Boulos, sobre a relação de movimentos sociais com PSDB: “Existe uma certa ‘povofobia’”

Boulos, sobre a relação de movimentos sociais com PSDB: “Existe uma certa ‘povofobia’”

Em debate sobre moradia, organizado pelo SPressoSP, líder do MTST ataca tucanos e se mostra mais alinhado aos petistas na corrida eleitoral. Ainda durante o programa, Nabil Bonduki explicou o Plano Diretor paulistano

Por Redação

Na última quinta-feira (7), o SPressoSP organizou mais um #BrasilPerifa, programa semanal que debate questões que atingem as periferias de São Paulo e Rio de Janeiro. Estiveram no encontro o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, o poeta e ativista Ruivo Lopes, além da coordenadora da Comunidade Mauá, Ivaneti Araújo, e do vereador de São Paulo Nabil Bonduki (PT). Na capital fluminense, estava Joaquim Pinero, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). A mediação foi feita pelo repórter da Fórum, Igor Carvalho, e pela blogueira Maria Frô. O mote do encontro foi a moradia popular, e inevitavelmente sobraram críticas ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e seu partido, o PSDB

“No caso do governo de São Paulo, nós temos historicamente uma dificuldade de dialogar, existe um certo autismo, existe uma certa ‘povofobia’”, afirmou Boulos. No último dia 28 de julho, o governo paulista, descumprindo um acordo firmado com o MTST, removeu todas as famílias que ocupavam um terreno no Morumbi, zona sul da cidade, conhecido como “Portal do povo”.

“O MTST encontra maior facilidade de diálogo e portas abertas no governo federal e municipal do que no estadual. O que não quer dizer que o atendimento de nossas pautas é sempre efetivo”, explicou Boulos, para quem “essa elite hipócrita, que não gosta do povo e quer ver o povo pelas costas, encontra respaldo no PSDB.”

A dificuldade histórica de diálogo com governos tucanos foi lembrada também por Ivaneti Araújo. “A diferença é muito clara. O PSDB dá valor aos presídios de segurança máxima”, avaliou. O prédio da Comunidade Mauá, localizado na rua Mauá, região central de São Paulo, foi comprado recentemente pela Prefeitura Municipal e passará por uma reforma para que seja adaptado e transformado em habitação popular.

Para Ruivo Lopes, “o PSDB é, hoje, um dos maiores violadores dos direitos humanos no país. Eles sobretudo usam a força e a polícia militar como forma de diálogo.”

Plano Diretor 

Durante o debate, que foi transmitido ao vivo no site SPressoSP, o vereador Nabil Bonduki (PT) defendeu o Plano Diretor, do qual é relator. “O espírito original era a mistura de classes, e reconheço que é importante misturar as classes nos territórios. Mas, eu acho que conseguimos um objetivo importante, que é fazer com que haja habitação popular bem localizada na cidade.”

“Na nossa avaliação, o Plano Diretor, desse ponto de vista [moradia popular], representou um avanço. Nós temos que analisar a correlação de forças, o trabalho que o Nabil fez merece elogios. O que não quer dizer que o Plano está isento de críticas”, afirmou Boulos.

Ruivo Lopes defendeu uma relação intersecretarial na Prefeitura de São Paulo, que permita ampliar o conceito de moradia. “Essas pessoas estão vindo de comunidades horizontais, onde as relações são horizontais, e são levadas para moradia verticalizada, isso interrompe as relações. Nós sugerimos que as unidades habitacionais tivessem praças de multiuso, que no térreo fosse destinados à comércios populares e eventualmente pequenos centros de educação infantil.”

A dificuldade de comunicar à população sobre projetos e leis, como o Plano Diretor, fez com que fosse lembrado o papel da mídia no processo, que é “prejudicial”, segundo Joaquim Pinero, do MST.

“As palavras têm força e a imprensa burguesa sabe muito bem disso. Quando se trata das ocupações de terra e também nas cidades, sempre dizem que houve invasão, como se fosse uma invasão dos EUA no Iraque”, analisou Pinero.

 Confira o programa na íntegra:

(Crédito da foto de capa: Davi Andres/Brasil Perifa)

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