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12 de julho de 2013, 19h51

Mario Saad: “Aluno de universidade pública deve retribuir o investimento à sociedade”

Diretor da faculdade de Ciências Médicas da Unicamp concorda com obrigatoriedade de estudantes de medicina trabalharem no SUS

Diretor da faculdade de Ciências Médicas da Unicamp concorda com obrigatoriedade de estudantes de Medicina trabalharem no SUS, mas já como médicos formados

Da Redação

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o diretor da faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Mario Saad, afirmou que é dever de todo aluno de Medicina, formado em faculdades públicas, atuar por um ou dois anos em serviços públicos de saúde.

A opinião de Saad destoa da posição de entidades representativas de médicos, que condenaram sumariamente a iniciativa da presidenta Dilma Rousseff de obrigar médicos, formados em instituições públicas ou privadas, a atuarem no SUS (Sistema Único de Saúde).

“É desnecessário aumentar a duração do curso. Mas, na minha opinião, é dever de todo aluno que estuda em universidade pública retribuir o investimento à sociedade. 
Assim, defendo que quem estudou em universidade pública trabalhe na rede pública, por um ou dois anos, na forma de serviço social obrigatório”, disse, em entrevista ao jornal.

Entretanto, Saad faz ressalvas à proposta da presidenta. Para ele, o estudante formado em universidades públicas deveria trabalhar no SUS por um ou dois anos como forma de serviço social obrigatória, mas já como médico formado. Desta maneira, segundo Saad, o profissional seria remunerado corretamente e poderia responder amplamente por seus atos enquanto médico. Ele ainda diz que o fato do médico ainda ter status de estudante enquanto trabalha no SUS pode trazer “insegurança à população”.

O diretor da Faculdade de Ciências Médicas acredita que o governo deveria, ao invés de criar novas vagas de Medicina, ampliar as vagas de faculdades com qualidade comprovada, desde que se comprometa a fechar os cursos ruins.

“Proponho que as boas faculdades, como USP, Unicamp, Unesp e Unifesp, possam ampliar suas vagas, com ajuda do governo federal, desde que ele se comprometesse a fechar os cursos ruins. De qualquer forma, o governo teve o mérito de trazer à discussão a falta de médicos que existe em algumas regiões do país”, defende Saad.

Com informações do jornal Folha de S.Paulo. 

(Foto: Divulgação / FCM-Unicamp)