13 de julho de 2018, 09h34

Durante governos tucanos, PCC se transforma na maior organização criminosa da América do Sul

“O que falta ao PCC para se tornar uma organização mafiosa é a capacidade de lavar dinheiro, mas isso será obtido em breve, por causa do tráfico internacional”, disse Gakiya

(Promotor de Justiça Lincoln Gakiya – Foto: Arquivo Pessoal)

O promotor Lincoln Gakiya já denunciou criminalmente mais de 300 membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos últimos cinco anos. Ele foi testemunha das transformações que fizeram com que o grupo deixasse de ser uma facção dos presídios paulistas para se tornar a “maior organização criminosa da América do Sul”.

Uma transformação que caminha lado a lado com a primeira eleição dos tucanos em São Paulo, em 1994, com Mário Covas. Naquele momento ainda não se ouvia falar em PCC, que cresceu vertiginosamente durante a posterior perpetuação do PSDB em São Paulo, demonstrando uma grande fragilidade na política de Segurança pública.

Em entrevista ao Estadão, nesta sexta-feira (13), ele falou sobre a organização criminosa.

“O que falta ao PCC para se tornar uma organização mafiosa é a capacidade de lavar dinheiro, mas isso será obtido em breve, por causa do tráfico internacional”. Gakiya afirma que o grupo está filiando paraguaios e bolivianos e diz que a disputa pelas rotas do tráfico obrigou o PCC a matar mais de cem integrantes do Comando Vermelho (CV). E há ainda o ataque ao Estado. “O PCC adotou uma tática terrorista: mata aleatoriamente agentes prisionais ou policiais para espalhar o terror”, disse.

O promotor diz ainda que “O PCC não tem fronteiras e conta com a ineficiência do Estado brasileiro. Eu só posso atuar em São Paulo, mas ele atua em todo País. Não temos uma agência nacional ou uma força-tarefa multi-institucional de combate ao crime organizado, capaz não só de ditar políticas, mas também de executar operações, como na Itália. Falta integração entre as polícias e os Ministérios Públicos. Não conseguimos trabalhar juntos. Em 27 anos como promotor nunca vi isso. Talvez, antes de me aposentar, ainda consiga ver”, conclui.

Leia a entrevista completa no Estadão