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19 de Janeiro de 2015, 15h42

Em 2016, 1% da população mundial terá mais riqueza do que outros 99%, aponta estudo

Relatório da ONG britânica Oxfam mostra que as 80 pessoas mais ricas do mundo têm aumentado seu patrimônio em ritmo ainda mais veloz nos últimos quatro anos.

Relatório da ONG britânica Oxfam mostra que as 80 pessoas mais ricas do mundo têm aumentado seu patrimônio em ritmo ainda mais veloz nos últimos quatro anos

Por Redação*

Em 2016, o volume de riquezas de 1% da população mundial deve ultrapassar o dos outros 99%. É o que prevê o estudo divulgado nesta segunda-feira (19) pela ONG britânica Oxfam Internacional.

Segundo  a organização, em 2009, o 1% mais rico do planeta concentrava 44% dos recursos mundiais. Em 2014, esta razão subiu para 48%. Caso o ritmo se mantenha, em 2016 a porcentagem de riqueza nas mãos dessa parcela da população deve ultrapassar os 50%.

O relatório aponta que, a partir de 2010, os mais abastados têm aumentado seu patrimônio a uma velocidade maior. Em 2010, as 80 pessoas mais ricas do mundo possuíam uma riqueza líquida de 1,3 bilhão de dólares. Em 2014, a riqueza conjunta das 80 figuras que encabeçam a lista da revista Forbes saltou para 1,9 bilhão de dólares, o que implica em um acréscimo de 600 milhões em apenas quatro anos. Atualmente, essas 80 pessoas detêm a mesma quantidade de recursos que os 50% mais pobres da população mundial.

De acordo com a Oxfam, a concentração de renda também está presente entre os 99% restantes, que acumulam, juntos, 52% da riqueza global. Deste percentual, 46% estão com um quinto da população, o que significa que a maior parte dela é proprietária de apenas 5,5% dos recursos mundiais.

Para a diretora executiva da organização, Winnie Byanyima, o aumento “descontrolado” da desigualdade atrapalha a luta contra a pobreza a nível mundial. “No ano passado, vimos líderes mundiais como Barack Obama e Christine Lagarde falando sobre a necessidade de combater a desigualdade extrema, mas ainda estamos esperando que muitos deles deem o exemplo. Chegou o momento de nossos líderes enfrentarem os interesses que impedem a existência de um mundo mais justo e próspero”, destacou.

Meritocracia?

O relatório revela o perfil das pessoas mais ricas do mundo. Considerando-se a lista dos 1.645 multimilionários elaborada pela Forbes, observa-se que quase 30% deles (492) são cidadãos estadunidenses. Mais de um terço já partiu de uma posição de riqueza, já que 34% herdaram a totalidade ou parte de sua fortuna.

Os multimilionários são, ainda, “um coletivo fundamentalmente composto por homens de idade média: 85% já superaram os 50 anos e 90% são homens”. Conforme a ONG, “o grupo dista muito de representar a realidade mundial”.

*Com informações da BBC e do El Diario

(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)