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05 de novembro de 2013, 15h14

Em meio a negociações, Justiça autoriza reintegração de posse da reitoria da USP

DCE convocou estudantes para uma assembleia na qual decidirão os rumos do movimento

DCE convocou estudantes para uma assembleia na qual decidirão os rumos do movimento Por Isadora Otoni Alunos da USP exigem democratização da universidade (Marcelo Camargo / Agência Brasil) Após dois pedidos rejeitados pela Justiça, a reitoria da USP conseguiu garantir na segunda-feira (4) decisão que determina a imediata reintegração de posse do prédio da reitoria, ocupado pelos estudantes. O Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou os administradores da universidade a acionarem a polícia para que a ordem seja cumprida. Para Luisa D’Avola, diretora do DCE, houve um erro de interpretação da Justiça em relação ao movimento. “Para eles, nós...

DCE convocou estudantes para uma assembleia na qual decidirão os rumos do movimento

Por Isadora Otoni

Alunos da USP exigem democratização da universidade (Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Após dois pedidos rejeitados pela Justiça, a reitoria da USP conseguiu garantir na segunda-feira (4) decisão que determina a imediata reintegração de posse do prédio da reitoria, ocupado pelos estudantes. O Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou os administradores da universidade a acionarem a polícia para que a ordem seja cumprida.

Para Luisa D’Avola, diretora do DCE, houve um erro de interpretação da Justiça em relação ao movimento. “Para eles, nós esgotamos as vias de negociação. No entanto, o processo de aprovação do termo de acordo já tinha sido indicado realmente demora, porque precisamos convocar assembleias com todos os alunos”, contou ela.

Desde o dia 1º de outubro, alunos da USP ocupam a reitoria da Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo. O movimento exige a democratização da universidade, pedindo o fim da lista tríplice para escolha do reitor. No dia 15 de outubro, o desembargador José Luiz Germano concedeu 60 dias para a desocupação intermediada pelo estabelecimento de diálogo entre as partes, ressaltando o caráter político da manifestação.

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Entretanto, somente 15 dias depois a reitoria começou a negociar com os estudantes. Algumas pautas secundárias foram resolvidas, como a devolução de dois blocos de moradia estudantil. Mas as eleições diretas para reitor ainda não foram aprovadas.

Após a decisão judicial pela reintegração de posse, o DCE publicou uma nota de repúdio. Para eles, o reitor João Grandino Rodas não pode reintegrar a reitoria quando já se iniciaram as negociações. O Comando de Greve Estudantil convocou os alunos para uma assembleia geral na quarta-feira (6), na qual decidirão os rumos do movimento. Para Luisa, os estudantes deverão sair da ocupação vitoriosos.

Entenda a lista tríplice

Atualmente, alunos e funcionários da USP escolhem os três candidatos nas eleições para reitor que formam a lista tríplice. Essa lista é repassada ao governador, que escolhe seu nome de preferência para o cargo. Nas última eleições, João Grandino Rodas foi escolhido por José Serra, mesmo sendo o segundo colocado nas votações. Em primeiro, estava o candidato Glaucius Oliva.

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Luisa relatou que os estudantes tiveram dificuldades para negociar as diretas, visto que as reuniões de negociações eram compostas pelas chapas que concorriam à reitoria, ou seja, pessoas interessadas em manter o pleito.

O que não foi negociado

As punições após a desocupação não foram negociadas conforme o pedido dos estudantes. Para que não sejam instaurados processos criminais, o DCE iniciará uma campanha pela descriminalização da manifestação. “Queremos recolher assinaturas de intelectuais e apoiadores do movimento, para abolir qualquer tipo de punição”, alegou Luisa.

Além da falta de acordo com relação à lista tríplice, o debate sobre cotas raciais e o convênio da USP com a Polícia Militar também ficaram fora de pauta. Entretanto, Luisa afirma: “O fato de sairmos de greve não significa que vamos parar de nos mobilizar e sair da luta”.

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