07 de março de 2019, 09h06

Discurso anti-China de Bolsonaro trava liberação ao Brasil de recursos de fundo criado na gestão Dilma

O Fundo de Cooperação Brasil-China para Expansão da Capacidade Produtiva foi lançado em 2015 durante encontro do primeiro-ministro Li Keqiang com a então presidente Dilma Rousseff (PT)

Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial (Divulgação/PR)
Reportagem de Daniel Rittner e Ana Krüger, na edição desta quinta-feira (7) do Valor Econômico, informa que a China travou o primeiro desembolso ao Brasil do fundo multibilionário idealizado pelos dois países em razão dos discursos de Jair Bolsonaro (PSL), que prega um claro alinhamento com os Estados Unidos, preterindo a relação com os asiáticos. O Fundo de Cooperação Brasil-China para Expansão da Capacidade Produtiva, lançado em 2015 durante encontro do primeiro-ministro Li Keqiang com a então presidente Dilma Rousseff (PT), demorou quase três anos para ser estruturado e chegar à lista final de candidatos aos primeiros aportes. Segundo a...

Reportagem de Daniel Rittner e Ana Krüger, na edição desta quinta-feira (7) do Valor Econômico, informa que a China travou o primeiro desembolso ao Brasil do fundo multibilionário idealizado pelos dois países em razão dos discursos de Jair Bolsonaro (PSL), que prega um claro alinhamento com os Estados Unidos, preterindo a relação com os asiáticos.

O Fundo de Cooperação Brasil-China para Expansão da Capacidade Produtiva, lançado em 2015 durante encontro do primeiro-ministro Li Keqiang com a então presidente Dilma Rousseff (PT), demorou quase três anos para ser estruturado e chegar à lista final de candidatos aos primeiros aportes.
Segundo a reportagem, a linha de transmissão responsável pelo escoamento de energia da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA) até o Rio de Janeiro estava praticamente definida como desembolso inaugural. Orçado em quase R$ 10 bilhões, o linhão está em obras e tem previsão de entrega para dezembro.

Na reta final das tratativas, no entanto, declarações de Bolsonaro sobre os investimentos chineses no país levaram Pequim a colocar um freio na liberação dos recursos. De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, foi nítida a percepção de que os chineses preferem aguardar para saber como vão ficar as relações bilaterais.

Em pleno segundo turno, Bolsonaro queixou-se de que a China, responsável por US$ 69,2 bilhões em investimentos no Brasil acumulados de 2003 a 2018, “não está comprando no Brasil, está comprando o Brasil”. Já na liderança das pesquisas, ele ainda falou sobre a China para ilustrar suas preocupações com a privatização da Eletrobras: “Quando você vai privatizar, você vai privatizar para qualquer capital do mundo? Vai deixar o Brasil na mão do chinês?”.

A reportagem cita, como último entrave, as declarações do guru Olavo de Carvalho sobre a viagem de congressistas do PSL, partido de Bolsonaro, à China. Na ocasião, Olavo cobrou o governo. “Cadê o Executivo? O Executivo vai deixar esses caras irem para lá e entregar o Brasil ao poder chinês?”

A trava imposta na liberação do primeiro desembolso surge como alerta dos potenciais estragos causados por essa retórica.

Leia a reportagem na íntegra.

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