15 de novembro de 2018, 14h29

Eliane Brum: “O chanceler de Bolsonaro acredita que mudança climática é uma ideologia”

“A maioria (porque a maioria não votou em Bolsonaro) sabe que está ferrada. Mas cada dia a gente percebe que está muito, mas muito mais ferrada do que sequer poderia imaginar. A escolha de alguém com esta mentalidade num momento crítico para a vida no planeta é uma catástrofe”, diz a jornalista

Foto: Reprodução/YouTube

A jornalista Eliane Brum fez críticas a escolha de Ernesto Araújo para ser o futuro Ministro das Relações Exteriores.  Pelo Facebook e pelo Twitter, ela manifestou sua discordância: “Como os bolsocrentes transformam tudo em ideologia – parte por estratégia, parte por ignorância -, o ministro de Relações Exteriores de Bolsonaro acredita que mudança climática é uma ideologia (!!!) A vergonha é superável. O problema é o que isso significará para o Brasil num governo Bolsonaro. E para a Amazônia”.

Acompanhem a íntegra do texto:

“O chanceler que representará o Brasil a partir de 2019 NÃO acredita em mudança climática. Como se fosse uma questão de acreditar ou não acreditar, como ET de Varginha e Mula Sem Cabeça. Quando os mais respeitados cientistas do mundo na área do clima alertam que temos 12 anos para promover ações para impedir que o aquecimento global supere os 1,5 graus Celsius, quando milhões de pessoas já são atingidas pelos efeitos da mudança climática, quando o Ártico degela… é um homem com estas ideias que teremos para representar o Brasil no mundo.

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Como os bolsocrentes transformam tudo em ideologia -parte por estratégia, parte por ignorância -, o ministro de Relações Exteriores de Bolsonaro acredita que mudança climática é uma ideologia. (!!!)

É muita vergonha. Mas a vergonha é superável. O problema é o que isso significará para o Brasil num governo Bolsonaro. E para a Amazônia.
A maioria (porque a maioria não votou em Bolsonaro) sabe que está ferrada. Mas cada dia a gente percebe que está muito, mas muito mais ferrada do que sequer poderia imaginar. A escolha de alguém com esta mentalidade num momento crítico para a vida no planeta é uma catástrofe. Mesmo.

Obrigada por chamar a atenção para este tema, Ana Paula Dutra Aguiar.

Vejam o que Ernesto Araújo escreveu no seu blog, sob o título “Sequestrar e perverter”, e comprovem por si mesmos o tamanho do nosso abismo:

‘A tática da esquerda consiste essencialmente no seguinte: sequestrar causas legítimas e conceitos nobres e pervertê-los para servir ao seu projeto político de dominação total.

A causa ambiental é um bom exemplo. Quem pode ser contra a preservação da natureza e a utilização responsável de seus recursos? A causa ambiental foi lançada pelos escritores românticos do final do Século XVIII e começo do Século XIX, um movimento conservador por excelência, surgido em reação à irrupção da esquerda no mundo sob a forma Revolução Francesa, cuja proposta era destruir a natureza – começando pela natureza humana. Ao longo do tempo, entretanto, a esquerda sequestrou a causa ambiental e a perverteu até chegar ao paroxismo, nos últimos 20 anos, com a ideologia da mudança climática, o climatismo. O climatismo juntou alguns dados que sugeriam uma correlação do aumento de temperaturas com o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, ignorou dados que sugeriam o contrário, e criou um dogma “científico” que ninguém mais pode contestar sob pena de ser excomungado da boa sociedade – exatamente o contrário do espírito científico.

Esse dogma vem servindo para justificar o aumento do poder regulador dos Estados sobre a economia e o poder das instituições internacionais sobre os Estados nacionais e suas populações, bem como para sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China. (Parte importante do projeto globalista é transferir poder econômico do Ocidente para o regime chinês; parte fundamental do projeto de Trump é interromper esse processo, o que já está ocorrendo.) O climatismo é basicamente uma tática globalista de instilar o medo para obter mais poder. O climatismo diz: ‘Você aí, você vai destruir o planeta. Sua única opção é me entregar tudo, me entregar a condução de sua vida e do seu pensamento, sua liberdade e seus direitos individuais. Eu direi se você pode andar de carro, se você pode acender a luz, se você pode ter filhos, em quem você pode votar, o que pode ser ensinado nas escolas. Somente assim salvaremos o planeta. Se você vier com questionamentos, com dados diferentes dos dados oficiais que eu controlo, eu te chamarei de climate denier e te jogarei na masmorra intelectual. Valeu?”’.

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