09 de outubro de 2018, 16h34

Do exterior, dois ativistas comandam a disseminação de fake news em grupos de whatsapp pró Bolsonaro

De Portugal e dos EUA, eles administram ao menos 50 grupos que atingem cerca de 10 mil pessoas no Brasil. "Daí elas replicam e acaba viralizando na rede WhatsApp".

Carlos Nacli e Newton Martins (Reprodução/Facebook)

Juntos, eles administram ao menos 50 grupos de whatsapp disseminando fake news em prol da candidatura do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), que atingem cerca de 10 mil pessoas em uma primeira camada. “Diretamente abordamos 10 mil pessoas de todas as partes do Brasil. Daí elas replicam e acaba viralizando na rede WhatsApp”, diz Carlos Nacli, que propaga, da Europa – onde vive atualmente – também mensagens com cunho patriótico e nacionalista para a candidatura do militar da reserva.

Educador físico e ex-empresário de lutas de vale-tudo, Nacli mora atualmente em Portugal e atua na guerra virtual de Bolsonaro ao lado de Newton Martins, brasileiro que vive hoje em Boston, nos Estados Unidos – e se classifica como ativista político, entusiasta das mídias sociais e servidor público em seu perfil no Facebook.

Newton também é administrador da página do Movimento Nas Ruas, que tem mais de 810 mil seguidores e faz campanha abertamente para Bolsonaro, distribuindo memes e convocando protestos. O movimento é um dos que nasceram e ganharam força durante o golpe parlamentar ocorrido em 2016 e depois foram usados para disseminar ideologia da ultra-direita no país, seguindo a cartilha de Stevie Bannon, guru do movimento internacional ultra-liberal, ex-assessor de Trump e conselheiro da campanha de Bolsonaro.

Em entrevista, via whatsapp, ao jornal El País, Nacli diz que a atuação nas redes é “voluntária”, para combater “notícias no mínimo tendenciosas para não falar maldosas no intuito de desconstruir o Bolsonaro”.

Ele admite que há uma guerra virtual nas eleições entre a “grande mídia tendenciosa” e a mídia nas redes sociais, “onde tem de tudo, mas com certeza é mais democrática e está se mostrando mais poderosa”. “Temos a certeza que esse efeito multiplicador das redes sociais é mais forte que qualquer grande grupo, ainda mais quando eles lançam notícias maldosas. Em resumo, nosso trabalho aqui é fazer o feitiço virar contra o feiticeiro”, diz.

Morador de Curitiba até 3 meses atrás, Nacli diz ter se mudado para Portugal – país administrado por uma coalizão política de esquerda – porque o “Brasil está muito ruim”. “Lá, independentemente de ideologias, o básico que todo ser humano deveria ter, tem”, diz, antes de declarar que não pretende voltar ao Brasil, mesmo com uma vitória de Bolsonaro.

Em sua página no Facebook, com pouco mais de 150 seguidores, Nacli é pouco atuante. No entanto, alguns vídeos publicados por ele – identificados como Programa Contra Ataque – aglutinam diversas fake news e mensagens que são disseminadas por apoiadores de Bolsonaro nas redes, sempre acompanhado de hashtags com alusões à candidatura do militar e sob a descrição “Somos o exército de Bolsonaro”.

Ativismo em Boston
No continente americano, Newton se mostra um soldado atuante do exército bolsonarista. Além de convocar passeatas e debates em prol das ideias do militar na terra de Donald Trump, ele se comunica pelas redes sociais e cumprimenta candidatos da extrema-direita, como Janaina Paschoal. “Minha amada venceu”, diz ele em post após a confirmação da eleição de uma das artífices do golpe ser confirmada na Câmara Federal.

Em vídeo divulgado na segunda-feira pós eleição (8), Newton cumprimenta os candidatos da extrema-direita pela eleição. “Parabéns a Carla Zambelli, a Janaina Paschoal, ao Alê Silva, vocês conseguiram, venceram as eleições. E é muito satisfatório saber que nós participamos dessa caminhada juntos com vocês”, diz, antes de anunciar o dia de descanso e “voltar a lutar para eleger Bolsonaro presidente do Brasil no segundo turno”.

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