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02 de fevereiro de 2016, 17h47

Dilma, sobre CPMF: “Levem em conta dados, não opiniões”

Ao discursar para deputados e senadores na sessão solene que abriu o ano do Congresso Nacional, presidenta defendeu a volta da CPMF como uma das medidas para reequilibrar a economia e garantiu que retomada dos empregos é "prioridade e crucial em 2016"; parlamentares de oposição protestaram

Ao discursar para deputados e senadores na sessão solene que abriu o ano do Congresso Nacional, presidenta defendeu a volta da CPMF como uma das medidas para reequilibrar a economia e garantiu que retomada dos empregos é “prioridade e crucial em 2016”; parlamentares de oposição protestaram e vaias e interrupções foram vistos como atos “desrespeitosos” e “machistas” Por Redação A presidenta Dilma Rousseff discursou, na tarde desta terça-feira (2), na sessão solene que marcou a abertura do ano legislativo no Congresso Nacional. Para uma plateia de deputados federais e senadores, ao lado dos presidentes das duas casas legislativas e do...

Ao discursar para deputados e senadores na sessão solene que abriu o ano do Congresso Nacional, presidenta defendeu a volta da CPMF como uma das medidas para reequilibrar a economia e garantiu que retomada dos empregos é “prioridade e crucial em 2016”; parlamentares de oposição protestaram e vaias e interrupções foram vistos como atos “desrespeitosos” e “machistas”

Por Redação

A presidenta Dilma Rousseff discursou, na tarde desta terça-feira (2), na sessão solene que marcou a abertura do ano legislativo no Congresso Nacional. Para uma plateia de deputados federais e senadores, ao lado dos presidentes das duas casas legislativas e do presidente do STF, Ricardo Lewandowsk, Dilma expôs, em boa parte de sua fala, medidas que serão defendidas pelo governo para recuperar e reequilibrar a economia em 2016, entre elas a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

“O ajuste fiscal vai dar o passo necessário para administrar a política fiscal até que ela produza seus efeitos. Por isso, unicamente por isso, a CPMF, que é provisória”, disse a presidenta sobre o imposto que vigorou no país entre 1997 e 2007.

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“Aqueles que são contra a CPMF dizem que a carga tem crescido no País, que ela não é necessária. Mas, quando avaliamos a arrecadação federal, os impostos tem caído nos últimos anos, passando de 16% do PIB em 2005 para 3,5% em 2015 (…) Levem em conta dados, não opiniões”, pontuou.

Entre outras medidas defendidas por Dilma para recuperar a economia, estão a reforma da previdência, o incentivo ao crédito, a retomada dos investimentos em infraestrutura e do emprego que, segundo ela, é “uma prioridade e crucial em 2016”.

Fora do âmbito da economia e da crise financeira, Dilma anunciou para este ano a terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida, garantiu que não faltará esforços e nem recursos para combater a epidemia do vírus Zika e ainda afirmou que “haverá punição rigorosa para aqueles que se envolverem em atos de corrupção”.

Vaias e protestos

Parlamentares de oposição protagonizaram, durante a fala de Dilma, uma cena rara em sessões de abertura de trabalhos legislativos. Eles levaram placas com a inscrição “Xô, CPMF”, como uma forma de protestar contra a proposta, e vaiaram a presidenta em diversos momentos de sua fala, obrigando-a a interromper constantemente o discurso.

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“Nenhum presidente (todos homens até a chegada de Dilma) foi tratado assim em sessão de abertura, mesmo o mais impopular deles. Logo o motivo dessa tentativa de “avacalhar” a liturgia, antes sempre respeitada, não são os erros de Dilma, mas o fato de ela ser mulher”, avaliou o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que acompanhou a sessão.

De acordo com a bancada do PT na Câmara dos Deputados, até mesmo notas de de dinheiro falsas foram levadas por assessores de parlamentares oposicionistas para jogar em Dilma – ato que fracassou. Até mesmo o boneco que representa o ex-presidente Lula com roupa de presidiário foi levado por um dos deputados.

“Lamentável a falta de postura de alguns. Nem em uma sessão solene conseguem ouvir os que não lhe são iguais. A democracia exige rito e respeito”, escreveu a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) em sua conta do Twitter.

Foto: Roberto Stuckert Filho

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