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22 de Janeiro de 2015, 14h15

Dilma, por que Bolívia e não Suíça?

Ao preterir o "sagrado" Fórum Econômico Mundial nos Alpes suíços para comparecer à posse do presidente reeleito Evo Morales, no altiplano da Bolívia, Dilma se tornou, obviamente, alvo de críticas. Mas enviar Joaquim Levy e Marcelo Néri para a Suíça não foi o melhor a se fazer para agradar destros e canhotos?

Ao preterir o “sagrado” Fórum Econômico Mundial nos Alpes suíços para comparecer à posse do presidente reeleito Evo Morales, no altiplano da Bolívia, Dilma se tornou, obviamente, alvo de críticas. Mas enviar Joaquim Levy e Marcelo Néri para a Suíça não foi o melhor a se fazer para agradar destros e canhotos?

Por Vinicius Gomes

Dilma “troca” Davos por Bolívia e FT pergunta: affair dela com o mercado acabou? – InfoMoney
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Quando semana passada noticiou-se que a presidenta Dilma Rousseff não compareceria ao Fórum Econômico Mundial, realizado na cidade suíça de Davos, preferindo ao invés disso ir à boliviana La Paz para a cerimônia de posse de Evo Morales, a petista foi criticada por, supostamente, deixar passar um “momento oportuno” de restaurar a confiança dos investidores estrangeiros na economia brasileira. Em seu lugar, Dilma enviou para a Suíça os ministros da Fazenda e de Assuntos Estratégicos, Joaquim Levy e Marcelo Néri, respectivamente. Isso é realmente motivo para tanto alarde?

Na análise do jornalista Paulo Nogueira, a resposta é bem simples: o evento já perdeu sua relevância, sendo “agora uma espécie de Ilha de Caras da plutocracia global”, apontando ainda que nem Barack Obama ou George W. Bush jamais foram ao encontro no Alpes suíços. Para Cristina Pecequillo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a presidenta se viu em uma posição difícil, “se fosse a Davos, Dilma daria para o mundo uma sinalização mais clara de que o segundo mandato terá diretrizes diferentes do primeiro. Ao optar pela Bolívia, a presidenta valoriza a integração sul-americana, o que é um princípio dos governos mais à esquerda”, afirma.

“Em alguns aspectos, Levy pode fazer um trabalho ainda melhor ao cortejar os investidores sozinho”, avalia Samantha Person, do Financial Times. Segundo sua análise, isso dará oportunidade a Levy (e Tombini) conversar em “sua própria língua” com os investidores, “mas no Brasil, ou na Bolívia, a chefe ainda é Dilma”.

O que é a Bolívia hoje?

Em um relatório no final do ano passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que o país, com os oito anos de Evo Morales, teve melhorias em seus índices sociais e econômicos – assumindo que a provável razão para tal foi o rompimento com as políticas econômicas pós-neoliberais recomendadas pelo próprio FMI e o Banco Mundial. Já no início de 2014, uma reportagem do New York Times escreveu que a Bolívia, com um PIB cerca de 46 vezes menor que o brasileiro, cresceu 6,5% em 2013, sendo uma das taxas mais altas do mundo, com reservas internacionais em moedas fortes que são, proporcionalmente, quase duas vezes superiores às brasileiras e uma dívida pública declinando a cada ano.

Sendo o país com o qual compartilha sua maior fronteira (3.423 km), o Brasil é também o principal parceiro comercial da Bolívia, sendo o primeiro destino das exportações bolivianas (cerca de 40% do total) em função da venda do gás natural, e segunda origem das importações, atrás apenas do Chile. O intercâmbio comercial brasileiro com o país passou de US$ 818 milhões, em 2002 para US$ 4,9 bilhões, em 2012 – o que representa um crescimento de quase 600%.

Junto de Dilma, participarão das solenidades em La Paz os presidentes do Equador, Rafael Correa; do Paraguai, Horácio Cartes; da Venezuela, Nicolás Maduro; da Costa Rica, Luiz Guillermo Soliz; de Trinidad e Tobago, Anthony Carmona, além do presidente eleito da Namíbia, Hage Geingob.

Foto de Capa: Roberto Stuckert Filho