver a cidade e quebrar os paradigmas do espaço privado. Querendo ou não, essa efervescência de grupos exercendo seus direitos de usar a cidade ao seu favor começou a emergir há cerca de dois anos e, nessa época, o Metanol já marcava o seu espaço nas ruas.

A equipe do coletivo Metanol, em evento realizado na Praça das Artes, São Paulo. (Foto: Samuel Esteves)

A equipe do coletivo Metanol, em evento realizado na Praça das Artes, São Paulo. (Foto: Samuel Esteves)

Hoje, são inúmeras as festas em praças, parques, viadutos ou mesmo no meio da rua. Todo final de semana, pelo menos em São Paulo, grupos formados por essa nova geração de artistas, músicos e comunicadores desafiam as restrições que a gestão municipal por vezes impõe e quebram a lógica de que a rua é para carros, ou para consumidores.

2012 foi um ano significativo e que ilustra bem essa tendência. Inúmeras pessoas em São Paulo resolveram unir esforços para criar o Festival Baixo Centro, um festival que agregava uma série de coletivos e manifestações culturais para expressar sua arte, o debate político e a diversão por meio da apropriação do espaço público. Através de doações e da lógica colaborativa, a cidade de São Paulo ganhou, a partir de abril daquele ano, um evento plural, gratuito e inovador, que propunha uma nova maneira de viver a cidade. No ano seguinte aconteceu mais uma edição do festival, que se dá de maneira totalmente independente e até mesmo sem a autorização da prefeitura, e já tem data marcada para a edição deste ano: de 18 a 27 de abril.

No mesmo ano, o festival Existe Amor em SP, que tomou o Vale do Anhangabaú, no centro da capital, mostrou mais uma vez a necessidade de repensar o usufruto do espaço público.

Desde então, movimentos que lutam pela independência do cenário cultural, coletivos que não compactuam mais com a lógica privada da cidade e pessoas dispostas a exercer sua cidadania por meio da arte ao ar livre vêm conquistando cada vez mais espaço e legitimidade.

Em fevereiro deste ano, a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo firmou uma parceria com esses coletivos e realizou um evento só deles: o SP na Rua. O centro da cidade foi tomado por esses grupos, incluindo o Metanol,  que, apesar da chancela da prefeitura, realizaram um evento altamente significativo e simbólico para aqueles que defendem a apropriação da cidade pelas pessoas.

Festa no túnel? No Buraco da Minhoca tem quase todo fim de semana. (Foto: reprodução/Facebook)

Festa no túnel? No Buraco da Minhoca tem quase todo fim de semana. (Foto: Reprodução/Facebook)

Fenômenos como o Buraco da Minhoca, um túnel que liga a rua Augusta ao Elevado Costa e Silva, no centro da cidade, é mais um exemplo que a população sente a necessidade de se expressar, de se divertir, de reivindicar, e que isso tem que ser na rua. O túnel, que fica interditado aos finais de semana, foi ocupado de maneira clandestina pelos coletivos no início do ano para a realização de festas. Recentemente, a prefeitura reconheceu a legitimidade dos grupos e regularizou a realização de eventos no local.

Para Akin, essa tendência cada vez maior de apropriação das ruas não é nenhuma coincidência e muito menos fruto do acaso. “De uns dois anos pra cá, a gente está cada vez mais dentro de uma ideia de contracultura, a ideia de trabalhar com música fora de ambiente de casa noturna é uma expressão máxima de contracultura dentro da nossa geração. E, mesmo se as casas noturnas voltassem sua atenção ao que está acontecendo na rua, dificilmente essas pessoas trocariam de ambiente. O que eu acho é que a gente tem passado por um momento muito importante de exercer algum tipo de cidadania. As manifestações contra o aumento da passagem, por exemplo: a última notícia que se teve que aconteceu algo na rua de maneira tão expressiva foi no impeachment do Collor, mas foi algo muito mais universitário do que de consciência geral mesmo. Uma coisa é consequência da outra. Eu não acredito em coincidências quando você pensa nessas conexões que as pessoas da cidade desenvolvem entre si. A gente vê muita coisa acontecendo: manifestação, passeata, eventos gastronômicos, esportivos, enfim… Eu acho que as pessoas estão entendendo cada vez mais que a rua em si é o ambiente mais amplo e mais expressivo que a gente pode estar inserido como cidadãos”.

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Política de maneira dançante 

Quem frequenta festas de rua sabe: a diversão não é o único foco. Independente do tipo manifestação artística que esteja acontecendo na rua, a tendência tem sido as pessoas apoiarem somente pelo fato de estar na rua.

E quem disse que diversão também não é política? Apesar de parte da inspiração de Akin de partir para as ruas vir da cultura do próprio tipo de música que toca, reproduzindo as antigas block parties (festas na rua que aconteciam em Nova Iorque), o produtor diz que hoje em dia, nos Estados Unidos, não existe mais isso, e que se você fizer uma festa na rua em Nova Iorque hoje, a possibilidade de ser preso é grande. Ele argumenta, portanto, que esse tipo de manifestação no Brasil vai além de algo sazonal, que é algo muito mais ligado à falta de recursos e ao desejo de fazer as coisas acontecerem mesmo sem eles, o que já dá aos eventos um cunho mais político. “A ideia do privado está muito ligada ao tipo de recurso a que você tem acesso. E muita gente que lida com arte não tem recursos, então ou você deixa a arte de lado ou começa a trabalhar com autossuficiência, com o que tem em mãos. E o que temos em mãos? Uma praça, uma calçada, um viaduto, um túnel que é interditado aos finais de semana…”.

E é em meio a essa cultura de restrição, privatista, individualista e comercial que permeia as grandes cidades que os coletivos independentes se encontram e exercem um papel de contracultura, de alternativa e de renovação das antigas lógicas de convivência e usufruto do espaço. A partir do momento em que há essa compactuação de ideologias entre os que promovem esse tipo de evento, fazer festa na rua torna-se um ato político.

“A questão de que ir pra rua é uma maneira de se fazer política é o que dita a coisa. É um ato político, sim! Essa ideia de que eventos na rua é uma maneira de fazer política é o que une diversos coletivos que são tão díspares, tão distantes. A Voodoohop, a Capslock (Carlos Capslock), a Metanol, a Sevalgem, é tudo uma rede. Citando até um exemplo recente, no SP na Rua, que aconteceu com a chancela da Secretaria Municipal de Cultura, era muito evidente que cada grupo tinha uma autogerência muito eficaz. Todo mundo sabia muito bem o que estava fazendo, desde a decoração até a instalação do som. Isso mostrou que existe uma conexão inconsciente entre vários grupos de pessoas que estão lidando com o mesmo material, que é música, e todos caminhando para o mesmo objetivo, que é fazer uma política dançante”, diz o entusiasta Akin.

Festa dos coletivos do SP na Rua, no centro da capital. (Foto: I Hate Flash)

Festa dos coletivos do SP na Rua, no centro da capital. (Foto: I Hate Flash)

Em relação a esse viés ideológico das festas de rua pelo Brasil, Akin, que está na vanguarda dessa tendência em São Paulo, acredita que a cidade já serve de referência para outras regiões que ainda não conseguiram quebrar com essa cultura do privado. “É difícil dizer que São Paulo está a um passo à frente em termos de cena, de ocupação, mas, inevitavelmente, está. Pelo fato de ser uma cidade muito grande, muito populosa, nos deparamos com inúmeros problemas tipicamente urbanos. A questão dos eventos em São Paulo dita um pouco o caminho a se seguir dentro dessa perspectiva. Serve de inspiração para outras coisas que acontecem próximo, como no Rio de Janeiro. Lá, no entanto, os eventos em espaço público eu enxergo que estão caminhando para uma coisa que acontece de temporada, de maneira sazonal. Em São Paulo há, de fato, um movimento de contracultura, de imprimir uma nova ideia em termos de eventos e atividades na cidade.”

A partir do meio deste ano, o coletivo Metanol pretende viajar pelo Brasil para conhecer mais coletivos e compartilhar novas tendências de produção musical e ocupação de espaço público. “A gente tem, por consequência, planos para, a partir do meio do ano, fazer um tour pelo Brasil. Há algum tempo a gente vem mapeando coletivos que têm alguma ideologia ou pensamento similar ao nosso e a ideia é passar por algumas cidades do Brasil levando o que a gente tem como know how e tentando entender como tem funcionado em outros lugares do país. Já fomos para Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro… Vamos sair de São Paulo e fazer uma troca para criar uma rede de execução de eventos”, revelou o criador do coletivo.

Setor privado: eles não entendem 

Toda e qualquer tipo de manifestação cultural está sujeita aos olhos gordos do mercado. A iniciativa privada, usualmente, tenta se apropriar das tendências que fogem a sua lógica como maneira de eliminar qualquer tipo de ameaça e ainda se legitimar ainda mais. O problema é que, no momento, eles ainda estão tentando entender o que está acontecendo e, nisso, Akin acha graça. “É engraçado perceber que a iniciativa privada tem tentado, cada vez mais, se apropriar e entender essa ocupação de espaço público para poder justificar algo que acontece no espaço privado. Seja em uma campanha, seja o que for, cada vez mais as empresas têm olhado para as coisas que acontecem na rua porque é o que tem sido mais forte em termos de expressão da nossa geração. Ao mesmo tempo, cada vez mais pessoas que executam atividades no espaço público têm se negado a se associar com a iniciativa privada. A única relação que nós, como coletivos, temos, é com o público e com os órgãos que regem e fiscalizam a cidade. Existe um crescimento exponencial muito forte e muito fiel à ideia de que o que está acontecendo no espaço público trabalha com um conceito de autoconsciência, autogestão, autocontrole e que é uma proposta muito específica, que não se associa a qualquer tipo de iniciativa privada”.

É com essa quebra de paradigma que o Metanol FM, em conjunto com todos os outros coletivos da cidade e do Brasil, planeja uma disseminação cada vez maior da cultura de rua, da música grátis, da diversão como manifestação política e do espaço público como um lugar, literalmente, de todos.

Até mesmo o próprio Akin, que não é somente participante, mas também propagador da cena que envolve essa nova geração, se impressiona com a nova cidade que está nascendo. “Há muito anos que eu não via tantas coisas interessantes acontecendo na rua ou dentro da ideia de movimentos relacionados a uma cena artística hoje como em anos atrás. Antigamente tinha alguma coisa aqui, outra ali. Hoje em dia, quase todos os dias da semana tem algo que te motiva a sair de casa para ver o que está acontecendo na rua”.

E caso haja dúvidas, é só tirar a prova: de fato, algo interessante está acontecendo. E é na rua.

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1 comment

  1. WELALM

    Senhores, informação da Sra. Yngrid, da Supervisão da Cultura: Ela tem pedidos de festas e não estão autorizados os eventos sem aprovação. Se houver “desobediência civil”, os encaminhamentos ficarão a cargo das autoridades constituídas e os responsáveis serão indiciados.
    Caso insistam, a PM e GCM, devem ser acionadas para fazer a retirada ou indiciamento, inclusive em relação aos horários – seja de dia ou de noite – caso o som esteja atrapalhando o sossego público.

    Segundo a SubPrefeitura, terão que seguir passo a passo a lista abaixo, para fazer uma festa com aval da Prefeitura:
    . Documentos de identificação do responsável pelo evento:
    . Indicação das providências relativas a sanitários, estacionamentos de veículos e acesso às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e controle de ruídos conforme Lei 13.885/04;
    . Identificação das empresas e profissionais responsáveis pelos projetos, por sua execução e pela organização do evento;
    . Contrato com empresa responsável pela segurança do público durante o evento, devidamente cadastrada junto ao órgão competente;
    . Ofício protocolado junto a Policia Militar do Estado de São Paulo;
    . Anuência do Centro de Comunicações – CECOM,
    . Anuência da Companhia de Engenharia de Tráfego CET;
    A lista de documentos vai depender do tipo de evento que você produzirá, da quantidade de convidados, do local e da presença de menores (ou não). Para o licenciamento são necessários esses documentos e irão ainda para análise.
    Atenção: cuidado redobrado com eventos e festas travestidos como “culturais” ou “artísticos”, mas que promovem apenas uma espécie de balada ou pancadão.
    Licença para funcionamento de atividades geradoras de publico para um local tem duração limitada ao máximo de 6 (seis) meses, renovável por igual período, por mais uma única vez, conforme artigo 42 do dec. 49.969/08

    Quem deve requerer:
    Conforme Artigo 24 do Dec. 49.969/08, dependendo das características da edificação, ou equipamento, da natureza do uso pretendido, da capacidade de lotação e do público estimado, deverá ser requerido o Alvará de Autorização, quando houver a realização de eventos públicos e temporários com mais de 250 pessoas que ocorram nos locais abaixo descritas, com ou sem cobrança de ingressos:
    – Imóveis públicos ou privados;
    – Terrenos vagos não edificados; logradouros públicos, tais como: ruas, praças, viadutos e parques
    Excelente investigação e pesquisa. Estas informações são importantes para chegarem aos organizadores. Da minha parte, vou multiplicar, para ajudar a orientar.

    As autoridades já têm a ficha de todos. Nos primeiros eventos era mais difícil. Agora já está tudo mapeado. Muito obrigado pela gentileza e um bom trabalho. Se eles seguirem as orientações da PMSP, estará tudo legalizado e dentro daquilo que principalmente protegerá os participantes da própria festa… e dos demais envolvidos.

    Se houve desobediência civil o encaminhamento será outro. Tudo o que desejamos é o equilíbrio e a proteção de ambas as partes. Festas são boas e saudáveis. O que tem ocorrido é justamente a exacerbação de limites, onde drogas, bebidas, riscos de todos os tipos e perturbação sonora no entorno, além da enorme quantidade de lixo, urina de fezes que ficam em todas as portas e calçadas da região.

    A PMSP é responsável e, uma vez acionada por inoperância e falta de zelo, precisou agilizar seus recursos. O antigo SubPrefeito inoperante foi destituído e agora temos um novo administrador, com quem já nos reunimos e as orientações são explícitas e boas para ambos os lados.

    Se os organizadores seguirem os conselhos que receberam das autoridades, não haverá nenhum problema com festas… Confirmamos os procedimentos e o multiplicamos aos organizadores e participantes, para que se protejam de acidentes e aborrecimentos.

    Agradecemos por sua iniciativa e conte conosco sempre que precisar.
    Um grande abraço.

    A PMSP e a Sra. Ingrid não proíbem… Por dever da função, cumprem as leis que protegem os participantes dos seus eventos públicos e os moradores do entorno de uma série de pontos importantes para quem deseja realizar algo em locais públicos.

    As ruas e praças são públicas… e como tais, levam em consideração o direitos de todos… e não de um ou outro grupo que deseja realizar aquilo que coloca em risco ou atinge ou incomoda outras pessoas, participantes das suas manifestações… ou não.

    Este é o dever do poder público: mediar e regular para que O DIREITO DE TODOS SEJA PRESERVADO. Portanto, se algo tentar ser realizado, que desrespeita o direito dos demais será coibido, porque a RUA e as PRAÇAS são para todos… e as autoridades são pagas por nós – cidadãos – para mediar essas relações.

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