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09 de dezembro de 2016, 18h36

Em entrevista, Jorge Viana conta porquê rejeitou a Presidência do Senado

“Não caí na tentação do poder. Eu não fui eleito para ser presidente do Senado, fui eleito pra ser vice”, explicou o senador do Acre. Por Redação O senador Jorge Viana (PT-AC) se viu envolvido no centro da crise institucional dessa semana. Foi de vice a presidente do Senado, acabou sendo arrastado para o centro do noticiário político nacional e viu seu nome ser fruto de diversas especulações. Em uma entrevista para a Agência PT, vinculada ao Partido dos Trabalhadores, Jorge Viana deu sua versão dos fatos e contou os motivos que o levaram a rejeitar o cargo de presidente do Senado....

“Não caí na tentação do poder. Eu não fui eleito para ser presidente do Senado, fui eleito pra ser vice”, explicou o senador do Acre.

Por Redação

O senador Jorge Viana (PT-AC) se viu envolvido no centro da crise institucional dessa semana. Foi de vice a presidente do Senado, acabou sendo arrastado para o centro do noticiário político nacional e viu seu nome ser fruto de diversas especulações.

Em uma entrevista para a Agência PT, vinculada ao Partido dos Trabalhadores, Jorge Viana deu sua versão dos fatos e contou os motivos que o levaram a rejeitar o cargo de presidente do Senado.  Ele explica como o golpe parlamentar foi o detonador de toda a crise política institucional atual, diz que “jamais faria o mesmo que eles fizeram”, explica como atuou para jogar a crise para longe do PT e, por fim, condena duramente a PEC 55, cuja segunda votação no Senado está marcada para a próxima terça-feira – “ela irá danificar o Brasil de morte”.

Leia abaixo a reprodução dos principais trechos:

O pano de fundo da atual crise política

Nessas 48 horas de crise institucional – onde, por uma decisão do ministro do STF Marco Aurélio, se determinou o afastamento do presidente do Senado, Renan Calheiros – tivemos mais uma consequência da gravíssima crise que o país está vivendo desde o falseado impeachment da presidenta Dilma. Tudo tem origem na intolerância daqueles que perderam a eleição de 2014, que resolveram sabotar o governo da presidenta, forjando um impeachment sem crime de responsabilidade. As consequências vieram fortemente: primeiro veio a crise econômica, que virou recessão, e que agora virou depressão econômica. Os indicadores sociais e econômicos só pioraram no governo Temer. O que eles vendiam de facilidades, do país melhorar imediatamente, está acontecendo exatamente o contrário. E a crise político-institucional ficou explícita. Um parlamento danificou nossa democracia, tirando a presidenta eleita e colocando um presidente sem legitimidade, e a ação do Supremo agravava a situação.

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“Não vou ser como eles”

E o que um vice-presidente faria numa situação dessas? O que me ocorreu é de não fazer com eles aquilo que eles fizeram conosco. Não virar uma espécie de Michel Temer, um Waldir Maranhão. O caminho que peguei foi fazer a mediação entre o Congresso e o Supremo. Sempre conversando e dando satisfação para a bancada. O que eu pedia é que não discutíssemos nada de pauta enquanto não tivéssemos uma decisão do pleno do Supremo sobre como ficaria a presidência do Senado.

Crise para longe do PT

Meu trabalho foi para evitar que essa crise viesse para o colo do PT, porque não é responsabilidade nossa. Vamos imaginar que ficássemos na mesma situação que tivemos com Dilma e Temer: dois presidentes. Um afastado, e eu, com minoria dos votos, sendo a primeira e a última palavra sobre as pautas-bomba do governo Michel Temer. Pautas que agravam a crise do pais, tiram direitos dos trabalhadores e ameaçam o social. Eu elogio a solução do Supremo porque vejo exclusivamente a parte institucional. Independente de quem esteja no posto, acho que presidência do Senado é prerrogativa do Senado, como a presidência da Câmara é da Câmara.

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Tentação golpista, não

Não caí na tentação do poder. Eu não fui eleito para ser presidente do Senado, fui eleito pra ser vice. Acho que não deveria fazer com eles o que fizeram com a gente; eu tinha que pensar o país. Meu mandato acaba na semana que vem, com o recesso do Senado.

Temer que se explique

Na semana que vem o Supremo entra em recesso, o Congresso entra em recesso, e vão ficar os inquilinos do Palácio do Planalto respondendo ao país às cobranças pela pauta que eles trazem, que danifica economia e ameaça os direitos dos trabalhadores.

Boatos de renúncia

Tentaram passar a ideia de que eu iria renunciar. Isso poderia ser mais um desejo de alguns membros do PMDB ou de outros partidos; nunca discuti ou pensei isso. Também passaram a ideia de que eu poderia agir de um jeito ou de outro com a agenda do Senado. E eu sempre agi com cautela, esperando a manifestação do pleno do Supremo. Ontem ficou muito claro que não tem sentido que um poder interfira na presidência de outro poder. A harmonia entre três poderes é fundamental para que o caos não se estabeleça no Brasil. Quem quebrou a harmonia entre os poderes foi quem deu o golpe parlamentar, tirando a presidente Dilma do poder.

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PEC 55

Estou trabalhando com a bancada, temos que evitar que o mal maior aconteça. Temos que evitar que essa pauta passe. Essa pauta, que atende aos clamores do mercado, que é quem dá as cartas hoje, agrava a situação de sofrimento do povo brasileiro e vai danificar o brasil de morte. Vai demorar muitos anos para o país se recuperar dessa crise que estão levando o Brasil a viver. Por muito menos, Fernando Henrique saiu do governo e ficou no ostracismo; não era levado nem ao palanque pelo PSDB.

 

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