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04 de junho de 2013, 16h13

DJ “nazi” afirma fascínio pela 2º Guerra Mundial e é cortado da Parada de Sto. André

Para Enrico Tank, as suas tatuagens não trazem conotação preconceituosa

Para Enrico Tank, as suas tatuagens não trazem conotação preconceituosa e são mal interpretadas no Brasil 

Por Igor Carvalho

Para Tank, símbolos são mal interpretados por brasileiros (Foto: Reprodução)

Após ver suas tatuagens associadas a símbolos nazistas e racistas, o DJ Enrico Tank afirmou que foi mal interpretado e que os desenhos não o tornam preconceituoso. Após o texto publicado pelo grupo Rash-SP, o músico foi cortado da programação da Parada do Orgulho LGBT de Santo André, por reforçar o “preconceito velado” contra homossexuais.

Tank afirma que as tatuagens não possuem conotação “ideológica”, e afirmou seu fascínio pela 2º Guerra Mundial. O DJ refuta aos brasileiros a má interpretação dos seus símbolos, que teria outros significados fora do país, segundo o músico.

Mas, a reação da comunidade LGBT nas redes sociais já surtiu efeito. Marcelo Gil, presidente da Parada do Orgulho LGBT de Santo André, afirmou que o DJ já foi cortado da programação do evento. 

“Se colocarmos ele para tocar na Parada, vamos estar estimulando esse tipo de organização e comportamento na Parada. Ele realmente já tocou mas não tínhamos acesso a essas informações”, afirma Gil, que quer evitar problemas futuros, como “violência”. “O maior desafio dos gays é o preconceito velado, esse DJ, com essa posição, vai reforçar a ideia do preconceito velado.”

Confira a íntegra da entrevista de Enrico Tank.

Fórum: O que você pode dizer sobre o conteúdo do texto publicado no blog?
Enrico Tank: Eu só toco em balada gay. Se você for na minha casa vai ver muitos quadros da 2º Guerra Mundial, eu sou fissurado por esse tema. Quando eu morava fora, ninguém se importava com isso, só aqui no Brasil que esses símbolos tem conotação racista, não entendo isso.

Fórum: Mas, por trás dos símbolos existe uma ideologia, você não está propagando, junto, esses ideais?
Enrico Tank: Eu tive uma criação muito regrada, meu pai é fotógrafo e nunca me passou nada de militarismo, nunca passei por escola militar, nem nada disso. Eu gosto do tema, mas isso não influenciou minha ideologia, nunca andei com nazistas, pode procurar em todo meu histórico.

Fórum: E os símbolos, como os escolheu?
Enrico Tank: Eu não tenho nada contra negros nem gays. A cruz celta é só uma celta, cara. Meu punho cerrado é pintado com a bandeira de Porto Rico, porque sou descendente de latinos. 

Fórum: Mas não aparece a bandeira de Porto Rico na tatuagem.
Enrico Tank: É que nessa foto não tinha ainda, eu mexi na tatuagem faz pouco tempo e agora tem a bandeira. O punho cerrado é só um símbolo de resistência, que o White Power usa, mas que muitos outros usam.

Fórum: E o Benito Mussolini tatuado em seu braço…
Enrico Tank: Cara, deixa só eu falar algo. O Mussolini não é racista, ele é fascista. A minha descendência italiana me fez fazer essa tatuagem dele. Só isso.