15 de julho de 2018, 09h21

Editorial da Folha condena açodamento das delações premiadas contra Lula entre outros

“Colocam-se em dúvida, mais uma vez, inquéritos amparados basicamente em delações, por fundamentais que estas sejam”, diz o texto

Em editorial publicado neste domingo (15), o jornal Folha de S.Paulo condena o uso abusivo da delação premiada e o recurso das prisões preventivas e provisórias, sobretudo no caso “em que o juiz federal Ricardo Leite absolveu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o banqueiro André Esteves, o ex-senador Delcídio do Amaral (MS) e outros quatro acusados de obstrução da Justiça”. O jornal lembra que “o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu em novembro de 2015 a prisão de Delcídio e Esteves, entre outros, o que foi determinado pelo Supremo Tribunal Federal”. Ainda de acordo com o editorial, “o...

Em editorial publicado neste domingo (15), o jornal Folha de S.Paulo condena o uso abusivo da delação premiada e o recurso das prisões preventivas e provisórias, sobretudo no caso “em que o juiz federal Ricardo Leite absolveu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o banqueiro André Esteves, o ex-senador Delcídio do Amaral (MS) e outros quatro acusados de obstrução da Justiça”.

O jornal lembra que “o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu em novembro de 2015 a prisão de Delcídio e Esteves, entre outros, o que foi determinado pelo Supremo Tribunal Federal”.

Ainda de acordo com o editorial, “o episódio acirrou as tensões de um ambiente político em que se iniciava o debate em torno do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT)”, recorda.

Par a Folha, “o desenrolar desse caso mostrou a fragilidade das evidências que basearam a detenção —e um processo de quase três anos”.

Próximo do final do final do texto, o jornal pergunta “quão vulgar se tornou o recurso ao encarceramento provisório? Como autoridades podem ser responsabilizadas por decisões açodadas e mal fundamentadas?”

Para, enfim, concluir: “Colocam-se em dúvida, mais uma vez, inquéritos amparados basicamente em delações, por fundamentais que estas sejam. É lugar comum dizer que tal instrumento deve ser escorado por evidências mais concretas. Neste e noutros casos de ampla repercussão, não se pode dizer que tais cuidados tenham sido tomados”, finaliza.