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06 de fevereiro de 2013, 14h53

‘Dignidade’ por outro mundo possível em Túnis

O Fórum Social Mundial 2013, que será realizado em março na Tunísia, terá como tema o conceito “dignidade”. A escolha tem a ver com os atuais desafios enfrentados pelos países do Oriente Médio e Norte da África pós-Primavera Árabe

O Fórum Social Mundial 2013, que será realizado em março na Tunísia, terá como tema o conceito “dignidade”. A escolha tem a ver com os atuais desafios enfrentados pelos países do Oriente Médio e Norte da África pós-Primavera Árabe Por Martha Neiva Moreira, do Canal Ibase O Fórum Social Mundial (FSM) 2013, que será realizado em março na Tunísia, terá como tema o conceito “dignidade”. A escolha, segundo Hamouda Soubhi, do comitê de organização local, tem a ver com os atuais desafios enfrentados pelos países do Oriente Médio e Norte da África pós-Primavera Árabe. Entre os dias 19 e 21...

O Fórum Social Mundial 2013, que será realizado em março na Tunísia, terá como tema o conceito “dignidade”. A escolha tem a ver com os atuais desafios enfrentados pelos países do Oriente Médio e Norte da África pós-Primavera Árabe

Por Martha Neiva Moreira, do Canal Ibase

O Fórum Social Mundial (FSM) 2013, que será realizado em março na Tunísia, terá como tema o conceito “dignidade”. A escolha, segundo Hamouda Soubhi, do comitê de organização local, tem a ver com os atuais desafios enfrentados pelos países do Oriente Médio e Norte da África pós-Primavera Árabe. Entre os dias 19 e 21 de janeiro, ele esteve em São Paulo para uma reunião preparatória do FSM, junto com representantes do movimento social de Brasil e outros países da América Latina, Estados Unidos, Índia, além de países africanos e europeus. Durante dois dias o grupo formado por cerca de cinquenta militantes definiram questões e atividades que serão debatidas e realizadas durante o Fórum.

“Não acreditávamos que conseguiríamos fazer a revolução na Tunísia, mas conseguimos e agora temos grandes desafios pela frente. Fortalecer a sociedade civil é um deles. Refletir sobre as várias dimensões da dignidade humana é outra tarefa. Muitos dos países árabes ainda têm que conquistar direitos civis básicos e, por isso, achamos que Dignidade seria um tema forte para incentivarmos o debate do FSM deste ano”, disse Hamouda.

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Nos dois dias da reunião, promovida pelo Grupo de Reflexão e Apoio ao Processo do FSM (Grap) na sede da Ação Educativa, em São Paulo, os representantes de ONGs e movimentos sociais relacionaram alguns desafios que, na Túnisia, devem ser debatidos. Entre eles o fato de já ser necessário intensificar um diálogo entre os movimentos tradicionais de luta com os novos, tais como Indignados, da Espanha; Occupy, da América do Norte; e Primavera Árabe.

Com novas formas de organização de luta e ações políticas, mais horizontalizadas (configuradas em rede), esses movimentos apontam, segundo o documento síntese da reunião, para novas agendas, métodos e dinâmicas de transformação, assim como novas lógicas de representação, menos institucionalizadas, que devem ser consideradas.

Um outro desafio apontado na síntese é conseguir integrar, na produção de conhecimento feito por e para os movimentos sociais, as narrativas e histórias das camadas populares da sociedade. Isso quer dizer criar uma relação maior entre o que é produzido na teoria política e a vida cotidiana das bases para identificar como se expressam, na prática, as questões que hoje são bandeiras de luta dos movimentos sociais. A internet, neste sentido, é uma ferramenta que pode ser usada para disseminar narrativas: “Temos que reconhecer que as novas tecnologias também são um campo de batalha, onde nós temos que tomar posição”, diz o documento, que relaciona nove outros desafios além desses.

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Movimento Feminista

A militante tunisiana Halima Juini, da Association Tunisienne des Femmes Démocrates (ATFD), que esteve na reunião e também faz parte do comitê organizador do FSM, destacou que o movimento feminista terá um espaço grande entre as atividades programadas para o evento. Ela contou que apesar de as questões de gênero terem sempre um espaço próprio no Fórum, o tema é transversal e fundamental para o momento que as mulheres árabes vivem hoje. Por isso, a mobilização de entidades feministas será forte.

“A luta da mulher no mundo árabe é antiga e pouco conhecida. Há muitas organizações feministas que participaram da luta no nosso país e hoje estão sob ameaça. Contamos com a solidariedade internacional para fortalecer a luta e combater o estereótipo que se tem das mulheres árabes. O Fórum será um espaço privilegiado de luta e disseminação deste debate”, afirmou, durante a coletiva de imprensa realizada na sede da Ação Educativa.

Programação

Ao final da reunião, foram criados quatro grupos que vão desenvolver quatro grandes temas para realização de oficinas e debates em Túnis. São eles “pessoas, territórios, bens comuns e direitos”; “tecnologia, conhecimento e propriedade intelectual”; “corpo político, produção, reprodução e sexualidade”; e “espaços públicos e movimentos cidadãos do século XXI”.

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A pouco mais de um mês do evento, o comitê organizador do FSM já contabilizou 2.500 entidades inscritas, das quais 700 são tunisianas, 148 brasileiras e 60 norte-americanas. Ao todo já são 1.475 atividades definidas. Ele informou ainda que as atividades autogestionadas serão realizadas entre os dias 27 e 29 de março e serão divididas em seis espaços pelos temas Imigração, Meio Ambiente, Gênero, Juventude, Movimentos Occupy e Indignad@s e Relações Mediterrânicas. No dia 26, acontecerá a tradicional marcha de abertura do Fórum, que terminará num grande show e outras atividades culturais. Já no dia 30, está prevista a Assembleia Geral dos Povos e o encerramento do FSM.

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