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18 de julho de 2017, 10h24

Duas travestis assassinadas só em julho. Uma por R$ 50,00. A outra, para ‘limpar o mundo’

Larissa foi esfaqueada em um assalto em Cuiabá. Sophia foi baleada em João Pessoa por um sargento da PM. Ele alegou que sua “missão era acabar com homossexuais”. Segundo levantamento, o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais do mundo.

Larissa foi esfaqueada em um assalto em Cuiabá. Sophia foi baleada em João Pessoa por um sargento da PM. Ele alegou que sua “missão era acabar com homossexuais”. Segundo levantamento, o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais do mundo.

Da Redação*

Cleverson Oliveira dos Santos, suspeito de matar a travesti Larissa Valverde, de 24 anos, no dia 2 de julho, foi preso nesse final de semana em Sorriso, a 420 km de Cuiabá. Ele teria cometido o crime para roubar R$ 50 da vítima. Essa é a principal conclusão da Polícia Civil, que investiga o caso. O suspeito confessou o crime, mas negou ter roubado o dinheiro.

Em João Pessoa, diversos militantes, ativistas, amigos e conhecidos se reuniram na tarde de sábado (15), às 18h, na Praça Bela Funcionários II, para pedir Justiça para Anna Sophia, travesti de 16 anos assassinada a tiros no dia 8 de julho.

O acusado é o sargento reformado da Polícia Militar, Antônio Rêgo Sobrinho, que foi preso no dia 11, na cidade de Teixeira e admitiu o assassinato. Em depoimento, ele disse que sua “missão era acabar com homossexuais”.

Segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga associação de defesa dos homossexuais e transexuais do Brasil, o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais do mundo. Só em 2016 foram 347 mortes, o maior número desde que é feita a pesquisa, há 37 anos.

O corpo de Larissa foi encontrado no estacionamento de um supermercado em Sorriso. De acordo com o delegado André Ribeiro, ainda existe a suspeita que Cleverson tenha cometido o crime sob efeito de droga.

“Ele nega que tenha subtraído os R$ 50 da bolsa da vítima e disse que houve uma discussão entre eles. Mas ele confessou que o matou. Eles não se conheciam e ele alegou que a vítima o tinha convidado para fazer um programa, que ele teria recusado”, comentou o delegado.

A polícia não acredita na versão de que Larissa o chamou para um programa. “Ele cometia diversos furtos na cidade e, de certo, viu a vítima em uma situação de vulnerabilidade muito grande e se aproveitou dessa situação para cometer o crime”, afirmou o delegado.

Conforme a Polícia Civil, Cleverson será indiciado pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe. Ele foi encaminhado nesta segunda-feira (17) ao Centro de Ressocialização de Sorriso (CRS).

O crime

Larissa foi assassinada com várias perfurações nas costas, possivelmente provocadas por uma chave de fenda, encontrada ao lado do corpo. Na época, a perícia disse que não havia sinais de que a vítima tenha tentado se defender. O assassino ainda colocou no ânus de Larissa uma embalagem que seria de desodorante. A bolsa da vítima, que fazia programas, conforme uma conhecida contou à polícia, estava vazia e jogada no chão.