23 de abril de 2018, 17h09

Dilma: “Mesmo na ditadura nós podíamos receber visitas de amigos”

A ex-presidenta, que ficou presa por três anos durante a ditadura militar, se mostrou indignada por ter seu pedido de visitar Lula em Curitiba negado pela Justiça

Foto: Gibran Mendes

A ex-presidenta Dilma Rousseff concedeu entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (23) após deixar a sede da Polícia Federal em Curitiba (PR) e ter sua visita ao ex-presidente Lula, preso no local, negada pela Justiça.

Dilma mostrou-se indignada com o fato de Lula estar sendo isolado com as decisões judiciais que vêm proibindo a visita de amigos.

“Isso é para mim é estranho porque tenho certa experiência com estar presa. Fiquei 3 anos presa durante a ditadura militar e, mesmo na ditadura, havia a possibilidade de recebermos a visita de parentes e amigos. Esse momento faz parte de um longo processo que começou em 2016 com um impeachment sem crime. A partir daí foi introduzida uma verdadeira camarilha”, afirmou.

A ex-presidenta avaliou que o Brasil vive um novo tipo de golpe que destrói a democracia brasileira e que a prisão de Lula representa uma nova fase deste golpe, que tem como intuito impedir que Lula se candidate e retome a democracia no país. De acordo com Dilma, o golpe que começou a ser gestado em 2016 “não corta a árvore da democracia pela raiz”, como em 1964, mas a destrói com “fungos”.

“O Brasil vem sofrendo um processo muito triste. Lutamos muito pela democracia. Muitos foram mortos para isso. A democracia para nós tem um valor especial. No momento o que a gente assiste é um outro tipo de golpe, que não é um golpe militar, mas é um outro tipo de gole. Enquanto o golpe militar corta a árvore da democracia pela raiz, agora a árvore é destruída por fungos”, analisou.

Dilma acabou de voltar de uma viagem à Espanha e aos Estados Unidos e, na entrevista, afirmou que a comunidade internacional fica “estarrecida” com o fato de que o juiz que julgou Lula é o mesmo que fez a instrução do processo e garantiu que, no exterior, Lula é tido como uma grande liderança e a admiração pelo petista é inconteste.

Quando perguntada sobre um possível plano B do PT para as eleições, a ex-presidenta foi enfática: “Eu acho muito estranha essa preocupação quase obsessiva da imprensa com plano B. Quando sofri o impeachment, falavam para eu renunciar, que seria mais digno. Não, digno é lutar. A mesma coisa ocorre com Lula. Um plano B seria considerar Lula culpado. Por que querem que nós, com nossas mãos que o apoiam, o tiremos do pleito? Eles sabem do constrangimento. O Lula é conhecido como uma grande liderança internacional. Meu plano A se chama Lula”.