LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS

Modelo de família, mudança de sexo e MST: As preocupações do Congresso na aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias

Bolsonaristas consequem aprovar destaque completamente descabido enquanto importante apontamento do Psol sobre meta fiscal anual foi rejeitado

Sessão da Câmara dos Deputados que aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2024.Créditos: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Escrito en ECONOMIA el

O bolsonarismo realmente proporciona situações no mínimo bizarras ao cotidiano brasileiro. Dessa vez, nesta terça-feira (19), temas como “modelo de família”, “mudança de sexo” e “ocupação de terras” foram a principal preocupação de parte dos parlamentares durante a sessão que aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2024, que estabelece os critérios para a elaboração do Orçamento da União no próximo ano.

A LDO é bastante progressiva quando falamos da previsão de um salário mínimo de R$ 1413, superior até mesmo às projeções do presidente Lula que estavam em R$ 1389. Atualmente o salário mínimo é de R$ 1320 e seu fortalecimento é importante especialmente por ser usado como base de cálculo para benefícios de programas sociais.

Sobre emendas parlamentares, para as individuais e de bancadas estaduais foi estabelecido um valor mínimo de R$ 11 bilhões. O total estipulado, somando todas as emendas, chega a R$ 49 bilhões. As emendas precisam ser contratadas ainda no primeiro semestre de 2024 e em caso de contingenciamento de recursos para atingir a meta fiscal, os cortes devem ser proporcionais em relação a outras despesas não obrigatórias. Deputados da bancada do Governo são contrários à norma e defenderam que houvesse limite aos gastos com emendas.

A meta fiscal para 2024 é zerar o déficit das contas públicas. Segundo o Governo, o limite de contingenciamento para atingir a meta estaria em torno de R$ 23 bilhões, enquanto a Consultoria de Orçamento da Câmara diverge e aponta cortes de até R$ 56 bilhões para que a meta fosse atingida.

Entre as prioridades do orçamento estão ações integradas de saúde e educação, especialmente aquelas destinadas a crianças com autismo; incentivo a energia renovável; erradicação da fome; incentivo ao empreendedorismo feminino; apoio à educação de pessoas com altas habilidades; e fortalecimento das delegacias que atendem mulheres e meninas vítimas de violência sexual e doméstica.

O texto já havia sido aprovado na última quarta-feira (13) na Comissão Mista Orçamentária e na presente sessão passou sem delongas. Os debates se ocuparam de dois destaques, um colocado pelo Psol e o outro pelo PL.

O Psol propôs dar maior flexibilidade à meta fiscal anual, de déficit zero para até 1% do PIB. A ideia era que o Governo pudesse ter maior margem para direcionar verbas de relator e maior flexibilidade para atender aos programas sociais. É claro que o destaque foi rejeitado. Nas palavras do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), a prerrogativa de estabelecer a meta é do Poder Executivo.

Por sua vez, o destaque de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) já tinha sido rejeitado pelo relator e em votação. Mas o filho zero-três do ex-presidente inelegível a apresentou como um destaque a ser votado em separado. Foi nesse momento que 445 deputados federais começaram a debater sobre ocupações de terras, trocas de sexo e modelos de família em plena sessão que votava a LDO 2024.

Diz o destaque a União não pode gastar com nada que promova, direita ou indiretamente, ocupação de terras; “ações tendentes a influenciar crianças e adolescentes a terem opções sexuais diferentes do sexo biológico”; ações que questionem ou flexibilizem o conceito tradicional de família; cirurgias de mudanças de sexo em crianças e adolescentes; e aborto.

E 305 deputados votaram a favor do destaque enquanto 140 foram contrários. A LDO 2024 agora vai para a sanção presidencial.

Leia o descabido destaque de Eduardo Bolsonaro

Art.....É vedado à União realizar despesas que, direta ou indiretamente, promovam, incentivem ou financiem:

I – invasão ou ocupação de propriedades rurais privadas;

II - ações tendentes a influenciar crianças e adolescentes, da creche ao ensino médio, a terem opções sexuais diferentes do sexo biológico;

III – ações tendentes a desconstruir, diminuir ou extinguir o conceito de família tradicional, formado por pai, mãe e filhos; e

IV – cirurgias em crianças e adolescentes para mudança de sexo.

V – realização de abortos, exceto nos casos autorizados em lei.