Economia verde: qual é o futuro do mercado de maconha americano?

Economia verde: qual é o futuro do mercado de maconha americano?

Com a ampla legalização sendo mais do que um sonho para o usuário, os Estados Unidos calculam como o comércio legal pode ser uma nova forma de ganhos econômicos

Original em Alternet, tradução de Ítalo Piva

Em novembro de 2012, eleitores dos Estados do Colorado e de Washington tomaram uma decisão histórica ao legalizarem o uso e venda da maconha para fins recreativos, para o constrangimento e surpresa dos moralistas antimaconha, os guerreiros antidrogas e um século de políticas de proibição. No início deste ano, essas leis foram efetivadas, com a abertura, pela primeira vez, de lojas de venda de maconha deste lado do Atlântico.

Antes apenas um sonho, hoje, aparentemente, a legalização é um passo inevitável. Ao mesmo tempo em que este artigo está sendo escrito, nada menos do que 11 Estados americanos estão formulando alguma forma de legislação que permita a venda de maconha em lojas especializadas, e pelo menos outros 12 Estados estão considerando a descriminalização ou medidas que permitam o uso medicinal da erva. Cansados da lentidão do governo federal, Estados distintos como o Alaska, Novo México e Vermont estão, cuidadosamente, considerando o potencial dos benefícios que a legalização trará, convencidos não somente por argumentos abstratos sobre a liberdade individual mas, muito mais, pela esperança de uma injeção econômica nas finanças estaduais.

Qual seria o impacto econômico da legalização extensiva? Existem dezenas de fatores a serem considerados, particularmente no lado da equação relacionada aos lucros: quantas pessoas vão comprar maconha e qual quantidade seria usada? Quais os Estados que vão se beneficiar mais com o plantio da maconha? Será que as grandes empresas vão dominar a produção e venda, ou será que o comércio continuará nas mãos dos produtores e vendedores independentes? E de qual tamanho, em dólares, será esse setor?

Não se sabe ainda o impacto financeiro final da legalização, mas, nos últimos anos, um número significativo de pesquisadores tem explorado os possíveis contornos de uma nova economia da maconha. Isto, adicionado a dados públicos disponíveis, e a sabedoria de alguns indivíduos que testemunharam o crescimento do movimento da legalização nos últimos 40 anos, nos proporciona uma boa visão de como a planta pode (ou não) alcançar as expectativas dos proponentes da liberação e venda da maconha.

Parece que este é um momento oportuno para um pequena aula de economia da cannabis.

Saindo das sombras

Com a exceção dos poucos que compram maconha medicinal em lugares autorizados, a maioria dos usuários compra o fumo no mercado paralelo (foto: Imarijuana.com)

Com a exceção dos poucos que compram maconha medicinal em lugares autorizados, a maioria dos usuários adquire o fumo no mercado paralelo (foto: Imarijuana.com)

Atualmente, o fato de a maconha ser produzida, distribuída, e vendida quase que totalmente no mercado paralelo e ser usada fora do olhar púbico, estabelecer o valor do mercado nacional da erva (incluindo a importação e outros usos que não sejam de lazer, como o da fibra Hemp) é um tanto enganoso. O Diário de Negócios da Maconha Medicinal estima que a legalização total do mercado de cannabis poderia valer cerca de 46 bilhões de dólares por ano, enquanto peritos mais conservadores fazem uma avaliação entre dez e 40 bilhões de dólares.

De acordo com a Pesquisa Nacional sobre o Uso de Drogas e Saúde, existem 7,6 milhões de fumantes frequentes de maconha nos Estados Unidos. Aproximadamente, 23,9 milhões de pessoas usam a droga de vez em quando. A maconha é vendida extensivamente no mercado paralelo e facilmente adquirida nas esquinas das ruas, nos bares e boates, e nos corredores das escolas (cerca de 80% dos estudantes se identificaram como usuários para o Instituto Nacional de Abuso de Drogas em 2012). Com a exceção de um número relativamente pequeno de pessoas que compraram maconha medicinal por meio de dispensários licenciados, a vasta maioria dos usuários compra o fumo no mercado paralelo – ou diretamente dos comerciantes ou de amigos com acesso ao comerciante.

Num mundo onde o uso e porte são legais, este cenário muito provavelmente não continuaria por muito tempo.

Presumindo que a demanda continue relativamente estável (ver artigo original “A Questão da Demanda”), um mercado legalizado de venda da maconha vai, provavelmente, replicar o sistema atual de distribuição de bebidas alcoólicas vendidas em lojas. O lugar exato onde a maconha poderia ser vendida seria uma decisão regulamentada pelo Estado e legisladores locais, da mesma maneira feita com a venda de bebidas alcoólicas; municípios podem permitir que variedades mais fracas de maconha sejam vendidas em pequenos comércios (como é o caso de cerveja e vinho em alguns Estados) ou cafeterias (à lá Amsterdam), mas o que é virtualmente certo é o fato de que uma loja vendendo qualquer quantia ou tipo de maconha teria de obter uma licença especial.

Qualquer que seja o tamanho do mercado, os governos do Colorado e de Washington esperam que os impostos sobre a venda da maconha vão arrecadar muito dinheiro. Washington determinou um imposto de 25% na nova legislação, e no Colorado, foi passada a Proposição AA, em novembro, para aprovar um imposto de 15% mais uma taxa de 10% sobre a venda da maconha para o lazer. Espera-se com essas medidas um aumento de centenas de milhões de dólares na renda de cada Estado, incluindo um acréscimo de 500 milhões de dólares somente para Washington até 2015.

Um estudo feito pela Rand (Corporação e Centro de Pesquisas das Políticas Sobre as Drogas, na sigla em inglês) descreve os consumidores de maconha como “clientes de um supermercado comum e não um supermercado que vende comida orgânica”, preferindo, geralmente, os tipos mais baratos como a maconha mexicana, ao invés da de alta qualidade do norte da Califórnia. Entretanto, o mercado local tem se expandido nos últimos anos. Segundo um relatório da NPR, de 2011, o valor comercial da maconha, em áreas como a Califórnia, vem caindo ultimamente, ao ponto de chegar a 2.500 dólares por libra, por causa do surgimento de novos produtos e produtores.

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Esta situação levanta a questão de se a maconha poderá ser comercializada internacionalmente, da mesma maneira que as bebidas alcoólicas atualmente. Se a maconha for aprovada para importação, isto certamente poderia abaixar os preços nos Estados Unidos, semelhante ao que já acontece com as outras importações do México. Porém, o México não é o único elemento neste jogo: no último outono, o Uruguai anunciou, com autoridade, que o país permitiria em nível nacional o uso e venda da cannabis, ao preço surpreendente de um dólar por grama (comparado ao preço 15 dólares ou mais aqui). Tarifas e a adição de custos de empacotamento, transporte e distribuição certamente aumentariam os preços no caminho para os Estados Unidos, mas se outros países seguirem o exemplo do Uruguai, os produtores americanos terão que diminuir os preços para continuar competindo.

Assim sendo, as questões sobre quem vai comprar este novo produto legalizado fazem parte dos interesses dos legisladores, que querem recolher os impostos sobre a maconha para financiar iniciativas estaduais e locais (Colorado e Washington prometeram investir milhões de dólares da renda inicial na educação). Eles certamente serão afetados pelo aumento da oferta da cannabis legalizada, ambos nacional e internacionalmente. Uma oferta que vem, claramente, das fazendas.

Mercado em crescimento

Em 2012, a DEA destruiu cerca de 4 milhões de plantas, mais de 92% pertencentes a operações clandestinas (foto: ibtimes.com)

Em 2012, a DEA destruiu cerca de 4 milhões de plantas, mais de 92% pertencentes a operações clandestinas (foto: ibtimes.com)

Ainda que a produção de maconha nos Estados Unidos tenha sido ilegal por aproximadamente um século, produtores fora da lei têm persistido diante das perseguições draconianas dos policiais locais e da DEA – a agência norte-americana de combate ao narcotráfico. Somente em 2012, a DEA destruiu um pouco menos de quatro milhões de plantas (um número menor do que os 6,7 milhões em 2011), mais de 92% pertenciam a operações clandestinas. No entanto, o policiamento pouco efetivo e o desenvolvimento de técnicas inteligentes de esconder plantações permitem que produtores continuem transportando suas colheitas por todo o país por meio de canais clandestinos.

Para crescer ao ar livre, a planta da cannabis necessita de um solo fértil e um pouco ácido, temperaturas entre 24 e 30 graus e pelo menos 12 horas diárias de luz. A maconha pode ser cultivada em larga escala na maioria dos Estados americanos durante o verão.

Enquanto a questão do valor de propriedades, a qualidade da água e o período de legalização em cada Estado determinará, finalmente, quais os Estados que serão mais capazes de se beneficiar deste produto lucrativo, nós já podemos ter uma ideia de quem será o maior aspirante na briga para ser para a maconha o que a Geórgia é para o amendoim.

Em 2006, Jon Gettman, um ex-chefe da Organização Nacional para a Reforma das Leis sobre a Maconha (NORML) e professor adjunto de Administração Publica da Universidade de Shepard, na Virgínia do Oeste, publicou um estudo sobre o nível da produção americana da maconha. Através de uma análise dos esforços de erradicação da droga nos três anos anteriores, Gettman concluiu que a maconha seria um dos produtos mais lucrativos nos Estados Unidos se a sua produção fosse legalizada, e já era considerada “o produto mais lucrativo em 12 Estados, um dos mais lucrativos em 30 Estados e um entre os cinco mais lucrativos em 39 Estados”.

Além disso, “cinco Estados (Califórnia, Tennessee, Kentucky, Hawaii e Washington) tinham produções de maconha avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares,” um valor que ultrapassava a produção nacional conjunta de soja e trigo.

O lucro total da venda de maconha não virá somente do uso como uma simples droga. Enquanto a semente feminina da planta cannabis sativa é a que contém níveis adequados da substância química THC (tetra-9-hydrocannibol) para causar o efeito relaxante – “chapar” –, o resto da planta tem uma variedade de aplicações que pode ser de interesse de pequenos e grandes negócios.

Segundo um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso, de 2013, o Hemp – nome das partes não tóxicas da planta cannabis – é usado em mais de 25 mil produtos mundialmente, e utilizado frequentemente em produtos vendidos por companhias como The Body Shop e Whole Foods, que são obrigados a importar o Hemp por causa das leis americanas, que proíbem o cultivo de qualquer tipo de cannabis. O mesmo relatório estima que o tamanho atual do mercado do Hemp nos EUA seja cerca de 500 milhões de dólares, com um grande potencial de crescimento se esses produtos fossem liberados para a venda (dentro e fora dos Estados Unidos).

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Da esquina para o escritório?

Em agosto de 2013, o jovem empreendedor Brian Laoruangroch gerou notícia ao estrelar comercial da sua empresa, Marcas de Proibição, usando uma roupa de caubói e falando com sotaque do sul dos EUA (foto: Reprodução/YouTube)

Em 2013, o jovem empreendedor Brian Laoruangroch gerou notícia ao estrelar comercial da sua empresa, Marcas de Proibição, usando uma roupa de caubói e falando com sotaque do sul dos EUA (foto: Reprodução/YouTube)

Essas estimativas atraentes têm feito e continuarão a fazer parte dos argumentos dos políticos e lobistas que estão a favor da legalização da maconha. Mas é importante os colocar em perspectiva, e considerar quem vai sair ganhando. Ainda não está claro se, no futuro, a produção e venda da maconha nos EUA serão administradas por um grupo de produtores independentes ou cairia nas mãos das grandes corporações.

De maneira simples, será que os consumidores estarão comprando da pequena loja artesanal, ou irão para a loja do posto comprar um pacote de Marlboro verdes?

Em agosto de 2013, um jovem empreendedor chamado Brian Laoruangroch gerou notícia quando um comercial da sua companhia, Marcas de Proibição, mostrou o proprietário usando uma roupa de caubói e falando com sotaque do sul dos Estados Unidos. Neste comercial, Laoruangroch falou sobre o que ele via como uma crescente “corrida verde” na indústria da maconha como parte de uma ideia para levantar “até 50 milhões de dólares através dos investimentos feitos por grupos empreendedores, financiadores de sites na internet, e investidores”.

Ainda que a maioria dos meios de comunicação tenha ressaltado a parte humorística e sexual das garotas sertanejas usadas por Laoruangroch no seu comercial, foi interessante notar que o vídeo de dois minutos e meio mostrou a cara (um rosto com bigode) da crescente indústria da Grande Maconha, que é a produção corporativa da maconha legalizada. Quando eu entrevistei Allen St. Pierre, o diretor executivo da NORML e um defensor da maconha por várias décadas, ele sorriu ao ouvir sobre Laoruangroch, mas disse que o aparecimento de figuras como ele não era uma surpresa.

Segundo St. Pierre, a nova geração de empreendedores é motivada pelos ganhos monetários mais do que os antigos, comerciantes mais “tranquilos”, e geralmente eles vêm de diferentes meios sociais. “Essas pessoas não têm currículos baseados em malandragem, mas sim diplomas de Yale e Harvard,” ele disse.

Isto não quer dizer que St. Pierre acredite que os grandes negócios devem ser criticados. Na última década, muitos defensores da legalização como a NORML têm sido os maiores proponentes de um casamento entre os grandes negócios e a maconha, imaginando a visão do modo “mercado livre” de atuar, como elemento vital para o sucesso na transição da maconha negociada no mercado paralelo.

“A ideia da indústria do tabaco nos incomoda? Sim, porque aquela indústria tem mostrado ser maléfica,” diz St. Pierre. Porém, a “NORML não pensa que as corporações são demoníacas, ou que o capitalismo é ruim.”

Existem outros sinais claros de que a indústria da maconha vai se tornar corporativa no fim do horizonte. No último mês de maio, o ex-administrador da Microsoft Jamen Shively apareceu ao lado do ex-presidente mexicano (e executivo) Vicente Fox para promover o lançamento da sua própria companhia de produção de maconha, Diego Pellicer. Para Shively, Pellicer poderia se posicionar rapidamente para se transformar na primeira companhia nacional de produção de maconha a adquirir um status como o do Starbucks, isto se a companhia conseguir fazer os malabarismos financeiros necessários para evitar a ira do DEA. Até a revista sobre maconha “High Times” começou seu próprio fundo financeiro privado de 100 milhões de dólares em antecipação aos possíveis benefícios.

Mas, ao mesmo tempo em que uma classe inaugural de capitalistas da maconha começa a surgir, existe também um grupo significativo daqueles que veem os interesses dos grandes negócios como uma antítese do espírito da reforma das políticas sobre as drogas.

“Meu maior medo é que o lucro, e somente o lucro, se tornará o fator determinante da maneira como a cannabis é distribuída,” disse Steve DeAngelo, co-fundador e diretor executivo do Centro de Saúde da Orla Marítima de Oakland – Harborside – o maior dispensário de maconha medicinal da Califórnia.

DeAngelo diz que, ao mesmo tempo, ele entende que a venda convencional de maconha irá, inevitavelmente, levar alguns a desejar grandes lucros, mas se preocupa com o dia em que a erva será vendida não por um especialista preparado e sim pelo caixa indiferente de uma loja 7-Eleven ou do supermercado Wal-Mart. Para ele, o modelo sem fins lucrativos, desenvolvido pela Harborside, que visa, primeiramente, o interesse dos seus pacientes e não somente o lucro – na forma de serviços grátis e doações para a comunidade – seria muito melhor.

Ex-administrador da Microsoft Jamen Shively (dir) apareceu ao lado do ex-presidente mexicano Vicente Fox para promover o lançamento da sua própria companhia de produção de maconha (foto: Laorquestra)

Ex-administrador da Microsoft Jamen Shively (dir) aparece ao lado do ex-presidente mexicano Vicente Fox para promover o lançamento de sua companhia de produção de maconha (foto: La Orquestra)

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A Harborside não somente providencia maconha para aqueles que necessitam, mas “serviços de saúde e bem-estar”; uma biblioteca, um seminário sobre “produção própria,” uma clínica de saúde integral e um contrato voluntário que permite aos pacientes receberem um grama da medicinal em troca de horas de voluntariado. Um sistema como este poderia ser um modelo de centralização comunitária para a venda futura da maconha para o lazer. Uma operação baseada no lucro e administrada de acordo com a filosofia da grande indústria da maconha pode estar simplesmente interessada nas projeções trimestrais das suas vendas.

“Se você está num ambiente sem fins lucrativos, é muito mais provável que você vá atrair operadores que estão realmente dedicados a fazer o que é melhor para a sociedade, e não em se colocar em primeiro lugar”, disse. “Ao invés de estar oferecendo uma variedade (de serviços) para beneficiar o povo, eles vão entrar e sair o mais rápido possível.”

(É importante notar que a Harborside não está registrada legalmente como uma organização sem fins lucrativos isenta do imposto de renda – DeAngelo apenas comercializa “sem fins lucrativos.” Por causa da atual legislação federal sobre a maconha, o IRS (Imposto de Renda) não vai permitir que os dispensários de maconha medicinal solicitem o status de empresas sem fins lucrativos.)

Contudo, St. Pierre e outros argumentam que os proprietários de dispensários medicinais como DeAngelo são meros empresários tentando proteger o mercado existente ao falarem mal da nova competição. No entanto, ninguém poderia falar a mesma coisa sobre Scott Greacen, diretor executivo da Arcata, um grupo de conservação, Amigos do Rio Eel, na Califórnia. Localizado na costa da famosa fazenda de produção de maconha Humboldt County, a organização Greacen tem testemunhado os altos e baixos desta indústria à medida que ela se transforma de um pequeno empreendimento de ex-hippies e afiliados a cartéis em uma fonte regional de renda bem desenvolvida.

“Nós vemos que existem grandes grupos esperando, prontos para começar a produção em larga escala,” Greacen disse. “Eu acredito que esta é uma decisão de política pública pouco inteligente. Manter este negócio fora das mãos das corporações é uma das melhores coisas que devemos fazer.”

Particularmente, o impacto ambiental que as grandes corporações podem ter é uma das principais preocupações do Greacen. Especialmente, se existirem regulamentações não específicas e negligentes para a produção de grandes plantações. Muitas das operações de cultivo já usam pesticidas e venenos para roedores, e outros produtos químicos potencialmente perigosos para os seres humanos. De acordo com Greacen, com 100 milhões de dólares de lucro em risco, uma companhia como Prohibition Brands ou Diego Pellicer tem um incentivo forte para usar este tipo de produto químico e quebrar outras regras com o objetivo de conseguir lucro máximo.

No entanto, ele afirma que nem tudo está perdido. Iniciativas governamentais locais como nos municípios de Humboldt e Mendocino, com grupos como a Associação Emerald de Produtores, têm provado serem positivas para os defensores de uma indústria da maconha que seja sustentável e independente, ao apoiarem os esforços para manter a ideia de “produto doméstico” verdadeiramente doméstico.

No que diz respeito a saber se a maconha atingirá, eventualmente, a mesma posição do álcool ou do tabaco, com uma indústria multimilionária, Greacen dá a única resposta que ele pode dar neste estágio inicial do jogo: “Nós veremos”.

Em termos de um amplo mercado legalizado, o futuro pode vir mais rápido do que previsto, dado o interesse provocado através das continuas experiências no Colorado e em Washington. O que as pessoas que ainda estão duvidando em relação à legalização é sobre a regulamentação. Entendem que o melhor momento para dar uma estrutura ao caráter futuro desta indústria é neste estágio inicial.

Isto quer dizer que, para qualquer pessoa com uma visão alternativa sobre como deve ser o panorama futuro – informal, produtores independentes e vendedores sem fins lucrativos, organizações baseadas nas comunidades, ou pequenos negócios –, o momento é apropriado para se colocar adiante dos futuros oportunistas da cannabis.

(Crédito da foto da capa: William Casey/Shutterstock.com)

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