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26 de março de 2019, 08h09

Em ação pró-reforma, Estadão, Globo e Folha pedem em editoriais que Bolsonaro “desça do palanque”

Afinados com o sistema financeiro, jornais cobram melhor articulação de Bolsonaro para aprovação de pacote de maldades da Previdência. Enquanto o Estadão "procura um presidente", O Globo diz que "os riscos são os tuítes" e a Folha critica a "indigência" de ideias para substituir a "velha política"

Bolsonaro (Foto: Divulgação)
Em ação aparentemente orquestrada, os jornais O Globo e O Estado de S.Paulo cobraram, em seus respectivos editoriais nesta terça-feira (26), que Jair Bolsonaro (PSL) “desça do palanque” e assuma “suas tarefas políticas e institucionais”. Já a Folha colocou em xeque a “indigência de ideias da trupe bolsonarista” para substituir a chamada “velha política”. Afinados com o sistema financeiro e unidos em torno da defesa do pacote de maldades proposto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, os três maiores jornais do país imploram a Bolsonaro para que ele saia do Twitter e assuma uma postura de presidente, cobrando principalmente uma...

Em ação aparentemente orquestrada, os jornais O Globo e O Estado de S.Paulo cobraram, em seus respectivos editoriais nesta terça-feira (26), que Jair Bolsonaro (PSL) “desça do palanque” e assuma “suas tarefas políticas e institucionais”. Já a Folha colocou em xeque a “indigência de ideias da trupe bolsonarista” para substituir a chamada “velha política”.

Afinados com o sistema financeiro e unidos em torno da defesa do pacote de maldades proposto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, os três maiores jornais do país imploram a Bolsonaro para que ele saia do Twitter e assuma uma postura de presidente, cobrando principalmente uma articulação “adulta” com o Congresso.

No texto intitulado “Procura-se um presidente”, o Estado diz que Bolsonaro está “ocupado com questiúnculas que fazem a alegria de sua militância”.

“O sr. Bolsonaro drena as energias do País ao concentrar-se em temas de pouca relevância, mas com potencial de causar tumulto. O Estado noticiou, por exemplo, que o presidente está estimulando os militares a comemorar o aniversário do golpe militar de 31 de março de 1964. Tal iniciativa certamente trará grande satisfação para o eleitorado mais radical de Bolsonaro, mas pode criar desnecessário e inoportuno embaraço no momento em que o País precisa de união para aprovar duras reformas”, diz o Estadão.

Segundo o jornal, controlado em parte pela família Mesquita, Bolsonado demonstra uma “arrogância sem limites”, “como quando foi cobrado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a buscar votos para aprovar a reforma da Previdência, e respondeu que “a bola está com ele (Rodrigo Maia), eu já fiz minha parte, entreguei (o projeto da reforma)”.

“Das duas, uma: ou Bolsonaro acredita ser um mero despachante de projetos de lei, e não um líder político, ou, o que é mais provável, ele crê que deputados e senadores devem aprovar seus projetos porque, se não o fizerem, estarão atuando contra o Brasil, que está “acima de tudo”, e contra Deus, que está “acima de todos”. E ele, afinal, está onde?”

O Globo fala que “Bolsonaro precisa afinal assumir o seu mandato”, dizendo que “não se tem notícia de um presidente como Jair Bolsonaro, que tenha demorado tanto tempo para descer do palanque”.

“Vitorioso numa campanha em que se valeu muito das redes sociais, território adequado a mensagens curtas, quase sempre agressivas, e de pouca reflexão, o presidente demonstra dificuldades em mudar o tom e passar a governar, o que implica, numa democracia, negociar”, diz o texto, ressaltando que o capitão se comprometeu nesta segunda-feira (25) com a “reforma da Previdência” e com uma relação harmoniosa com o Legislativo: “o risco agora são os tuítes”.

Principal veículo de expressão política da família, Marinho, O Globo sai em defesa de Rodrigo Maia (DEM) e critica a “visão maniqueísta demonstrada até agora por Bolsonaro, filhos e seu grupo” ao classificar as negociações no Congresso entre “velha e nova política”.

“Não há caminho alternativo — como exemplificaram FH e Lula, na votação de projetos de seu interesse no Congresso —, nem negociação política deve ser confundida com fisiologismo. Política não é sinônimo de corrupção. Nomear indicados tecnicamente qualificados, sem que haja licença para roubar, é normal em qualquer grande democracia”, declara o editorial, fazendo ameaças.

“A presidente Dilma Rousseff fez vista grossa à roubalheira na Petrobras, mas usou o estilo Bolsonaro de se distanciar dos políticos. Seu destino é conhecido”.

Política, velha ou nova
A Folha de S.Paulo seguiu às críticas à visão “maniqueísta” da política, conforme ressaltado por O Globo, dizendo que “até se compreende o apego de Jair Bolsonaro e seus aliados ao mantra condenatório da ‘velha política'”, porém ressaltando que é “inquietante perceber a indigência das ideias da trupe bolsonarista para substituir os métodos e vícios do presidencialismo nacional”.

“Particularmente assustadora se mostrou uma manifestação recente do mandatário quanto à tramitação legislativa da crucial reforma da Previdência”, diz a Folha, alinhando-se aos interesses financistas.

Para a Folha, “Bolsonaro vai trair seu eleitorado, de fato, se formar uma aliança partidária baseada tão somente na cooptação fisiológica por meio de cargos e verbas públicas”. “A alternativa virtuosa, porém, não está na recusa do jogo político”.

Para o jornal da Família Frias, “nos limites do realismo, o caminho é a divisão transparente do poder, amparada tanto quanto possível em compromissos explícitos de agenda, sem deixar a busca por aprimoramentos institucionais”, ressaltando que, “passa da hora de o governo acordar para essa obviedade”.

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