03 de dezembro de 2018, 08h57

Eleições na Andaluzia: “É como se o PT perdesse o Nordeste para a direita”, explica professora

Esther Solano Gallego lembra ainda que Francisco Serrano, “o líder do VOX em Andaluzia é um juiz que diz que ‘não é político’"

Foto: Divulgação

A extrema-direita, através do Partido Vox, elegeu, neste domingo (2), 12 deputados na Câmara da Andaluzia, na Espanha. Com 99,7% dos votos apurados, o partido liderado por Santiago Abascal soma mais de 391.000 votos (10,9%). Há, no caso, uma tradição que foi rompida, 36 anos depois. Desde que Blas Piñar deixou sua cadeira na Câmara dos Deputados em 1982, nenhuma força com essas características tinha voltado a pisar em um parlamento do país.

Como explica em sua conta no Facebook a socióloga espanhola e professora da Unifesp, Esther Solano Gallego, “amigos, hoje foram as eleições na região de Andaluzia, na Espanha, o feudo do socialismo espanhol. Pela primeira vez em 38 anos de governo socialista, o PSOE perderá o poder lá. É como se o PT perdesse o Nordeste para a direita”, escreveu.

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Esther lembra ainda que Francisco Serrano, “o líder do VOX em Andaluzia é um juiz que diz que ‘não é político’. Assustadoramente igual dos dos lados do Atlântico”, alerta, lembrando Sérgio Moro.

Nos discursos do Vox, assim como no de Jair Bolsonaro (PSL), presidente eleito no Brasil, não havia mentiras nem meias palavras: o nacionalismo espanhol, o anti-independentismo, mensagens contra a imigração, a lei da memória histórica e a lei contra a violência de gênero; além de constantes elogios às forças de segurança e ao Exército.

Até a candidata de extrema-direita derrota nas últimas eleições francesas, Marine Le Pen, líder do Agrupamento Nacional (ex-Frente Nacional), cumprimentou o partido de extrema-direita espanhol: “Minhas sinceras felicitações aos nossos amigos do Vox, que nesta noite obtiveram um resultado muito significativo para um movimento jovem e dinâmico”, escreveu no Twitter. Por outro lado, os jornalistas do jornal Contexto e da emissora de televisão La Sexta denunciaram que não foi permitido que entrassem no hotel reservado para acompanhar a apuração.

Contrário ao aborto e ao casamento homossexual, o partido de extrema-direita concentrou grande parte de seus ataques aos imigrantes e aos muçulmanos. E explorou essa estratégia. “O Vox foi o partido que marcou o debate político nestas eleições. Colocamos sobre a mesa o controle das fronteiras e acabar com a invasão da imigração ilegal”, disse Javier Ortega, secretário-geral do partido, depois de conhecer as primeiras estimativas. “São uma invasão que vem para nos substituir”, repetiram seus líderes nos comícios, onde não pouparam mensagens xenófobas.

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Com informações do El País