Doria processa militante do PSB errado que o teria chamado de ‘mentiroso’
13 de julho de 2018, 07h37

Doria processa militante do PSB errado que o teria chamado de ‘mentiroso’

Doria foi recebido na cidade de Santos, litoral de São Paulo, por manifestantes fantasiados de Pinóquio aos gritos de "mentiroso" e "enganador”. Reveja o vídeo

Pinóquios protestam contra Dória em Santos. Foto: Reprodução

O pré-candidato governo paulista, João Doria (PSDB), entrou com duas queixas-crime na quarta-feira (11) em que cita filiados ao PSB, partido do governador Márcio França, seu opositor na disputa de outubro.

Em uma delas, no entanto, Doria errou e apontou o secretário especial da Executiva estadual do PSB, José Avelino Pereira, como um dos manifestantes que protestaram contra ele em Santos, no dia 29 de junho. Avelino Pereira foi identificado equivocadamente como o manifestante que segura o microfone. O erro foi identificado pela reportagem.

Segundo Flávio Costa Pereira, advogado de Doria, a defesa do pré-candidato fará um aditamento para consertar a informação na queixa.

Doria foi recebido na cidade de Santos, litoral de São Paulo, por manifestantes fantasiados de Pinóquio aos gritos de “mentiroso” e “enganador”.

Uma das queixas-crime cita 13 pessoas —apenas três delas identificadas pelo nome, o restante é descrito só fisicamente— que teriam cometido crime de injúria e difamação. Um vídeo de pouco mais de um minuto é mencionado como prova na queixa.

O advogado, contudo, diz que o secretário do PSB e seu filho Igor Pereira —identificado na ação como presidente do PSB em Itatiba (SP)— continuarão como autores dos crimes de injúria e difamação na queixa por serem, segundo a defesa, proprietários da empresa à qual pertence o caminhão equipado com caixas de som mostrado nas imagens.

“Vamos mudar a contextualização dos fatos, mas a participação dele está configurada”, diz o advogado. “Ele é proprietário do veículo que estava lá disponível para essa atividade. É por isso que ele está inserido no contexto dos fatos criminosos.”

A Folha tentou contato com Avelino Pereira e seu filho, sem sucesso.

No vídeo, o homem que segura o microfone diz que Doria “não vale nada”, “nos enganou” e “nos usou para ser eleito prefeito”. Faixas seguradas por outros manifestantes trazem frases como “Doria não tem palavra” e “Amarelou… Tenha dó…ria”, e há dois bonecos infláveis que imitam o personagem Pinóquio com o rosto do ex-prefeito.

Questionado se a queixa-crime não afronta a liberdade de manifestação, o advogado Fernando José da Costa, que assina o documento, diz que os manifestantes que aparecem no vídeo não fazem críticas, mas acusações ao tucano.

“Manifestação é legítima e necessária, o que não se pode é extrapolá-la cometendo o crime de difamação e injúria, e isso o João Doria não vai permitir”, afirma.

 


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