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22 de janeiro de 2019, 18h52

“Ele dá medo”: Discurso de Bolsonaro é considerado “fiasco” em Davos

"O Brasil merece alguém melhor", disse o economista Robert Shiller, vencedor do Prêmio Nobel em 2013, ao sair da sessão plenária em que Bolsonaro discursou no Fórum Econômico Mundial; discurso curto e raso do presidente decepcionou investidores, chefes de Estado e jornalistas, que chegaram a classificar a fala do presidente brasileiro como "bizarra"

Foto: Christian Clavadetscher/Fórum Econômico Mundial
O discurso curto, raso e sem detalhes de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira (22) em Davos, na Suíça, soou como um verdadeiro fiasco. No final da plenária em que o presidente brasileiro discursou, a principal crítica veio de ninguém menos que o prêmio Nobel de Economia em 2013, Robert Shiller, considerado um dos maiores economistas do mundo. “Ele me dá medo. O Brasil é um país grande e merece alguém melhor”, disse o economista a um repórter do jornal Valor, para a decepção da comitiva brasileira, já que Bolsonaro reforçou em seu discurso o interesse em atrair investidores...

O discurso curto, raso e sem detalhes de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira (22) em Davos, na Suíça, soou como um verdadeiro fiasco. No final da plenária em que o presidente brasileiro discursou, a principal crítica veio de ninguém menos que o prêmio Nobel de Economia em 2013, Robert Shiller, considerado um dos maiores economistas do mundo.

“Ele me dá medo. O Brasil é um país grande e merece alguém melhor”, disse o economista a um repórter do jornal Valor, para a decepção da comitiva brasileira, já que Bolsonaro reforçou em seu discurso o interesse em atrair investidores para o país.

Novamente questionado pelo repórter se o discurso de Bolsonaro não havia passado uma boa impressão, Shiller ponderou que “foi uma benção”, mas em seguida voltou a criticar, em tom irônico: “O discurso de Trump no ano passado também foi”.

Não foi só a Shiller que Bolsonaro desagradou. Brian Winter, diretor do Council of the Americas e editor-chefe do Americas Quartely, afirmou que o “discurso do presidente foi bem menor do que o esperado” e, segundo ele, um amigo teria classificado a intervenção do capitão da reserva como “bizarra”.

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Jornalistas estrangeiros também teceram críticas à fala do ex-deputado federal. Sylvie Kaufmann, do norte-americano The New York Times, chegou a dizer que Bolsonaro “não se encaixa ao público de Davos” e percebeu o tom de “campanha” de sua fala. “Discurso de campanha curto, muito generalista”, disparou. Na mesma linha foi  Heather Long, do Washington Post, que chamou a intervenção do presidente brasileiro de “enorme fiasco”.

Já o jornalista Jamil Chade, do jornal O Estado de São Paulo, disse que nunca viu no Fórum um discurso de presidente de menos de 10 minutos. Chade cobre Davos há dez anos.

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